No entanto, para além das telonas e dos ringues de boxe, o universo criado por Sylvester Stallone guarda conexões profundas, curiosas e até dolorosas com o futebol. Para a nossa sorte, especificamente, com o Brasil e o Rei Pelé.
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Se hoje a Filadélfia respira o clima do futebol brasileiro, há 45 anos era o "Garanhão Italiano" quem tentava, sem muito sucesso, entender as nuances do "Beautiful Game", como os americanos chamam o nosso futebol da bola redonda, ao lado do maior jogador de todos os tempos.
Acredite: o Pelé já 'quebrou' o Rocky Balboa
O grande encontro entre Hollywood e a realeza do futebol aconteceu em 1981, no clássico filme Fuga para a Vitória (Escape to Victory). Na trama, prisioneiros aliados enfrentam uma seleção nazista em plena Paris ocupada.
Stallone interpretava o capitão americano Robert Hatch que, por pura falta de intimidade com a bola nos pés, acabou virando o goleiro do time. O craque do time era Luis Fernandez, interpretado por Pelé.
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Stallone, acostumado a levar socos reais nas filmagens de Rocky, achou que o futebol seria uma tarefa simples. Ele subestimou o chute do camisa 10. Em uma entrevista posterior à BBC, o ator relembrou com muito humor o "choque de realidade" que levou ao desafiar o Rei do Futebol.
"Esse foi um dos pontos mais baixos da minha vida", riu Stallone. "Que surra eu levei! Ainda tenho um dedo quebrado por tentar defender um pênalti do Pelé", conta o astro norte-americano.
"Ele calçou um par de sapatos da Segunda Guerra Mundial que tinham pontas de aço, e a bola era como uma bala de canhão. Era duas vezes mais grossa e pesada do que as bolas de futebol são hoje. Ele estava me dizendo que iria chutar e eu pensei: 'é futebol, qual é o problema? É fácil'", recorda o ator.
"Ele veio para cobrar um pênalti e me disse exatamente onde ia colocar a bola, então eu fiquei ali, mas a bola ainda passou voando por mim antes que eu pudesse me mover", prosseguiu.

"O Pelé colocou a bola literalmente onde tinha dito que colocaria. Fez isso de novo, e ela atravessou a rede e quebrou uma janela do alojamento onde estávamos filmando. Eu disse: 'você está brincando comigo?' Ele ganhou meu respeito aquele dia", concluiu Stallone.
Quando Pelé faleceu, em dezembro de 2022, Stallone fez questão de prestar sua homenagem pública ao amigo de set.
"Pelé, o Grande! Descanse em paz. Este era um homem bom", escreveu o ator.

Paixão azul: O dia em que Stallone parou Liverpool
Se a introdução de Stallone ao futebol foi dolorosa pelas mãos de Pelé, o amor definitivo pelo esporte foi consolidado do outro lado do Atlântico. Em 2007, o ator surpreendeu mundo do futebol ao aparecer no gramado do lendário estádio Goodison Park, na Inglaterra, vestindo um cachecol do Everton, antes de uma partida contra o Reading.
A conexão nasceu através de seu amigo próximo e parceiro de negócios na franquia Planet Hollywood, Robert Earl, que era diretor do clube de Liverpool na época. Stallone virou um entusiasta dos Toffees. E o "Garanhão Italiano" levou essa ligação tão a sério que decidiu imortalizá-la no cinema anos mais tarde.

Goodison Park em Creed
Em 2015, Stallone retornou ao papel que mudou sua vida em Creed: Nascido para Lutar. No filme, ele assume o papel de mentor e treinador de Adonis Creed (Michael B. Jordan), filho de seu antigo rival e amigo Apollo Creed.
Para a grande luta clímax do filme, contra o campeão mundial "Pretty" Ricky Conlan, a produção não escolheu uma arena tradicional de Las Vegas ou Nova York. Stallone e o diretor Ryan Coogler decidiram levar o ápice do filme para dentro do Goodison Park, a histórica casa do Everton.

A escolha teve o dedo do próprio rival de Adonis no filme: o ator britânico Tony Bellew, que na vida real é ex-campeão mundial de boxe e um torcedor fervoroso do Everton.
Durante o intervalo de uma partida real entre Everton e West Bromwich, em janeiro de 2015, os telões do Goodison Park piscaram uma mensagem surpreendente em vídeo gravada pelo próprio Sylvester Stallone, vestindo a camisa azul do clube.
"Queremos que este seja um momento glorioso", disse Sly inflamando a torcida nas arquibancadas para que participassem das filmagens gravando seus cantos. "Gostaríamos de ver os rostos de vocês na tela, então por favor nos ajudem, nós vamos agradecer muito. E acima de tudo – Go Everton!".

A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções, 104 jogos e será disputado em 16 estádios.
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