Exclusivo: Técnico da base conta como revolucionou o futebol marroquino

Nasser Larguet mudou Marrocos de patamar
Nasser Larguet mudou Marrocos de patamarABDELHAK SENNA / AFP / AFP / Profimedia

Primeiro diretor e um dos principais idealizadores da Academia Mohammed VI em 2009, Nasser Larguet foi o responsável por dar o pontapé inicial da revolução do futebol marroquino. Enquanto os Leões do Atlas se preparam para disputar as quartas de final de Copa do Mundo contra a França, o ex-diretor técnico da Federação Marroquina revela os segredos de um ecossistema único que levou o Marrocos à elite do esporte em tempo recorde.

Confira a seguir a entrevista exclusiva que Larguet concedeu ao Flashscore:

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Seleção marroquina está novamente nas quartas da Copa
Seleção marroquina está novamente nas quartas da CopaReuters

• Flashscore: Você foi o primeiro diretor da Academia Mohammed VI quando ela foi criada em 2009. Hoje, vê o Marrocos nas quartas de final da Copa, depois de já ter chegado às semifinais em 2022. Você sente que o plano inicial aconteceu como previsto ou superou suas expectativas?

Nasser Larguet: Para ser sincero, superou minhas expectativas. Na época em que criamos essa academia, ela era única. Também foi uma vontade do Rei de retomar a formação no Marrocos, que já existia antes, de forma empírica, já que conseguíamos revelar jogadores para a Europa. Mas, ao longo dos anos, a participação dos clubes na formação de jovens infelizmente diminuiu.

No início da academia, tínhamos muitas incertezas: onde recrutar esses jovens, se teríamos uma infraestrutura de altíssimo nível, se teríamos tempo para formá-los. Havia muitas dúvidas. Mas, como era um projeto do Rei, que queria fazer disso um exemplo para todo o país, conseguimos tudo o que precisávamos, tivemos carta branca para trabalhar.

E já no primeiro ano fui surpreendido positivamente: houve um engajamento dos jovens como nunca tinha visto. Jogadores de 12 a 18 anos treinavam às 6h30 da manhã e às 16h, praticamente três vezes por semana, além dos outros treinos e jogos. Fiquei surpreso com o impacto que isso teve e com a rapidez dos resultados. Quando comparo com a França, que começou a formação nos anos 70 e só teve o primeiro grande resultado na Euro 87, e principalmente na Copa do Mundo de 98, foram 30 anos. No Marrocos, levamos cerca de 15 anos.

Larguet foi técnico interino do Olympique de Marselha
Larguet foi técnico interino do Olympique de MarselhaCLEMENT MAHOUDEAU / AFP / AFP / Profimedia

• O objetivo inicial era chegar na semifinal da Copa do Mundo, ou você não sabia onde Marrocos poderia chegar?

Não, sinceramente, não sabíamos. Meu presidente na época, que era o braço direito de Sua Majestade, me disse que levaríamos o tempo que fosse necessário: 10 anos se precisasse, 12 anos se precisasse. E no fim, deu resultado, porque não podemos esquecer que os jovens que representaram o Marrocos na Copa do Mundo já frequentavam, logo após saírem da academia aos 16, 17 ou 18 anos, as seleções de base. A academia realmente foi o ponto de partida para o desenvolvimento do futebol marroquino.

• Qual foi o principal desafio para dar um salto no futebol marroquino?

O primeiro desafio era encontrar o ecossistema certo. O sucesso de um jovem não depende só de bons campos e treinadores qualificados, mas de tudo ao redor. Os professores, por exemplo: são crianças cujo sucesso esportivo é incerto, então era preciso garantir um verdadeiro percurso escolar.

Precisávamos de professores capazes de entender essa dupla formação, escolar e esportiva, com jovens que só sonham em ser profissionais e para quem a escola não é prioridade. O segundo ponto era o ambiente, principalmente os pais, que talvez sonham em ter um Messi, um Cristiano Ronaldo ou um Benzema que vai ganhar muito dinheiro. Não podíamos vender sonhos, mas sim mostrar a realidade e fazer deles coorganizadores do desenvolvimento do filho.

