Depois de três ausências, a África do Sul volta à Copa comandada pelo belga Hugo Broos, técnico da seleção desde 2021. O trabalho mostrou seus primeiros bons sinais na Copa Africana de Nações de 2023, com a 3ª colocação, melhor resultado no século. Na última CAN, em janeiro, caiu nas oitavas de final para Camarões.
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A consagração da reconstrução sul-africana se deu mesmo nas Eliminatórias Africanas para a Copa do Mundo de 2026. Os Bafana Bafana lideraram o Grupo C em uma batalha acirrada com Nigéria e Benin por uma vaga direta. Foi apenas a terceira vez que a África do Sul conquistou a classificação no campo, após 1998 e 2002.
A vaga na Copa foi tratada como surpresa inclusive no elenco da África do Sul. Quem revelou isso foi Arthur Sales, atacante do Mamelodi Sundowns, em entrevista exclusiva ao Flashscore. Companheiro de time de vários jogadores da seleção, o brasileiro contou que eles não esperavam o sucesso nas Eliminatórias.
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“A base da seleção sul-africana é o meu time (Mamelodi Sundowns). Conversando com os companheiros, o que eu senti é que era uma coisa que parecia muito distante para eles e que de repente virou realidade. Eles olham para a Copa do Mundo como uma oportunidade de colocar o país deles de volta no cenário mundial do futebol”, disse Arthur Sales sobre seus companheiros de Mamelodi Sundowns.

Estilo de jogo
A África do Sul chega para a Copa do Mundo de 2026 baseada em seu futebol local. Os onze titulares da seleção são basicamente dos dois principais times do país: Mamelodi Sundowns e Orlando Pirates. O primeiro domina o setor defensivo e o segundo tem mais presença no ataque.
O entrosamento dos jogadores do Mamelodi Sundowns dá ao time uma característica de muita participação dos defensores na construção ofensiva. O goleiro Ronwen Williams interfere no jogo com os pés e os laterais Audrey Modiba e Khuliso Mudau sobem frequentemente ao ataque.

Se não dá para afirmar que a postura é super ofensiva, tampouco é reativa. Os Bafana Bafana costumam ter mais posse de bola que os adversários e se caracterizam por passes verticais. O grande motor do time é Teboho Mokoena, responsável por ditar o ritmo no meio-campo.
O ataque é focado na experiência internacional de Lyle Foster, atualmente no Burnley, da Premier League. O centroavante é municiado por Relebohile Mofokeng e Oswin Appollis, dois jovens do Orlando Pirates, que atuam nas pontas.

A estrela
O grande nome da África do Sul para a Copa do Mundo é o goleiro Ronwen Williams, capitão da seleção e peça fundamental do Mamelodi Sundowns. O jogador de 34 anos ganhou destaque internacional na Copa Africana de Nações em 2023, quando defendeu quatro pênaltis de Cabo Verde para avançar à semifinal.
Arthur Sales corrobora a tese de que Ronwen Williams deve ser o destaque sul-africano na Copa do Mundo. O companheiro de equipe do capitão da África do Sul elogiou a participação ativa dele com os pés e sua personalidade em sempre se apresentar para o jogo.
"O nome que pode se destacar é o goleiro: Ronwen Williams. Ele é um jogador extra de linha. Você joga a bola e ele tem confiança para jogar, se conectar com os companheiros e participar do jogo. Passa muita tranquilidade. Na Copa do Mundo, ele vai querer jogar o tempo inteiro", analisou o brasileiro do Mamelodi Sundowns.

Candidato a surpresa
Se o principal nome dos Bafana Bafana está na defesa, o candidato a surpresa é do ataque. Relebohile Mofokeng, do Orlando Pirates, é a grande aposta para o futuro da seleção. Uma boa participação do jogador de 21 anos no Mundial pode representar o sucesso ofensivo da África do Sul.

O ponta-esquerda destro tem estilo rabiscador, com movimentação leve e muita habilidade. Na atual temporada, até o início de maio, disputou 30 jogos, com 10 gols e 8 assistências.

Como é vivido o futebol na África do Sul?
A África do Sul, diferentemente de muitos países do Mundial de 2026, não tem o futebol como seu principal esporte. Esse posto é do rúgbi. Isso gera uma relação diferente com os jogadores e com o jogo em si, revela Arthur Sales. Segundo o brasileiro, a condição tira a pressão dos atletas.
"O futebol é o segundo esporte mais famoso do país — o principal é o rúgbi —, então é um pouco menosprezado olhando com os olhos da África do Sul. Se eu fosse resumir em uma frase: o brasileiro é apaixonado pelo futebol, e o sul-africano gosta de futebol. Pode parecer sutil, mas é uma diferença enorme. Aqui você perde ou ganha, e as pessoas vão para casa tranquilas", comentou.
Mesmo assim, o país africano foi responsável por organizar uma das Copas do Mundo mais simbólicas da história. O Mundial de 2010 será para sempre lembrado pela imensa hospitalidade do povo sul-africano e por diversos símbolos que atravessam gerações: as vuvuzelas, a Jabulani e a música Waka Waka.
"Depois que vim para cá, entendi um pouco por que eles marcaram tanto por ter sediado aquela Copa. É um povo que só quer alegria. Com todas as dificuldades que o país tem, eles são felizes, carinhosos, receptivos. Sou um jogador estrangeiro e aonde eu vou as pessoas me tratam bem, são simpáticas. Esse povo merecia ser conhecido pelo mundo por meio de uma Copa do Mundo", elogiou Arthur Sales.
Agenda da África do Sul na Copa do Mundo
11/6 (quinta-feira)
16h - México x África do Sul (Cidade do México) - Globo, SporTV, CazéTV, SBT/N Sports e Flashscore (narração em áudio no site e no app)
18/6 (quinta-feira)
13h - República Tcheca x África do Sul (Atlanta) - CazéTV e Flashscore (narração em áudio no site e no app)
24/6 (quarta-feira)
22h - África do Sul x Coreia do Sul (Monterrey) - CazéTV
