Como no outro texto, vou elencar três aspectos ligados à parte tática que foram muito importantes para uma boa exibição da Seleção: compensações, meio-campistas e qualidade individual.
Analisando e comparando o time que fez o primeiro jogo contra Marrocos e os titulares contra o Haiti, vimos que a Seleção iniciou com os mesmos jogadores no meio-campo e nos lados. Houve uma troca no último homem de ataque (Igor Thiago por Matheus Cunha) e na lateral direita (Ibañez por Danilo) — a mesma do intervalo da estreia.

Na parte numérica tínhamos o 4-1-4-1 com o tripé de meio-campo formado por Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá. A linha defensiva com Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos. Na frente, Vinícius Júnior, Matheus Cunha e Raphinha. Esta era a formação defensiva adotada pela seleção.
A equipe do Haiti adotou o sistema 5-4-1 com a ideia de fechar os lados do campo e ter mais coberturas nas jogadas de Vinícius e Raphinha. Com isso, gostaria de falar sobre nosso primeiro item destacado neste jogo.

A compensação
No “tatiquês”, compensação é o movimento que um atleta faz para cobrir o espaço do outro após algum movimento fora do setor inicial. Vamos direto ao exemplo da Seleção: assim como no primeiro jogo, após a pausa para hidratação, Paquetá foi o responsável por cobrir os espaços na parte defensiva para Vini Jr.

Vinícius vem tendo liberdade para jogar por dentro e não participar em todos os momentos na parte defensiva pelo lado esquerdo. Numericamente, o Brasil acabava jogando em um 4-4-2 com Paquetá fazendo a função que seria de Vini Jr. Isso é compensação.

O que mais me chamou a atenção é que a compensação no primeiro jogo gerou dúvidas, que já foram amplamente debatidas. Nesta partida tivemos de novo, mas houve o momento em que a compensação foi simplificada e Paquetá começou a ficar mais posicionado pelo lado esquerdo, menos por dentro, e Vinícius estava como atacante por dentro.

Resultado: funções simplificadas para os atletas, sem dúvida em relação aos setores, e comprometimento em fazer a função que a equipe precisava. Paquetá foi o jogador que gerou isso.
Além de ser um dos expoentes técnicos da equipe na partida, teve uma excelente sincronia de movimentos com Douglas. Muitas vezes precisou ter duelos de coberturas individuais na parte final defensiva, pois acompanhava seu adversário dentro do setor para que Douglas pudesse realizar a pressão.

Os meio-campistas
Casemiro conseguiu dar consistência e proteção pela frente para a primeira linha, foi muito bem nas coberturas e principalmente por preencher a área quando a equipe do Haiti chegou. Venceu duelos e foi um dos responsáveis pelo início das jogadas, mesmo com marcação individual do centroavante do Haiti.
Bruno Guimarães foi um dos principais jogadores em campo, com excelente participação nas fases ofensivas e defensivas. Chegou muito bem na área na parte ofensiva, teve passes com alto nível de eficiência e competiu em bom nível.

Paquetá foi o diferencial, pois deu alto índice de mobilidade ao time e poder de criação. Ele foi o atleta que conseguiu abrir o jogo, quer seja com passes, quer seja com movimentos para abrir espaços para outros atletas.
Quer dizer que está tudo certo, então? Não. Futebol é isso. Futebol não é uma conta matemática onde 2+2=4. A equipe está em construção dentro da Copa do Mundo, jogadores estão buscando o melhor encaixe junto com o treinador, as peças estão se ajeitando, e pudemos observar isso durante o jogo.

No início da partida tivemos alguma dificuldade de criação e fomos buscando a melhor maneira de atacar com variações. Jogamos muitas bolas longas nas costas da defesa durante o primeiro tempo. Com esse tipo de jogada tivemos duas chances claras de gol, sendo uma efetiva, mas em impedimento.
O tempo foi passando e os jogadores, entendendo melhor a movimentação defensiva da equipe do Haiti. A Seleção buscou movimentos e maneiras de atacar, e aí entra nosso ultimo item da análise.

A qualidade individual
O Haiti apostou nos duelos individuais. A linha de cinco saía muito da posição para conter avanços de Matheus Cunha, Vinícius Júnior, Raphinha e dos meio-campistas que por vezes entravam na última linha — neste jogo, Bruno Guimarães.
A Seleção buscou, em cima da qualidade individual, movimentos que abriam espaços para que outro pudesse ocupar. Para fazer isso, precisamos de duas coisas: treino e inteligência.
Sabemos que na Copa não existe muito tempo de treino. Existe a informação que com certeza foi passada, mas acredito que a capacidade individual fez a diferença.

Fico muito contente, pois os atletas e a comissão conseguiram adaptar o estilo ao contexto do jogo, fazendo com que a Seleção tivesse alternância entre movimentos ofensivos com posse e em transição, como foi o segundo gol. Aliás, o segundo gol poderia exemplificar meu texto de hoje na essência.
Jogamos o jogo. Ainda temos muito a evoluir para competir em alto nível contra seleções com mais tempo de trabalho e confiança. Copa do Mundo é feita de detalhes, assim como todas as partidas de futebol. Os pequenos detalhes fazem a diferença.
A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções, 104 jogos e será disputado em 16 estádios.
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