E claro, tinha o próprio jovem: será que ele é capaz de fazer os sacrifícios necessários? Dos 12 aos 18 anos, morar e estudar dentro da academia... será que em algum momento ele não iria se cansar e querer viver a adolescência? Graças aos treinadores, monitores, professores, mas também às lavadeiras, cozinheiros, seguranças e pessoal da limpeza, criamos um ecossistema onde a criança realmente foi o centro do projeto. Eles foram incríveis e foram a chave do sucesso.

Academia de Futebol Mohammed VI na cidade de Salé
Academia de Futebol Mohammed VI na cidade de SaléAssociation Mohammed VI de Football

O que é preciso para formar jogador de futebol

• Quando conversamos com jogadores marroquinos, todos destacam as condições excepcionais de trabalho. Faz muita diferença na formação de um jovem?

Com certeza, isso era fundamental. Quando fui chamado para esse projeto, disse que o sucesso dependeria de duas coisas: as pessoas certas no lugar certo e, principalmente, a infraestrutura. Eu dizia que, para formar um médico, é preciso hospitais; para formar um jogador profissional, é preciso campos, infraestrutura. Sua Majestade entendeu isso imediatamente, nos deu os meios, e criamos uma academia muito bonita. Depois, quando fui para a Federação, fizemos o mesmo criando polos de desenvolvimento e, principalmente, reformando o centro técnico nacional, que era muito antigo. Transformamos em uma joia, o que incentiva os jogadores a se superarem porque estão em ótimas condições.

• Essa academia é a pedra fundamental da revolução no futebol marroquino?

Exatamente, é realmente a base, e todo o mérito é do Rei, que teve a ideia brilhante de trabalhar na base, em vez de tentar corrigir o que acontecia na seleção principal. Muitas vezes, na África, quando a seleção não vai bem, questiona-se tudo, demitem treinadores, afastam jogadores. Sua Majestade sabia que faltava formação, e começou pela formação dos jovens. Hoje, quando olhamos para os jogadores que passaram pela academia: aos 19 anos, dois participaram da Copa do Mundo na Rússia em 2018, quatro na do Catar, cinco ganharam a medalha de bronze nas Olimpíadas de Paris, e seis venceram a Copa do Mundo Sub-20. Isso prova que a principal ambição, a pedra fundamental como você disse, é a academia. Sem ela, não acho que o futebol marroquino estaria nesse nível hoje.

• O projeto, a longo prazo, é ter metade da seleção principal formada na academia?

Não necessariamente um número exato, mas sim, o sonho da academia é revelar o máximo possível. Ela foi criada para gerar talentos para as diferentes seleções de base, mas também para ser um modelo para os centros de formação marroquinos. Há grandes clubes que já foram formadores e estão retomando isso hoje: o Raja Casablanca, o Wydad, o FUS, Tanger. O objetivo da academia é formar os talentos do futuro para as seleções, mas também ser exemplo para os centros de formação. E é o que está acontecendo, já que hoje existe até uma forte concorrência entre a academia e os centros de formação dos clubes, e isso é ótimo para o futebol nacional.

• A ideia também é formar jovens que vão jogar na liga marroquina?

Sim, era esse o caso. Lembro que acompanhei 57 jogadores durante meus cinco anos na academia, na época da inauguração. Desses 57, 47 se tornaram profissionais, 15 jogam na Europa e o restante atua no campeonato marroquino. Isso faz toda a modalidade evoluir.

Campanha de Marrocos na Copa de 2026
Campanha de Marrocos na Copa de 2026Flashscore

Cópia adaptada do modelo da França

• É verdade que a academia copiou métodos do modelo europeu?

