Ir para o conteúdo principal

Conheça história que fez Messi deixar de lado a ideia de defender a Espanha

Lionel Messi já foi alvo do interesse da seleção espanhola.
Lionel Messi já foi alvo do interesse da seleção espanhola.José Jordan / AFP / AFP / Profimedia

Parece inacreditável, mas houve uma época em que Lionel Messi (39), hoje um ícone absoluto da Argentina, era totalmente desconhecido em seu próprio país. O garoto prodígio mudou-se com seu pai, Jorge, aos 13 anos, de sua cidade natal, Rosário, para Barcelona, e desapareceu completamente do radar. Mas não para os espanhóis, que insistiram para que o prodígio de La Masia representasse a Espanha. Mergulhe nessa história esquecida, que volta à tona graças à final da Copa do Mundo neste domingo (19) entre Espanha e Argentina.

Poderia ter acontecido que a final deste domingo, em Nova Jersey, tivesse a Espanha sendo liderada por um jovem baixinho, com covinhas nas bochechas e o número 10 nas costas. Messi, por ser filho de um pai com raízes espanholas e italianas, tem direito a ambos os passaportes; a árvore genealógica de sua mãe, Celia Cuccittini, também remonta à Itália.

Siga a final da Copa com narração do Flashscore

Teoricamente, ele possui a cidadania dos três países. No entanto, na idade adulta, ele só pode jogar futebol por um deles. “Venha para a nossa seleção!”, insistiam os espanhóis com o garoto de cabelos longos e tímido desde os 16 anos.

O ex-técnico da seleção argentina sub-20, José Pékerman, sob cujo comando Messi estreou na seleção principal em 2006, revelou no ano passado, em entrevista ao jornal esportivo Diario Olé, que os espanhóis estiveram muito perto de conseguir o jovem.  “Todos os documentos necessários já estavam prontos. Messi tinha 18 anos, eles o queriam para a Copa do Mundo Sub-20. Naquela época, as regras da FIFA impediam que um jogador jogasse pela seleção juvenil de um país e representasse outro como profissional”, explicou Pékerman.

Por isso, a operação argentina foi iniciada; a situação era grave. Dizem que os dirigentes envolvidos temiam, todos os dias, perder sua joia. Já um ano antes, os espanhóis estavam preparando uma vaga para ele na seleção para o Mundial Sub-17. Enquanto isso, em seu país, o técnico dessa categoria, Hugo Tocalli, por muito tempo nem sabia da existência dele. Por ironia do destino, os dois países se enfrentaram nas semifinais do campeonato, e a La Roja, liderada por Cesc Fábregas — então companheiro de Messi na equipe juvenil do Barcelona —, venceu por 3 a 2.

Prévia de Espanha x Argentina
Flashscore

No dia seguinte, no hotel em Helsinque onde ambas as equipes estavam hospedadas, Tocalli encontrou-se com o cozinheiro da delegação espanhola. “Se vocês tivessem aquele garoto que joga pelo Barça, estariam comemorando o ouro”, ouviu o técnico argentino. “Você está se referindo ao Messi?”, retrucou o técnico. Essa resposta deixou o cozinheiro boquiaberto. “O quê? Você sabe quem ele é e não o convocou?”, perguntou, sem entender.

Na verdade, Tocalli só ficou sabendo do jovem prodígio tarde demais. A fita de vídeo, que foi filmada, editada e entregue ao primeiro agente de Lionel por seu pai, Jorge, só foi vista pelo técnico apenas 10 dias antes da partida de estreia no campeonato, quando a convocação já estava fechada. E ele não queria tirar ninguém da lista. Quando o então técnico da seleção principal, Marcelo Bielsa, assistiu à fita pela primeira vez, disse ao seu assistente, com ar irritado: “Por que você está passando isso em câmera rápida? Passe normalmente.” Não estava acelerado… Bielsa não entendia. “Esse garoto é fenomenal!”

