Aldair criticou a atuação abaixo da Seleção na estreia do Mundial 2026, palpitou sobre Neymar, e abriu o jogo sobre seu vínculo profundo com a Roma.
O brasileiro também revelou quais suas lembranças do Tetra. Confira a entrevista exclusiva a seguir:
• Como você avalia a primeira partida do Brasil contra o Marrocos?
Eu assisti ao jogo. Foram muitos passes errados, o Brasil não jogou nada bem. Achei que o time esteve realmente, realmente mal! Espero muito mais, assim como todo mundo aqui no Brasil.
• O que você acha do trabalho de Ancelotti até aqui?
Se a gente falar desse jogo, não vimos a mão dele ali. Nos amistosos, o time jogou um pouco melhor, mas nessa estreia de Copa do Mundo, vimos muito pouco do trabalho dele. Talvez ele só tenha acertado nas substituições. Fora isso, quase nada apareceu.
• Quem é o jogador que pode assumir a responsabilidade e liderar o time nesse momento difícil?
Tem mais de um jogador que se espera que assuma esse papel. Tem o Raphinha, embora ele não venha jogando bem pela seleção há um tempo. O Vinicius foi um pouco melhor em um jogo.
Estou pensando principalmente nesses dois. E claro, sempre existe a esperança de que o Neymar assuma essa responsabilidade.
• O que você acha da decisão de convocar o Neymar de volta para a seleção?
Acho que foi a decisão certa porque ele é um jogador muito diferente dos demais, está acima da média. É certo que o Ancelotti levou ele e está esperando para que ele volte a estar 100% fisicamente. Convocar ele não foi um erro, de jeito nenhum.
• Agora a Copa do Mundo tem 48 seleções. Qual sua opinião sobre esse torneio ampliado?
Dá oportunidade para muitos outros países jogarem uma Copa do Mundo, e isso é muito legal. Mas é claro que aparecem diferenças enormes de nível: de um lado, você tem surpresas como a Espanha empatando com Cabo Verde, que está participando pela primeira vez na história. De outro, tem seleções aproveitando essas diferenças, como a Alemanha fazendo sete gols em Curaçao.
No fim das contas, a classificação para o mata-mata, principalmente pelas duas primeiras vagas, vai ser decidida justamente nos duelos entre as seleções tradicionais e essas menores, também pelo saldo de gols.
• Você jogou três Copas do Mundo e foi campeão em 94. Quais são suas lembranças dessa conquista?
Ganhar uma Copa do Mundo é sempre incrível, mas sinceramente, para um jogador, só de participar já é maravilhoso. Na verdade, tenho ótimas lembranças também da Itália 90, mesmo tendo ficado sempre no banco e não jogado nenhum minuto. E lembro com carinho dos torneios que disputei nos Estados Unidos e na França. Jogar essa competição é o que todo jogador mais sonha na carreira.
Dos EUA 94, lembro de quase tudo que aconteceu em campo. Comparado ao passado, hoje existe muito mais informação sobre o que acontece fora do gramado, no país-sede; são coisas importantes que os jogadores de hoje podem aprender muito mais.
• Um filme sobre sua vida foi lançado na Itália. Como surgiu esse projeto e como é se ver nas telonas do cinema?
Surgiu graças a três amigos de Roma, torcedores da Roma. Conversamos várias vezes sobre isso e, no fim, eles me convenceram a contar minha história fora dos gramados também.
Gravamos durante um ano entre Roma, Dubai e Brasil, trabalhando muito no projeto e filmando bastante. Mesmo eu sendo uma pessoa muito tímida, o que dificultou um pouco, conseguimos criar algo legal e mostrar um lado meu que a torcida e o público não conheciam.
• Como você explica esse amor imenso que a torcida da Roma tem por você?
Me perguntam isso direto. Parece até que eu nasci para o futebol na Roma, mesmo não sendo verdade. O carinho da torcida por mim é enorme. Fiquei lá muitos anos, mas para eles é como se eu tivesse começado a carreira lá ainda garoto e passado toda minha vida de jogador naquele clube.
• Você jogou com Totti e Ronaldo Fenômeno. Quem era o melhor dos dois?
São dois jogadores muito diferentes. O Ronaldo era mais atacante de um contra um, mais explosivo. O Francesco era genial dentro da área, tinha uma ótima visão de jogo e também faro de gol igual ao Ronaldo. É difícil dizer quem foi o melhor: o cenário ideal seria ter os dois no mesmo time, assim não teria dor de cabeça para escolher.
Lembro quando voltei para Roma depois da Copa de 94, numa época em que todo mundo falava do camisa 9 do Brasil, o pessoal em Trigoria me dizia: ‘Olha, aqui também temos um Ronaldo, você vai ver’, se referindo ao Francesco Totti, que era muito jovem. Depois o Francesco mostrou para todo mundo do que era capaz, e fiquei realmente muito feliz por isso.
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