Sim, fui eu quem escreveu todo o projeto, desenhei o plano. Quando fui chamado, fiz um balanço dos centros de formação por onde passei: comecei no Rouen, meu primeiro clube profissional, depois no ISCAN, no Stade Malherbe de Caen, no Havre e no Racing de Estrasburgo. Peguei todos esses centros como referência em termos de infraestrutura, metodologia, o que era bom e o que não era, e fiz uma síntese para definir o que era necessário para um centro de formação de padrão internacional: infraestrutura, metodologia, acompanhamento dos jovens, recrutamento.

Me inspirei nos 25 anos que passei na França, mas também tive a sorte de viajar pela Europa, Itália, Inglaterra, Espanha, para observar o que era feito lá. O modelo que mais me inspirava era o francês.

• Como adaptar esse modelo francês ao futebol marroquino?

Vou ser honesto: nos primeiros seis meses, fui eu quem recrutou todos os jogadores. Fiz toda a detecção com alguns olheiros marroquinos que já estavam lá, percorri o país sozinho, vi mais de 15 mil crianças, das quais só 37 entraram na academia. Depois, aumentamos o número. Mas nesses seis primeiros meses, o que eu via em campo era ruim, e fiquei com medo: se fui eu quem recrutou esses jogadores, como podiam ser tão ruins? Na verdade, o problema não eram eles, era eu, porque copiei o que vivi na França. Entendi que precisava adaptar minha metodologia.

Um garoto marroquino de 15 ou 16 anos, naquela época, não tinha a mesma vivência de um jovem francês que passou por uma escolinha de futebol dos 6 aos 12 anos. Então reduzi o ritmo, diminui a exigência, como se fosse preciso recuperar uma parte da escolaridade antes de entrar no ensino médio. Nos seis meses seguintes, fizemos esse trabalho de recuperação, inclusive usando vídeo para que os meninos se vissem em campo. E no segundo ano, com os mesmos jogadores, foi incrível. Era preciso adaptar o método à cultura do país, porque mesmo sendo de origem marroquina, fui formado à francesa. Tive que reinterpretar minha filosofia pela cultura marroquina. Foi assim que conseguimos decolar.

A Academia tem 2,5km de extensão
A Academia tem 2,5km de extensãoAssociation Mohammed VI de Football

• 17 anos depois, a academia ainda precisa fazer esse trabalho de recuperação com os jovens que chegam?

Não, agora não mais, porque a academia ficou muito conhecida. Além disso, criei filiais, já que as crianças só entravam na academia aos 12-13 anos. Havia uma filial em Laâyoune, no Saara, uma em Marrakech, uma em Casablanca, uma em Tanger, uma em Fès, que recebiam jovens de 9 a 12 anos. Eu pagava os treinadores, equipava as crianças, eles tinham cinco treinos por semana mais amistosos, e reuníamos todos uma ou duas vezes por ano na academia. Os melhores, aos 13 anos, entravam na academia. Era assim que fazíamos esse trabalho de base, nessas estruturas anexas.

• Hoje, a seleção principal tem vários jogadores formados na academia. O que caracteriza essa geração atual?

O que os caracteriza é que ensinamos desde cedo o que é ser profissional: como se alimentar, como dormir, tudo que envolve o treino invisível. Eles entenderam isso, como Ounahi, Aguerd e muitos outros. São garotos muito bem integrados socialmente, mesmo que alguns hoje ganhem muito dinheiro, são muito equilibrados. Em termos de desempenho, conhecem a exigência do mais alto nível, porque ensinamos que entrar nessa profissão é para performar, não só para jogar.

Sempre dizíamos: futebol é um trabalho, não uma brincadeira. Não estamos aqui para se divertir, mas para se preparar para uma profissão. Como dizíamos, quando alguém entra em um centro de aprendiz de padeiro, é para virar padeiro; quando entra em um centro de formação de futebol, é para virar jogador profissional. E eles entenderam bem. Hoje, quando jogam na seleção, vemos que estão comprometidos com uma missão de desempenho pelo país.