Como Maradona

Pékerman também percebeu que estava diante de um jogador extraordinário, que lhe lembrava Maradona. “Eu não podia me enganar, aquilo era uma bênção para o futebol argentino e seu futuro, um novo fenômeno. Tínhamos que nos apressar”, contou ele . Mas as semanas se passaram e, por muito tempo, nada aconteceu. Enquanto isso, Tocalli passou a integrar a seleção sub-20. E, um mês antes do torneio, ele já tinha a convocação para a Copa do Mundo garantida.

Mais uma vez, sem Messi. “Eu disse a ele que não precisava que Messi jogasse até que fosse absolutamente necessário. Que o colocasse em algum amistoso, assinasse a ata da partida e enviasse para a FIFA. E os espanhóis estariam fora do jogo para sempre”, lembrou Pékerman. 

Enquanto isso, Omar Souto, colaborador de longa data da comissão técnica da seleção argentina, realizou um trabalho meticuloso. No início da era dos celulares, ele recebeu a lista telefônica dos moradores de Rosário, sentou-se no escritório e ligou para um Messi após o outro da lista, até chegar à avó de Leo. Depois, ligou para o tio e, por fim, conseguiu o número do pai, Jorge. “Posso falar com o Leonardo?”, perguntou ele ao telefone. “É o Lionel. Bem, finalmente vocês o convidaram! Meu filho só quer representar a Argentina”, ouviu as palavras de alívio do outro lado da linha.

Estreia contra o Paraguai

Depois disso, a federação enviou à Barcelona um pedido de liberação de Lionel Messi…O jogo amistoso, organizado apenas para regularizar a situação administrativa de Messi, aconteceu em 29 de junho de 2004, e os anfitriões golearam o Paraguai por 8 a 0. E o protagonista do dia substituiu Ezequiel Lavezzi no intervalo, deu a assistência para o quinto gol dos vencedores, marcou o sétimo e se ligou para sempre à camisa listrada de azul e branco.

Quando, um ano depois, ele recebeu o passaporte espanhol, tratou-se apenas de uma formalidade burocrática para facilitar sua atuação no Barcelona. Inicialmente, ele era considerado um jogador ligado à União Europeia, já que estava no país desde os 13 anos. No entanto, havia quem contestasse esse status. 

E, como na LaLiga valia a regra de que apenas três estrangeiros de fora da UE podiam jogar, e o Barcelona contava na época com o brasileiro Ronaldinho, o camaronês Eto’o e o mexicano Márquez, não sobrou vaga para o jovem talento de 18 anos. Messi, portanto, solicitou a naturalização para acalmar as controvérsias.

Números de Messi
Números de MessiFlashscore

Ele passou 21 longos anos da vida na Espanha, mais da metade. Enquanto, ainda na juventude, via a La Roja conquistar um troféu após o outro, ele teve que esperar até 2021, aos 34 anos, para conquistar o seu primeiro com a Argentina. Isso aconteceu cinco temporadas depois de ter deixado a seleção nacional devido às críticas insuportáveis da mídia e dos torcedores, por não conseguir garantir os sucessos almejados à Argentina, enquanto arrasava no Barcelona. 

Certa vez, um amigo dele comentou: “Imagina se você tivesse aceitado a proposta da Espanha naquela época, já seria campeão do mundo!” Mas, segundo ele mesmo, Messi não se sentiria assim. Alegadamente, isso nunca sequer passou pela sua cabeça. Ele queria viver aqueles momentos inebriantes vestindo a camisa da Albiceleste. Neste domingo, Messi pode conseguir isso pela segunda vez em quatro anos. À custa do país onde cresceu no futebol.

Conteúdo patrocinado

Não fique de fora!

Assista a todos os jogos da Copa do Mundo ao vivo pela CazéTV no plano Premium do Disney+ a R$ 19,90/mês.

Oferta por tempo limitado.

Assine já!

Assine Disney+ para acompanhar ao vivo todos os jogos da Copa
Assine Disney+ para acompanhar ao vivo todos os jogos da CopaDisney+