Apesar de não ter a tradição do favoritismo nem de ser cotada para chegar longe, a Suíça tem se colocado entre as principais seleções do planeta, confirmando sua sequência na Copa, um objetivo que muitos países, a exemplo da Itália, têm encontrado dificuldades para alcançar.
A vaga na Copa de 2026 veio ao terminar o Grupo B das Eliminatórias Europeias na liderança, se livrando da sempre arriscada repescagem.
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Em seis jogos, foram quatro vitórias e duas derrotas, uma campanha invicta, deixando para trás Kosovo, Eslovênia e Suécia. Foram apenas dois gols sofridos, mostrando que a defesa é uma das virtudes do time comandado pelo técnico Murat Yakin, que está no cargo desde 9 de agosto de 2021.
O zagueiro Léo Lacroix, nascido em Lausanne, é filho de mãe brasileira e foi o entrevistado do Flashscore, contribuindo com informações da seleção suíça, que ele teve o privilégio de defender tanto na base como no profissional.
"O time tem evoluído muito, fez uma ótima campanha na última Euro, por exemplo. Um crescimento importante tem sido nos jogadores de meio de campo. Antes eles não tinham peças com potencial de drible, por exemplo. Os laterais sobem muito e municiam o centroavante Embolo a todo momento", comenta Léo.

Estilo de jogo
Apesar de contar com peças que são fortes em cada um dos setores, Léo indica que o conjunto é a maior valência da Suíça. Ele cita o atacante Embolo como uma referência, mas reforça que o coletivo é o diferencial.
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"Eu joguei contra o Embolo na Suíça. Eu defendia o Sion e ele o Basel. Ele já era um atacante muito forte, mas com alguma dificuldade na finalização. Hoje ele melhorou neste fundamento e segue sendo um jogador muito importante do time. A parte mais forte da Suíça é o coletivo, já era assim quando eu defendi o país e segue até hoje", comenta.
A Suíça preza pelo controle do jogo, preferindo esperar pelo melhor momento para dar o bote e definir a partida. Independentemente do adversário, o estilo é mantido, tendo a posse de bola como uma de suas principais armas.
O fato do país contar com vários imigrantes fez com que jogadores de diferentes origens e estilos tivessem a chance de se naturalizar e defender a Suíça. Estes "ingredientes externos" dão um toque adicional ao time.
"Existe esta mescla de jogadores que nasceram ou têm relação direta com outros países. A Federação Suíça, quando percebe um jogador com qualidade, se esforça para que ele tire o passaporte nacional. Isso acontece muito na França também. Se fosse buscar um estilo de jogo próprio, a Suíça poderia ficar limitada, por isso essa genética vinda de fora ajuda bastante. Hoje, eles já contam com um atleta mais rápido, que joga pelos lados do campo, outro que segura mais a bola no meio e essas peças vão se encaixando. Se dependesse somente de peças originalmente suíças, o time teria restrições", indica o zagueiro.

A estrela
Jogador mais experiente da Suíça, o meio-campista Granit Xhaka é o grande nome da seleção. Aos 33 anos, ele defende o Sunderland, da Premier League, reunindo passagens por Arsenal e Bayer Leverkusen.
De origem kosovar, foi um dos protagonistas na conquista do Mundial Sub-17 em 2009, o único título mundial da história do país, sendo hoje o atleta com mais jogos pela Suíça. As participações da nação em Copas e Euros, nos últimos anos, sempre contaram com Xhaka sendo a referência.
"É ele quem dá mais equilíbrio e controle, sabe cadenciar o jogo e tem muita qualidade no passe. Joguei com ele quando éramos sub-18", lembra Léo.

Candidato a surpresa
Uma outra referência da seleção da Suíça é Yann Sommer, goleiro da Inter de Milão. Apesar da experiência, seu concorrente é indicado por Lacroix como candidato a surpresa do time na Copa. "O Gregor Kobel, do Borussia Dortmund, é muito bom goleiro. Ele ainda é jovem para sua posição (28 anos), mas é sólido e transmite muita confiança para a defesa. A Suíça tem a tradição de ter contado, por vários anos, com bons goleiros", elogia Léo.
O zagueiro também mostra o papel do meio-campista Johan Manzambi, de 20 anos, do Freiburg. "Ele entrou bem em vários jogos das Eliminatórias. É aquele cara que parte pra cima para tentar furar a defesa, buscando fazer alguma coisa diferente. Ele recupera a bola e já ataca os espaços", pontua, citando também o atacante Dan Ndoye, do Nottingham Forest.
Como é vivido o futebol na Suíça?
Ao contrário do Brasil, a Suíça é um país que vive a Copa do Mundo mais perto do torneio. Léo sabe bem disso e, apesar da demora para o torneio ser respirado por lá, a coisa engrena quando o Mundial começa. "Ainda não vi nada nas lojas, mas tenho certeza que o clima de Copa vai chegar. O pessoal gosta de colocar bandeiras nas varandas e telões são espalhados em muitas praças, aproveitando a mistura de imigrantes. A reunião é bem legal, apesar de não ser como no Brasil", brinca.
Agenda da Suíça na Copa do Mundo
13/6 (sábado)
16h - Catar x Suíça (Santa Clara) - CazéTV
18/6 (quinta-feira)
16h - Suíça x Bósnia e Herzegovina (Inglewood) - Globo, SporTV, CazéTV, SBT/N Sports e e Flashscore (comentários em áudio)
24/6 (quarta-feira)
16h - Suíça x Canadá (Vancouver) - CazéTV e Flashscore (comentários em áudio)
