A Seleção Brasileira iniciou o jogo de maneira um pouco mais contida e foi muito pressionada por Marrocos, que utilizou muito bem a pressão média e uma excelente transição para o campo ofensivo.
Muitas vezes, a transição não tinha o objetivo direto do gol, mas sim entrar no campo adversário. Isso teve muita relação porque a Seleção Brasileira não tinha participação constante dos homens da frente na recomposição defensiva.
Podemos visualizar isso com uma participação muito forte de Hakimi no 1° tempo, com muitos momentos dentro da área do Brasil. A estratégia da equipe brasileira foi usar os espaços do lado direito defensivo da equipe de Marrocos com Vinicius e Raphinha.
Veja os detalhes de Brasil 1 x 1 Marrocos
Na prática, observamos que tanto Raphinha quanto Vinicius Jr. estavam ocupando o mesmo espaço e, muitas vezes, o Brasil não tinha um jogador pelo lado do campo, obrigando a Seleção a jogar por dentro. Foi aí que entrou a estratégia da seleção de Marrocos de fechar o centro e apostar ainda mais nas transições.

O perigo da perda de bola
Em um destes momentos, a Seleção perdeu uma bola por dentro e sofreu um contra-ataque, resultando no gol de Marrocos. Quando se enfrenta equipes que buscam o contra-ataque, o grande perigo está quando estamos em organização ofensiva e não estamos preparados para “atacar marcando”.
Neste momento, fica-se vulnerável a transições que podem causar gols e foi exatamente assim que a Seleção sofreu o gol. Taticamente, o Brasil não conseguiu iniciar as jogadas na segunda fase ofensiva, sem usar os laterais e demorando muito para que defensores e meias levassem a bola para o lado do campo, onde estavam os jogadores mais perigosos.

Sair atrás força nova postura
Logo após o gol sofrido, veio um detalhe que faz muita diferença, principalmente quando se joga em estádios com grande número de torcedores: a pausa para hidratação. Neste momento, Carlo Ancelotti conseguiu fazer uma mudança tática que melhorou a Seleção e fez com que a equipe marcasse o gol com um pouco mais de cinco minutos.

Normalmente, dentro da partida, quando existe muito barulho, é muito difícil passar informações detalhadas e mudar o sistema de forma eficaz. Na mudança tática, utilizando os mesmos jogadores, ele mudou o sistema para 4-1-4-1, colocando Paquetá do lado esquerdo do campo. Ancelotti abriu Vinicius pelo lado esquerdo, Raphinha foi para o lado direito e Igor ficou centralizado.

O gol saiu bem cedo, mas surgiu de uma jogada onde a equipe iniciou sua ação pelo lado (aproveitando os avanços de Hakimi), em uma belíssima jogada individual de Vinicius Jr. Um detalhe legal do gol do Brasil é a quantidade de atletas que temos dentro da área no momento da finalização: seis, sendo três meio-campistas, dois extremos e um centroavante.
Ainda sobre a mudança tática, Paquetá, além de dar mais combate por dentro e estar mais próximo dos meio-campistas, foi o responsável por fazer as compensações para Vinicius Jr., que não precisava estar a todo momento em organização defensiva pelo lado do campo.
Quando Vinicius não estava posicionado, Paquetá fazia o movimento de dentro para fora e fechava o sistema que se transformava em um 4-4-2. Aí entra o " encaixe de meio campo”. No sistema 4-1-4-1, os meias da Seleção estavam mais próximos dos meias de Marrocos e o Brasil foi muito mais efetivo na pressão e principalmente após a perda.

Falta como alternativa pós-perda
Um detalhe bem importante foi no número de faltas cometidas pela Seleção neste momento de pós perda e, principalmente, dentro do campo adversário.
Isso é um detalhe que foi trabalhado e executado de melhor forma depois da troca de sistema. O Brasil teve um bom comportamento defensivo durante o jogo, fez boas pressões e conseguiu recuperar bolas importantes no campo ofensivo.

Mas o time não conseguiu transformar estes bons momentos em chances reais. A estratégia de Marrocos em transitar foi ficando cada vez mais prejudicada e menos eficaz.
A Seleção tinha mais posse, teve mais domínio de território, vencia os duelos, minimizava os contra-ataques, mas não conseguia ser efetiva. Daí surge a falta de superioridade.

Com laterais e pontas baixos, a Seleção construía as jogadas com laterais e volantes centralizados. Paquetá buscou espaço criando uma superioridade que obrigava um dos meio-campistas adversários a sair do posicionamento habitual.
Criou-se uma superioridade que Marrocos teve que se adaptar. Porém, a Seleção tirou pouco proveito, pois não circulava a bola em velocidade do lado para dentro e deixava o trabalho de Marrocos mais simples.

Marrocos deixou os dois jogadores mais avançados em uma linha média, mais perto dos meias brasileiros. Com este formato de pressão, o Brasil não teve superioridade por dentro e a bola não chegava ao lado. Quando chegava, era lenta e muito dentro do campo defensivo, dando capacidade de balanço das linhas de Marrocos, que fez uma marcação mais forte.
O Brasil não tentou muitas bolas nas costas dos defensores. Os extremos tinham que buscar a bola próximo ao campo defensivo porque os laterais não passavam e estavam quase sempre na linha de seus defensores.
O Brasil não teve superioridade nem por dentro nem pelo lado. A jogada individual passou a ser ainda mais importante e, no altíssimo nível de uma Copa, isso nem sempre vai funcionar, mesmo tendo jogadores com alto poder de desequilíbrio.
Após as mudanças, o Brasil tentou modificar a característica para apostar na qualidade técnica individual, colocou jogadores mais móveis, um lateral direito que sustentava por dentro, deixando novamente de jogar pelos lados. Marrocos sustentou muito bem o jogo e mostrou que é uma seleção de qualidade, não à toa possui um bom lugar no cenário mundial.
A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções, 104 jogos e será disputado em 16 estádios.
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