Revelado pelo Heart of Midlothian, Craig Gordon não demorou a se consolidar como um dos goleiros mais talentosos de sua geração. Suas seis temporadas iniciais no clube, coroadas por uma participação na Copa da UEFA, em 2003-2004, abriram caminho para uma transferência histórica ao Sunderland, em 2007.
Na ocasião, os 10,8 milhões de euros (R$ 64,75 milhões) desembolsados pelo clube inglês estabeleceram um novo recorde para a posição. Na Premier League, Gordon disputou 95 partidas em seis anos, mas sua trajetória foi freada por graves lesões no joelho, que quase forçaram uma aposentadoria precoce. Afastado por mais de dois anos, muitos davam sua carreira em alto nível como encerrada.
Retorno triunfal ao Celtic e o renascimento
Em 2014, Craig Gordon assinou sem custos com o Celtic, iniciando um dos retornos mais impressionantes do futebol escocês. Em Glasgow, empilhou troféus, incluindo o título nacional de 2019, e reconquistou seu lugar na seleção nacional após quatro anos de ausência. Essa volta por cima ganhou contornos heroicos diante das incertezas e do sofrimento físico enfrentados anteriormente. Sua capacidade de retomar o protagonismo, mesmo após o calvário das lesões, transformou-o em um símbolo de perseverança.
No verão europeu de 2020, o goleiro optou por retornar ao Heart, clube que o projetou, onde segue performando em alto nível apesar da idade avançada. Este regresso a Edimburgo reflete uma lealdade incomum e a ambição de se manter competitivo no ambiente onde tudo começou. Aos 43 anos, Gordon permanece como um titular de absoluta confiança, fruto de uma disciplina física e mental exemplar.
Trajetória internacional de resiliência e recordes
A história de Gordon com a seleção principal da Escócia começou em 2004, após brilhar nas categorias de base. Atualmente, ele soma 83 convocações pela Escócia, tendo integrado o elenco da Euro 2021, embora não tenha entrado em campo. Sua caminhada internacional teve um hiato forçado entre 2010 e 2014, consequência direta de seus problemas físicos. No entanto, sua resiliência o trouxe de volta ao topo mais de uma vez.
Agora, sua convocação para a Copa do Mundo 2026 carrega um simbolismo único: o de um atleta que se recusa a ser vencido pelo tempo. Caso pise no gramado, Gordon cravará seu nome na história como um dos goleiros mais velhos a disputar uma Copa do Mundo, superando Mondragón (43 anos, em 2014) e ficando atrás apenas de El Hadary (45 anos em 2018). O feito seria a coroação definitiva de uma carreira marcada por uma resiliência fora do comum.
Modelo de longevidade
Para além das estatísticas, Gordon personifica a filosofia de nunca desistir. Sua jornada, pontuada por cirurgias complexas, retornos espetaculares e fidelidade às suas raízes, serve de inspiração para as novas gerações. Em uma era em que a carreira dos goleiros tem se estendido, ele se mantém como a referência máxima de que, com paixão e profissionalismo, é possível desafiar a lógica biológica.
Aos 43 anos, sua narrativa não é apenas a de um veterano que continua em atividade: é a de um homem que fez da persistência sua maior virtude. E se a Escócia buscar protagonismo na Copa, Craig Gordon certamente será uma peça fundamental nesse capítulo histórico.
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A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções, 104 jogos e será disputado em 16 estádios.
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