Mesmo diante do forte impacto do resultado, o dirigente garantiu que o planejamento não será jogado no lixo. Para Caetano, a receita para o Brasil voltar ao topo não está na ruptura, mas sim na estabilidade — ressaltando a importância da permanência do técnico Carlo Ancelotti para o próximo ciclo.
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"Nós, brasileiros, a gente sempre vai para o tudo ou nada, se ganha, parece que está tudo certo. Não é assim. Não é só quando você ganha, está tudo certo, ou quando você perde, está tudo errado. Acho que a continuidade, com os ajustes, é o caminho ideal neste momento", cravou o diretor.
Detalhes fatais e ciclo turbulento
Rodrigo Caetano não escondeu a surpresa com o desfecho diante dos noruegueses, pontuando que, apesar das severas adversidades enfrentadas antes e durante o torneio — como as lesões de Wesley, Raphinha e Lucas Paquetá e uma sequência de lesões que minaram o elenco —, o grupo dava sinais de evolução.
"Não esperávamos. Por mais que não tenha sido um ciclo ideal, a gente tinha tudo para seguir mais além. Acho que, apesar das lesões, da perda do Paquetá, enfim, a equipe já vinha com um encaixe, já vinha se mostrando mais forte. E, infelizmente, o detalhe que é o gol, esteve a favor deles. Não foi apenas isso, tivemos outras oportunidades, mas eles foram mais competentes."

O dirigente fez questão de blindar o elenco e o staff, elogiando o comportamento da delegação ao longo do período de concentração em solo norte-americano, destacando a ausência de problemas extracampo.
"Estamos todos tristes, frustrados, aproveito para pedir desculpas a todo povo brasileiro. Mas não vamos invalidar o que vivemos nestes 38 dias, os atletas foram extremamente profissionais, se comprometeram com a causa (...) Uma Copa do Mundo que você não teve nenhum tipo de polêmica com atleta algum. Os caras foram extremamente incansáveis. Por tudo isso, a dor é ainda maior."

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O preço da instabilidade
Ao analisar o contexto geral que levou o Brasil a mais um revés em Mundiais, Caetano reconheceu que a Seleção pagou o preço por um ciclo altamente instável e marcado por constantes mudanças estruturais, especialmente de comando técnico, algo que ele espera ver corrigido com a manutenção de Ancelotti a longo prazo.
"Não foi só esse último ano. Os quatro anos somados não foram dentro de uma realidade. Muitas trocas e isso muitas vezes prejudica. Usava como exemplo seleções que têm seus treinadores há mais de década no comando e que certamente, em algum momento, passaram por uma situação semelhante, e que, com o passar do tempo, acabam construindo um grupo, um jeito de jogar."

Olhar para a frente: Setembro é o recomeço
Sem tempo para lamentações prolongadas, a CBF já projeta a reconstrução da Seleção. O foco agora se volta para o mês de setembro, quando se iniciam os próximos compromissos oficiais e, efetivamente, a caminhada rumo a 2030, sob a batuta do treinador italiano e com a promessa de um ambiente menos caótico.
"Hoje realmente é de lambermos as feridas, muita dor, muita frustração. Tínhamos tudo para seguir mais longe. (...) A gente espera, com esse movimento que a CBF fez antes da Copa do Mundo (a manutenção do trabalho do Ancelotti), que tenhamos um pouco mais de tranquilidade para esse ciclo que para nós inicia em setembro. A gente espera que no comando do Mister possamos ter um ciclo mais dentro da normalidade", concluiu.

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