Jorge Jesus já havia dito em sua apresentação que se preparou "a vida toda" para ser treinador da seleção. Desta vez, o português detalhou o processo que viveu nos últimos anos.
"Todos dizem que o treinador de seleção tem mais tempo para fazer outras coisas, eu acho que não é bem assim, há sempre muito para trabalhar com a equipe técnica e foi isso que eu tentei nos últimos dois anos. A partir do momento em que voltei para a Arábia Saudita, fui para treinar uma seleção e não o Al-Hilal", afirmou.
"As coisas estavam definidas e o gestor do Al-Hilal, que já tinha trabalhado comigo, me convidou e eu me abalei um pouquinho, mas comecei a me preparar a partir desse dia. Ainda houve a hipótese de treinar a seleção do Brasil e comecei a pensar que o meu futuro teria que ser uma seleção, e se fosse a seleção portuguesa, seria a cereja no topo do bolo", completou.
Ao ser perguntado sobre o que faltou à Seleção Brasileira no Mundial, o treinador traçou um paralelo entre as duas equipes.
"O Brasil é um pouco parecido. Eu digo que Portugal é o Brasil da Europa. Porque há muita qualidade individual, mas quando se chega aos campeonatos... O Brasil é o país com mais títulos, é o passado, mas há quanto tempo não ganham? Tem sempre grandes jogadores, mas não consegue fazer uma grande seleção. Portugal também, não esquecendo que fomos campeões europeus."
O que JJ teria feito no Brasil em 2026?
Questionado sobre o que teria feito de diferente caso tivesse assumido o comando da equipe brasileira, Jorge Jesus admitiu que chegou a receber orientações para montar uma pré-lista antes de recuar da possibilidade.
"Posso confessar: acabei não indo treinar o Brasil, mas já tinha indicações para fazer a pré-lista da convocação do jogo de março, depois de terem perdido contra a Argentina. O Brasil tem muitos bons jogadores e há muita qualidade no Campeonato Brasileiro", disse.
"Teria feito uma convocação diferente em um ou outro jogador, até porque acho que o melhor centroavante brasileiro é o Pedro (do Flamengo). Mas concordei com grande parte do que foi feito. Depois, o pessoal, a forma de treinar e de olhar para o jogo é que faz a diferença. O estilo de cada treinador para implementar as ideias do jogo - que não é só atacar e defender - é que faz a diferença", detalhou.
Na mesma entrevista, o treinador destacou que 12 dos 24 jogadores que representaram Portugal no Mundial já haviam trabalhado sob seu comando, fator que considera uma vantagem para o início do trabalho.
Jorge Jesus também reforçou sua filosofia baseada na solidez defensiva como alicerce para conquistar títulos e afirmou que seu grande objetivo à frente da seleção é chegar preparado para o Mundial de 2030. Os trabalhos do treinador já começaram com a Liga das Nações marcada para o fim de em setembro, quando Portugal enfrenta o País de Gales na estreia.
