Quando a chave das quartas de final foi definida, poucos imaginavam encontrar a Suíça ao lado das principais potências do futebol mundial.
Sem um elenco recheado de craques, sem o peso de uma camisa campeã e até desfalcada de seu jogador mais decisivo na fase de grupos, a seleção suíça transformou disciplina, intensidade e solidez defensiva em armas para seguir viva na Copa do Mundo. O próximo desafio, porém, é o maior possível: a Argentina de Lionel Messi, dono das atuações mais decisivas do torneio até aqui.
Se a presença argentina entre os oito melhores confirma o favoritismo construído desde antes da bola rolar, a classificação suíça representa justamente o oposto. A equipe comandada por Murat Yakin entrou na Copa longe da lista de candidatas ao título, mas avançou de fase apoiada em um sistema coletivo que sofreu poucos momentos de instabilidade.
Na segunda fase, eliminou a Argélia por 2 a 0 e, nas oitavas, resistiu durante 120 minutos diante da Colômbia antes de confirmar a vaga nas cobranças de pênaltis.

Os números ajudam a explicar o caminho da seleção. Mais do que controlar a posse de bola, a Suíça construiu sua campanha reduzindo os espaços dos adversários e sendo eficiente nos momentos decisivos.
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Contra a Colômbia, suportou a pressão, limitou as chances claras do ataque rival e contou com uma atuação segura do goleiro Gregor Kobel, decisivo na disputa por pênaltis. Foi uma classificação construída muito mais na concentração e na organização do que no brilho individual.

Esse perfil coletivo fica ainda mais evidente quando se observa o elenco suíço. O jogador de maior currículo continua sendo Granit Xhaka, capitão e referência técnica do meio-campo. Aos 33 anos, o veterano assumiu novamente o papel de liderança, organizando a equipe dentro e fora de campo. Diferentemente de outras seleções que chegaram às quartas de final, a Suíça não depende de uma constelação de estrelas. Seu maior patrimônio tem sido a regularidade.

A exceção apareceu justamente nesta Copa. O jovem Johan Manzambi despontou como uma das revelações do torneio ao participar diretamente de cinco gols antes das oitavas de final.
Com velocidade, mobilidade e personalidade, assumiu protagonismo inesperado e passou a concentrar grande parte das jogadas ofensivas da equipe. O roteiro, porém, ganhou um novo obstáculo quando o atacante ficou fora do duelo contra a Colômbia. Sem seu jogador mais inspirado, os suíços precisaram voltar à essência da campanha: defender bem, competir até o fim e confiar na força do grupo. Manzambi ainda é dúvida para o confronto contra a Argentina.

Agora, a missão parece ainda mais complicada. Do outro lado, estará Lionel Messi, artilheiro da Argentina na competição e principal candidato ao prêmio de melhor jogador da Copa. Mesmo tendo desperdiçado dois pênaltis no torneio, o camisa 10 continua liderando praticamente todos os indicadores ofensivos da seleção campeã mundial e chega às quartas vivendo mais uma campanha histórica aos 39 anos.
A diferença de expectativas entre as duas seleções nunca foi tão grande. Enquanto a Argentina carrega a responsabilidade de confirmar o favoritismo, a Suíça entra em campo sem o peso da obrigação. Foi exatamente assim durante toda a Copa. Em cada fase, o adversário parecia superior no papel. Em todas elas, os suíços encontraram uma forma de competir.

É justamente essa condição que transforma a equipe no azarão mais perigoso das quartas de final. Sem o brilho das grandes estrelas, mas com um futebol organizado e competitivo, a Suíça chega ao duelo contra Messi sabendo que já superou todas as previsões. Agora, tenta escrever o capítulo mais improvável de sua história em Mundiais.
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