Torcida marroquina na Copa de 2026
Torcida marroquina na Copa de 2026Reuters

"Para ser profissional, é preciso também representar a sociedade"

• Como a academia conseguiu transmitir essa cultura de vitória, que às vezes falta às seleções africanas? Dizem que elas carecem de constância, enquanto o Marrocos hoje é muito regular nas grandes competições.

Simplesmente porque eram jogadores que estavam conosco 24 horas por dia: dormiam no centro de formação, estudavam lá. Avaliávamos praticamente a cada trimestre o modo de vida deles na academia, não só em campo: mas também a cozinha, a limpeza, a segurança avaliavam, a escola avaliava, os treinadores avaliavam. Era preciso ser bom em tudo. Para ser profissional, não basta saber chutar bem a bola, é preciso também ter representatividade na sociedade. Como eram competitivos por natureza, dissemos que era preciso ser excelente na vida no centro, excelente na escola, excelente em campo. Cultivamos neles essa ideia de competição, dentro e fora de campo.

Hoje, são garotos que querem conquistar seu espaço, querem ganhar títulos. O que aconteceu no Catar com o técnico Walid Regragui e os jogadores que estavam lá aumentou ainda mais a vontade de performar. Prova disso: os sub-20 ganharam a Copa do Mundo com seis jogadores da academia. O Marrocos não é mais uma seleção que só participa das competições, mas uma seleção que entra para ganhar. E isso mudou completamente, porque era nosso discurso diário, não só em campo, quando o time perdedor fazia sprints, mas no dia a dia: como você vive, você treina; como você treina, você joga. Se você tem alma de competidor fora de campo e nos treinos, vai ser assim também no dia do jogo.

Alguns jogadores da seleção vêm da base de Salé
Alguns jogadores da seleção vêm da base de SaléReuters

• Dizia-se também que a França formava talentos para seleções como a do Marrocos, mas isso é cada vez menos verdade. Essa também era a ideia do projeto Mohammed VI?

Ainda há muitos jogadores formados na Europa que jogam na nossa seleção. Ainda existe uma diferença entre nossos marroquinos da Europa e os locais, mas estamos diminuindo essa distância. Acho que hoje há entre seis e oito jogadores da academia prontos para jogar na seleção principal. Depois, é escolha dos treinadores, porque são tão bons quanto os que foram convocados. E ainda tem os jogadores formados no Raja, no FUS, etc. O tempo vai favorecer cada vez mais os jogadores locais para integrar a seleção principal do futuro.

• Mesmo assim, vimos na Copa contra o Haiti, uma seleção formada só por jogadores nascidos no exterior. Qual é, para você, o equilíbrio ideal entre os locais e os "binacionais"?

Não acho que precisamos buscar um número ou equilíbrio exato, nem colocar um contra o outro. Hoje, os jogadores nascidos, criados e formados na Europa são marroquinos de verdade, não há diferença. O que falta hoje é a competitividade do nosso campeonato nacional. Fora cinco ou seis jogos por ano, é pouco para competir com o nível de um jogador que atua na Europa. Mesmo nossos marroquinos, quando saem do Marrocos para jogar na Europa, como Ounahi ou Aguerd, é para disputar competições de alto nível, como Aguerd no Marseille hoje, ou antes no West Ham, ou Youssef En-Nesyri, que ganhou várias Liga Europa.

Precisamos que o campeonato marroquino evolua para que nossos jogadores locais possam chegar às seleções. Quando você tem um jogador no Real Madrid disputando jogos de altíssimo nível toda semana, ele vai ser melhor do que um jogador que atua regularmente no campeonato marroquino, mesmo que esteja evoluindo. Infelizmente, só há cerca de dez jogos por temporada em altíssimo nível.

Marrocos hoje não tem mais complexo em relação à Europa ou Brasil

• O sucesso de Marrocos mostra o caminho para outras nações africanas?

