Como convocação de Éderson expõe erro de cálculo de Ancelotti no meio-campo da Seleção

Éderson durante amistoso da Seleção Brasileira contra o México
Éderson durante amistoso da Seleção Brasileira contra o MéxicoOMAR VEGA / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

O futebol pode cobrar muito caro pela falta de equilíbrio. A lista de convocados do técnico Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo traz consigo uma admissão silenciosa, mas contundente: o planejamento inicial não saiu como esperado.

Ao chamar Éderson, da Atalanta, o treinador italiano não apenas preenche uma lacuna física no elenco, mas expõe uma clara incoerência tática e de processos na Seleção.

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Tudo começa na prancheta e na distribuição de forças do elenco. Confiante no arsenal ofensivo do país do futebol, Ancelotti apostou em uma configuração extrema: convocou nove atacantes e apenas cinco meias. A conta, pelo que se viu nos treinos e amistosos, não fechou.

Carlo Ancelotti durante o amistoso da Seleção contra o Egito
Carlo Ancelotti durante o amistoso da Seleção contra o EgitoFoto por WILLIAM VOLCOV / BRAZIL PHOTO PRESS / BRAZIL PHOTO PRESS VIA AFP

Sem sustentação, o time viu seu meio-campo apresentar fragilidades. Diante do problema, o treinador começou a alterar a estrutura da equipe para povoar o setor com mais homens.

O modelo inicial, sustentado apenas pela dupla Casemiro e Bruno Guimarães, deixando o time exposto e sem transição, começou a ser levemente modificado para a introdução de um terceiro homem, como Lucas Paquetá, para dar fôlego à armação.

E não se assustem se o treinador utilizar até quatro jogadores no meio-campo, uma mudança drástica para quem começou o ciclo desidratando o setor.

Paquetá em ação contra o Egito
Paquetá em ação contra o EgitoKIRK IRWIN / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

Éderson: O "esquecido" que furou a fila

A presença de Éderson na lista atual é o ponto central da contradição. O volante possui força, forte poder de marcação e preenche exatamente o vigor físico que falta ao setor, mas o histórico mostra que ele não era uma prioridade absoluta para a atual comissão técnica.

Na era Ancelotti, Éderson foi chamado apenas uma vez, logo na primeira lista do italiano, e sequer entrou em campo. Desde então, virou ausência constante.

Éderson foi convocado após o corte de Wesley
Éderson foi convocado após o corte de WesleyFRANCK FIFE / AFP

Seus minutos reais pela Seleção aconteceram sob o comando de Dorival Júnior entre 2024 e 2025. Ele foi titular no amistoso contra o México e esteve em campo contra Colômbia e Argentina na Copa América de 2024.

Os números de Éderson na última edição do Campeonato Italiano
Os números de Éderson na última edição do Campeonato ItalianoGIUSEPPE MAFFIA / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

Ao trazê-lo de volta agora, Ancelotti aplica um "choque de meritocracia tardio" que quebra a hierarquia estabelecida. Éderson praticamente furou a fila de nomes como Andrey Santos, do Chelsea, que esteve presente na grande maioria das convocações anteriores.

Embora Andrey tivesse a preferência do técnico, a regularidade de Éderson na Itália, onde somou 41 jogos, 3 gols e 3 assistências como pilar da Atalanta na última temporada, tornou-se impossível de ignorar.

A performance de Andrey Santos na última Premier League
A performance de Andrey Santos na última Premier LeagueOpta by Stats Perform

O fator Casemiro e a conexão italiana

Se faltava minutagem com Ancelotti, Éderson compensou com fortes costuras e validações nos bastidores. A comissão técnica recebeu opiniões altamente positivas sobre o comportamento e o encaixe tático do atleta. 

Casemiro, por exemplo, o validou. Éderson é o virtual favorito a substituí-lo no próprio Manchester United. Além disso, a diplomacia da Velha Bota pesou. Gian Piero Gasperini, comandante de Éderson em Bergamo, é um grande conhecido de Carlo Ancelotti. As excelentes referências passadas pelo técnico italiano moldaram a decisão final. 

Éderson voltará a vestir a Amarelinha, agora na Copa do Mundo
Éderson voltará a vestir a Amarelinha, agora na Copa do MundoTIM WARNER / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

A convocação de Éderson é justa pelo futebol que ele apresenta na Europa. No entanto, ela escancara o pragmatismo reativo de Ancelotti.Resta saber se Éderson será o pilar da estabilidade que o Brasil precisa ou apenas mais um remendo em um meio-campo que ainda busca sua identidade.

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