A comissão técnica privilegia tanto a experiência que, na última hora, reforçou esse quesito com o goleiro gremista Weverton. Ancelotti preteriu nomes como Bento, Hugo Souza e até Lucas Perri e Rafael, que chegaram a atuar no gol da Seleção no último ciclo.
Saiba tudo sobre a estreia do Brasil na Copa do Mundo
Com a decisão tomada, Alisson chega ao seu terceiro Mundial, enquanto Ederson e Weverton disputam a segunda Copa consecutiva, novamente como reservas.

A história dos goleiros brasileiros em Copas ajuda a dimensionar o feito do trio que agora está nos Estados Unidos. Em 1970, o Brasil foi tricampeão do mundo com Félix como titular, e Ado e Leão na reserva. Um trio 100% inédito após o fiasco de 1966 em campos ingleses.
Leão, de terceiro goleiro, passou para a titularidade em 1974 e 1978. Na Espanha, em 1982, Waldir Peres assumiu o posto – ele que tinha sido o terceiro goleiro nos dois Mundiais anteriores.
Quatro anos depois, Carlos, que também havia sido reserva em 1978 e 1982, jogou como titular. E protagonizou uma cena que não sai da cabeça de quem era criança nos anos 1980.

Na disputa de pênaltis contra a França, o terceiro chute francês, de Bellone, explode na trave. Mas a bola, na volta, bate entre o ombro e o rosto de Carlos, que havia acertado o canto, e morre no fundo do gol brasileiro.
Sócrates já havia errado o dele. Depois, Platini também desperdiçou. E, no último pênalti do Brasil, Julio César acertou a trave. Do lado francês, Fernández marcou. Adeus, Mundial!
Trio de goleiros do Brasil em Copas
1970 - Félix, Ado e Leão
1974 - Leão, Renato e Waldir Peres
1978 - Leão, Carlos e Waldir Peres
1982 - Waldir Peres, Paulo Sergio e Carlos
1986 - Carlos, Paulo Victor e Leão
1990 - Taffarel, Acácio e Zé Carlos
1994 - Taffarel, Zetti e Gilmar
1998 - Taffarel, Carlos Germano e Dida
2002 - Marcos, Dida e Rogério Ceni
2006 - Dida, Rogério Ceni e Júlio Cesar
2010 - Júlio Cesar, Gomes e Doni
2014 - Júlio Cesar, Jefferson e Victor
2018 - Alisson, Ederson e Cássio
2022 - Alisson, Ederson e Weverton
2026 - Alisson, Ederson e Weverton
Em 1990 começava a Era Taffarel no gol do Brasil. Pela segunda vez na história só goleiros estreantes na delegação brasileira. Após amargar uma desclassificação para a Argentina nas quartas, veio o tetra em 1994 e o vice-campeonato em 1998.
O Brasil só rasgaria a tradição em 2018 com Tite. Foi o terceiro trio de goleiros totalmente inéditos do Brasil em uma Copa, com as convocações de Alisson, Ederson e Cássio. O então goleiro do Corinthians não foi para o Catar em 2022. Em vez dele, Tite chamou o arqueiro do rival Palmeiras.

Experiência e tradição
O trio chamado para o Mundial de 2022 ainda alcançou uma marca inédita. Quando Weverton entrou nos minutos finais da vitória sobre a Coreia do Sul, nas oitavas de final, o Brasil utilizou os 26 jogadores disponíveis no elenco.
Foi a primeira seleção a colocar em campo todos os atletas inscritos em uma mesma Copa. A entrada do então palmeirense também fez daquela edição uma das raras em que os três goleiros de uma seleção atuaram durante o torneio.
Agora, em 2026, Alisson, Ederson e Weverton voltam a dividir a responsabilidade de defender o gol brasileiro. Em uma seleção que passou por mudanças importantes entre as linhas e até no comando técnico, os goleiros representam um raro elemento de continuidade — e uma combinação de experiência e confiança que nunca antes havia atravessado duas Copas consecutivas.

O treinador direto deles, Taffarel, também sabe o que é longevidade à frente do gol da Seleção Brasileira.
“Saí meio precipitado na bola. Se o lance tivesse ocorrido em uma das outras Copas que disputei, quando estava mais experiente, talvez não tivesse sofrido o gol. Deveria ter esperado um pouco mais para sair”, avaliou Taffarel ao escritor Paulo Guilherme, no livro "Goleiros, Heróis e Anti-heróis da Camisa 1”, sobre o gol do argentino Caniggia contra o Brasil em 1990.
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