Sim, com certeza. O Marrocos conquistou algo importante: não tem mais complexo em relação ao que acontece na Europa ou América do Sul. O Marrocos entendeu que pode ser tão bom, ou até melhor, que algumas seleções europeias. Perdemos o complexo, acreditamos em nós mesmos. Prova disso são os treinadores locais, marroquinos, mesmo que alguns tenham nascido na Europa. É preciso acreditar no nosso potencial e nas nossas capacidades, e o Marrocos está abrindo esse caminho.

• Você passou por muitos centros de formação na França. Essa quartas de final contra a França tem um sabor especial para você?

Sim, vai ser muito especial. A França me fez crescer no futebol, me ensinou os fundamentos como treinador e formador que sou hoje, sou grato por isso. E tem meu país, o Marrocos, onde nasci, cresci, onde está minha família, e onde participei da base do futebol marroquino, entre sete anos na academia e cinco anos como diretor técnico nacional. É um grande confronto: a França que me formou, e o Marrocos onde apliquei o que aprendi na França.

Nascido na França, Hakimi escolheu jogar por Marrocos
Nascido na França, Hakimi escolheu jogar por MarrocosAFP

• Como diretor técnico, você também trabalhou para que alguns jogadores escolhessem representar o Marrocos em vez da França?

Sim, foi preciso convencer os primeiros. Consegui convencer alguns jogadores pessoalmente, ou com ajuda dos meus treinadores. Convenci pessoalmente o Achraf Hakimi a se juntar a nós. Depois, treinadores convenceram o Mazraoui, Amrabat e muitos outros. Na época, também entrei em contato com Amine Harit e Sofiane Boufal, entre outros, que me pediram um tempo antes de virem para a seleção. Esse grupo de jogadores abriu portas para outros: foi graças a Hakimi e Mazraoui que outros seguiram, com o apoio do presidente da Federação, Fouzi Lekjaa, e o envolvimento de Sua Majestade, sempre atento à evolução do futebol, o que permitiu trazer jogadores como El-Aynaoui, Saibari, Bouaddi e muitos outros.

• Você está otimista com o futebol marroquino?

Sim, estou muito otimista. Saiba que Hakimi escolheu jogar pelo Marrocos aos 16 anos. Bouaddi, por sua vez, tem dois anos a mais que Hakimi tinha naquela época. Por isso digo que nossos porta-bandeiras, os que abriram esse caminho, foram primeiro jogadores como Moustapha Hadji, depois Boussoufa e alguns outros que escolheram o Marrocos. Mas a grande virada foi a chegada de jogadores como Hakimi e Mazraoui, que escolheram o Marrocos muito cedo, aos 16 ou 18 anos, junto com a Federação e as seleções. Isso faz com que hoje, um jogador de 18 anos como Bouaddi escolha o Marrocos com facilidade.

Redouane Halhal treina para encarar a França
Redouane Halhal treina para encarar a FrançaReuters

• A seleção marroquina sempre será essa mistura entre a diáspora e jogadores locais?

Não, não é uma mistura. É a seleção marroquina, formada por marroquinos, simples assim. Seja nascido nos Estados Unidos, Canadá, França, temos uma diáspora incrível, mas todos são marroquinos de verdade que escolhem o Marrocos para defender suas cores.

• Quais são as forças de Marrocos nessa Copa do Mundo?

Sinceramente, é um time que mostra várias facetas. Consegue se adaptar ao sistema e às qualidades do adversário, mas sempre mantendo sua linha: não joga só reagindo ao adversário, joga principalmente com suas próprias qualidades. Tem um meio-campo excepcional, capaz de segurar a bola e recuperá-la. Sabe aproveitar qualquer chance para colocar o adversário em perigo. Defensivamente, há muita segurança, e temos um goleiro excepcional, fabuloso. É um time completo em todos os setores, com um banco de reservas forte.

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