Neymar, o maior artilheiro da história do Brasil, afirmou no final de julho que já não jogaria mais pela Seleção. A declaração foi feita semanas depois do jogador ter sugerido que sua carreira internacional tinha terminado, após a eliminação diante da Noruega (2 a 1).
"O fim do ciclo chega para todos. O mais importante é que o seu ciclo foi bem-sucedido. Deixou a sua marca e fez história com o Brasil no futebol mundial. Os seus números pelo Brasil são incríveis. O seu período na Seleção foi muito honroso", disse Cafu, o jogador com mais partidas pelo Brasil, com 150 jogos, à Reuters nesta terça-feira (3).
A derrota contra a Noruega nas oitavas de final ditou a saída mais precoce do Brasil de um Mundial desde 1990 e prolongou a espera dos pentacampeões por um sexto título mundial, que seria um recorde. Neymar disputou quatro Mundiais, marcou 80 gols e deu 58 assistências em 130 jogos pelo Brasil, mas conquistou apenas um troféu: a Copa das Confederações de 2013.
Cafu, campeão mundial em 1994 e 2002, afirmou que o Brasil tem agora de se concentrar na próxima geração, sob o comando do treinador Carlo Ancelotti, que está iniciando uma renovação de olho no Mundial de 2030.

"Estou plenamente convencido de que 2030 será completamente diferente. O Brasil terá uma oportunidade e uma possibilidade real de ganhar esse Mundial. É um novo ciclo, um novo projeto. Ancelotti terá agora tempo para trabalhar e implementar o seu sistema tático", afirmou Cafu, que jogou sob as ordens de Ancelotti no Milan.
Ancelotti, que assumiu o cargo em 2025 e vai ficar no comando da Seleção durante o ciclo de 2030, aproveitou os últimos amistosos para testar vários jogadores novos. Quase dois terços dos convocados do Brasil para a Copa não foram chamados para o primeiro compromisso da equipe após o torneio, com oito estreias no total.
Na semana passada, o italiano convocou outra equipe experimental para os jogos de novembro contra Japão e Singapura, com cinco jogadores que ainda não tinham vestido a Amarelinha.
"Uma renovação é sempre valiosa, sobretudo quando se trata de Brasil. Com estes jovens jogadores ao lado dos mais experientes, o Brasil pode criar a química certa", avaliou Cafu.
