Diretor da Seleção reconhece erros do ciclo e confia em Ancelotti: "Continuidade é o ideal"

Ancelotti ao lado de Rodrigo Caetano, diretor de seleções da CBF
Ancelotti ao lado de Rodrigo Caetano, diretor de seleções da CBFReuters/Troy Taormina

O fantasma das oitavas de final e a dor de uma eliminação precoce ainda ecoam na Seleção Brasileira. Após a derrota por 1 a 0 para a Noruega, que decretou o fim do sonho do hexacampeonato na Copa do Mundo de 2026, o diretor de seleções da CBF, Rodrigo Caetano, veio a público para analisar a queda, pedir desculpas ao torcedor e reitera a posição da entidade sobre o futuro da comissão técnica.

Mesmo diante do forte impacto do resultado, o dirigente garantiu que o planejamento não será jogado no lixo. Para Caetano, a receita para o Brasil voltar ao topo não está na ruptura, mas sim na estabilidade — ressaltando a importância da permanência do técnico Carlo Ancelotti para o próximo ciclo.

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"Nós, brasileiros, a gente sempre vai para o tudo ou nada, se ganha, parece que está tudo certo. Não é assim. Não é só quando você ganha, está tudo certo, ou quando você perde, está tudo errado. Acho que a continuidade, com os ajustes, é o caminho ideal neste momento", cravou o diretor.

Rodrigo Caetano deu o parecer da CBF e reconheceu ciclo tumultuado.
Josias Pereira / Flashscore

Detalhes fatais e ciclo turbulento

Rodrigo Caetano não escondeu a surpresa com o desfecho diante dos noruegueses, pontuando que, apesar das severas adversidades enfrentadas antes e durante o torneio — como as lesões de Wesley, Raphinha e Lucas Paquetá e uma sequência de lesões que minaram o elenco —, o grupo dava sinais de evolução.

"Não esperávamos. Por mais que não tenha sido um ciclo ideal, a gente tinha tudo para seguir mais além. Acho que, apesar das lesões, da perda do Paquetá, enfim, a equipe já vinha com um encaixe, já vinha se mostrando mais forte. E, infelizmente, o detalhe que é o gol, esteve a favor deles. Não foi apenas isso, tivemos outras oportunidades, mas eles foram mais competentes."

Paquetá se lesionou na classificação contra o Japão
Paquetá se lesionou na classificação contra o JapãoSTEFAN KOOPS / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

O dirigente fez questão de blindar o elenco e o staff, elogiando o comportamento da delegação ao longo do período de concentração em solo norte-americano, destacando a ausência de problemas extracampo.

"Estamos todos tristes, frustrados, aproveito para pedir desculpas a todo povo brasileiro. Mas não vamos invalidar o que vivemos nestes 38 dias, os atletas foram extremamente profissionais, se comprometeram com a causa (...) Uma Copa do Mundo que você não teve nenhum tipo de polêmica com atleta algum. Os caras foram extremamente incansáveis. Por tudo isso, a dor é ainda maior."

Seleção Brasileira iniciou o ciclo com Ramon Menezes no comando
Seleção Brasileira iniciou o ciclo com Ramon Menezes no comandoBUDA MENDES / GETTY IMAGES SOUTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

Veja como foi Brasil 0 x 1 Noruega

A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho na América do Norte. Veja tudo o que você precisa saber sobre o torneio:

 

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O preço da instabilidade

Ao analisar o contexto geral que levou o Brasil a mais um revés em Mundiais, Caetano reconheceu que a Seleção pagou o preço por um ciclo altamente instável e marcado por constantes mudanças estruturais, especialmente de comando técnico, algo que ele espera ver corrigido com a manutenção de Ancelotti a longo prazo.

"Não foi só esse último ano. Os quatro anos somados não foram dentro de uma realidade. Muitas trocas e isso muitas vezes prejudica. Usava como exemplo seleções que têm seus treinadores há mais de década no comando e que certamente, em algum momento, passaram por uma situação semelhante, e que, com o passar do tempo, acabam construindo um grupo, um jeito de jogar."

Rodrigo Caetano ao lado de Dorival Júnior, um dos técnicos da Seleção Brasileira neste ciclo
Rodrigo Caetano ao lado de Dorival Júnior, um dos técnicos da Seleção Brasileira neste cicloCHARLES SHOLL / BRAZIL PHOTO PRESS / BRAZIL PHOTO PRESS VIA AFP

Olhar para a frente: Setembro é o recomeço

Sem tempo para lamentações prolongadas, a CBF já projeta a reconstrução da Seleção. O foco agora se volta para o mês de setembro, quando se iniciam os próximos compromissos oficiais e, efetivamente, a caminhada rumo a 2030, sob a batuta do treinador italiano e com a promessa de um ambiente menos caótico.

"Hoje realmente é de lambermos as feridas, muita dor, muita frustração. Tínhamos tudo para seguir mais longe. (...) A gente espera, com esse movimento que a CBF fez antes da Copa do Mundo (a manutenção do trabalho do Ancelotti), que tenhamos um pouco mais de tranquilidade para esse ciclo que para nós inicia em setembro. A gente espera que no comando do Mister possamos ter um ciclo mais dentro da normalidade", concluiu.

Ancelotti terá mais um ciclo para poder recolocar Seleção Brasileira no topo
Ancelotti terá mais um ciclo para poder recolocar Seleção Brasileira no topoODD ANDERSEN / AFP
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