Disputada em Nova Jersey, a final manteve-se sem gols até que a Espanha abriu o placar na prorrogação, confirmando vitória por 1 a 0. A transmissão em inglês da Fox atraiu 38,9 milhões de espectadores, enquanto a Telemundo da Comcast e a sua plataforma de streaming Peacock somaram mais 23,9 milhões de espectadores para a cobertura em espanhol, segundo as empresas.
O público combinado superou largamente os 22,3 milhões que assistiram à final da Copa de 2022, no Catar.
A forte audiência coroou aquilo que os analistas consideraram um percurso sólido para os canais detentores dos direitos de transmissão, com a Fox e a Comcast pagando cerca de 485 milhões (R$ 2,4 bilhões) e 600 milhões de dólares (R$ 3 bilhões), respectivamente, por pacotes de direitos que incluíam a Copa, segundo relatos da mídia.
Vários jogos do mata-mata também superaram recentemente finais de grandes esportes norte-americanos. O duelo das oitavas de final entre Inglaterra e México reuniu quase 45 milhões de espectadores, muito acima dos cerca de 27 milhões que viram o Jogo 7 da World Series da Major League Baseball, quando os Los Angeles Dodgers venceram os Toronto Blue Jays em entradas extra, e dos quase 25 milhões que assistiram ao Jogo 5 das Finais da NBA, quando os New York Knicks puseram fim a uma seca de títulos de 53 anos, ao derrotarem os San Antonio Spurs.
Apesar de os números ficarem abaixo dos quase 126 milhões de espectadores que assistiram ao Super Bowl LX, quando os Seattle Seahawks venceram os New England Patriots, os registros representam um marco significativo para um esporte durante muito tempo ofuscado nos Estados Unidos pelo futebol americano, basquete e beisebol.
Agradando os anfitriões
O torneio, coorganizado pelos EUA, Canadá e México pela primeira vez, beneficiou o público norte-americano pelos horários. Os torcedores foram também atraídos pelo que poderá ter sido a última presença no Mundial das maiores estrelas de uma geração, incluindo Lionel Messi e o seu rival português de longa data, Cristiano Ronaldo.
A Fox One, que detinha os direitos de streaming em inglês nos EUA, registrou 2,8 milhões de inscrições em junho, o seu melhor mês desde o lançamento do serviço em agosto passado e mais do dobro das 1,1 milhões de inscrições geradas durante os playoffs da NFL em janeiro, segundo a empresa de análise Antenna.
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A popularidade do futebol entre o público hispânico também impulsionou uma forte adesão na Telemundo, canal de língua espanhola.
"As audiências ultrapassaram largamente as previsões internas de ambos os canais, e por larga margem", afirmou Vicente Navarro, sócio-gerente da agência de marketing GotDigital, especializada em futebol.
Navarro referiu que um espaço publicitário de 30 segundos nos jogos de mata-mata chegou a custar até 1 milhão de dólares (R$ 5,07 milhões), mais do dobro dos valores de 2018. Entre os principais anunciantes estiveram a PepsiCo, Home Depot, Anheuser-Busch e Coca-Cola, segundo a empresa de inteligência de mercado SensorTower.
Para comparação, um anúncio de 30 segundos na Super Bowl custa normalmente cerca de 8 milhões de dólares (R$ 40,5 milhões) ou mais.
Nova alternativa financeira
Além das audiências, o torneio revelou-se também lucrativo para os canais, ajudado pelas pausas de hidratação, que dividiram os jogos em quatro segmentos e criaram oportunidades adicionais de publicidade. Alguns especialistas referiram que estes espaços extra ajudaram a compensar os custos dos direitos televisivos e atraíram o interesse de marcas de bebidas e alimentação.
A Fox, liderada por Lachlan Murdoch, deverá arrecadar pelo menos 250 milhões de dólares (R$ 1,2 bilhões) apenas com publicidade nas pausas de hidratação, segundo um relatório de junho da The Hollywood Reporter. A Telemundo não transmitiu anúncios durante essas pausas.
"O novo inventário cria, sem dúvida, mais investimento publicitário para o Mundial", afirmou Luke Stillman, diretor-geral da empresa de estudos Madison and Wall: "Seria surpreendente se esta estrutura não passasse a ser uma característica permanente daqui para a frente, tornando assim os direitos de transmissão ainda mais valiosos."
Apesar disso, permanece a dúvida se alguns dos elementos mais americanizados do torneio, incluindo um grande show do intervalo, que gerou comparações com a Super Bowl e levou a um intervalo de 27 minutos — muito além dos sagrados 15 minutos do futebol —, irão manter-se.
O próximo Mundial será coorganizado por Espanha, Portugal e Marrocos em 2030, com a Arábia Saudita sediando em 2034. Ambos os torneios deverão apresentar horários de início menos favoráveis para o público dos EUA, o que poderá afetar as audiências futuras.
