Moradores de Bangladesh, Índia, Líbano, Vanuatu e até da República Democrática do Congo — que está no Mundial deste ano —, mostraram nos últimos dias que estão na torcida pela sexta estrela do Brasil.
Os vídeos que inundam as redes sociais deixam claro: as gerações mudam, os ciclos se renovam, mas a paixão global pela camisa verde e amarela permanece a mesma.
O amor dos indianos pelo Brasil

O estado de Kerala, no sudoeste da Índia, se transforma em um verdadeiro pedaço do Brasil em época de Copa. Lá, grupos organizados de torcedores mantêm uma tradição de décadas: em dias de jogo, eles se reúnem para tocar bateria, cantar e vestir o verde e amarelo com a mesma alegria dos brasileiros.
Como o futebol local não é tão tradicional, os indianos adotaram o Brasil de coração. Este ano, a festa ganhou proporções maiores com grandes outdoors espalhados pelas ruas. O destaque é um painel de mais de 100 metros de extensão totalmente dedicado ao atacante Neymar, o grande ídolo da região.

Bangladesh com B de Brasil
O caso de amor do país asiático com a Seleção Brasileira vem de longe. O futebol arte dos grandes craques do passado transformou o esporte e conquistou os corações do povo local. Nas ruas da capital Daca, a festa verde e amarela tomou conta das pistas com carros enfeitados, bandeiras tremulando e muitos gritos de apoio ao time de Carlo Ancelotti.

A relação entre os bangladeshianos e o Brasil se iniciou nos anos 70 e ficou mais forte alguns anos depois, com as primeiras transmissões do Mundial para o país asiático que viu grandes nomes do futebol brasileiro como Pelé, Zico, Romário e Ronaldo conquistarem o mundo.
O fato da seleção de Bangladesh nunca ter disputado uma edição do torneio mundial faz com que a maioria da população do país adote o Brasil como favorito, apesar de muitos preferirem os argentinos graças à história construída por Maradona.

Congo: a dupla chance de ser feliz
Em Lubumbashi, a segunda maior cidade da República Democrática do Congo, o carinho pela Seleção Brasileira também chama a atenção. Apesar dos africanos estarem disputando sua segunda edição do Mundial, as camisas do Congo dividem espaço com as do Brasil nas ruas do país.

Com a torcida dividida entre o Congo e o Brasil, o povo congolês tem o dobro de chances de comemorar neste Mundial. De um lado, a seleção da casa busca fazer história e carimbar a vaga na fase de grupos; do outro, a maior campeã do mundo entra em campo atrás do tão sonhado hexa. Se depender do ritmo e da energia dos congoleses, apoio de sobra não vai faltar para nenhuma das duas.
Vanuatu: o verde e amarelo na Oceania

Localizado no Pacífico Sul, a leste da Austrália, a República de Vanuatu tem aproximadamente 330 mil habitantes. Como não possui tradição em Mundiais, a população decidiu adotar o Brasil como seleção favorita, já que no período em que conquistou a sua independência (1980), o Brasil já havia construído uma bela história no futebol mundial, encantando o povo local.
A tradição se mantém até hoje, com passeatas, bandeiras e muita festa pelas ruas do país. Em períodos de Copa, a torcida se reúne para assistir aos jogos e apoiar a seleção canarinho. Na capital Port Vila, torcedores fizeram desfiles temáticos da Copa vestindo as cores de suas seleções favoritas, e adivinha qual foram as cores predominantes? Isso mesmo, o tradicional verde e amarelo.
Libaneses na torcida

Um pouco antes da estreia do Brasil diante do Marrocos, as ruas de Trípoli e do Vale do Bekaa, no Líbano, estavam lotadas de torcedores vestindo verde e amarelo. Com carros desfilando pelas ruas e muitas bandeiras da Seleção Brasileira, os libaneses pararam o trânsito local demonstrando muito amor e carinho pelo time de Carlo Ancelotti.
Uma das principais justificativas para o grande apoio dos libaneses é o fato do Brasil ter uma enorme comunidade libanesa, estimada entre 7 e 11 milhões de pessoas — sendo a maior em todo o mundo, inclusive do que a própria população do país.
Sem Itália, o jeito é o Brasil
Mesmo tendo perdido o Mundial de 94 para o Brasil naquela final histórica, grande parte dos italianos também está na torcida pelo hexa brasileiro. O motivo principal vem do banco de reservas: Carlo Ancelotti. Muito querido em seu país natal, o técnico da Seleção Brasileira é o centro das atenções por lá. Inclusive, uma pesquisa do site esportivo Virgílio Sport revelou que 20% dos torcedores italianos escolheram apoiar o Brasil na ausência da Itália, tudo graças ao prestígio de 'Carletto'.
Mudança de rota no Haiti

Um dos países com a torcida mais apaixonada pelo Brasil é o Haiti. Após um longo jejum longe dos Mundiais — sua única participação havia sido em 1974 —, a seleção haitiana retorna em 2026, devolvendo a esperança ao seu povo. Em entrevista ao Flashscore, no quadro 'Quem é Quem no Mundial', o jogador Badio comentou sobre como vai ficar o coração dos torcedores no embate diante dos brasileiros na fase de grupos:
“Agora que estamos de volta (à Copa), sabemos que vamos enfrentar o Brasil, e muitas pessoas do país se perguntam: e agora, para quem vou torcer? Lá é muito dividido, e agora não sabemos porque faz muito tempo que nós torcemos para a Seleção Brasileira”, concluiu Badio.
