Pela primeira vez na história, Brasil repete trio de goleiros

Weverton, Ederson e Alisson em treino da Seleção Brasileira
Weverton, Ederson e Alisson em treino da Seleção BrasileiraRafael Ribeiro/CBF

Se na linha a busca é por um time mais equilibrado, no gol Ancelotti aposta suas fichas na tradição, com o aval do treinador de goleiros Carlos Taffarel. O Brasil vai repetir todos os goleiros de uma Copa do Mundo para outra pela primeira vez desde 1970, quando um trio de arqueiros passou a fazer parte das delegações.

A comissão técnica privilegia tanto a experiência que, na última hora, reforçou esse quesito com o goleiro gremista Weverton. Ancelotti preteriu nomes como Bento, Hugo Souza e até Lucas Perri e Rafael, que chegaram a atuar no gol da Seleção no último ciclo.

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Com a decisão tomada, Alisson chega ao seu terceiro Mundial, enquanto Ederson e Weverton disputam a segunda Copa consecutiva, novamente como reservas.

Alisson jogou 26 das 38 partidas do Liverpool no campeonato inglês
Alisson jogou 26 das 38 partidas do Liverpool no campeonato inglêsFlashscore

A história dos goleiros brasileiros em Copas ajuda a dimensionar o feito do trio que agora está nos Estados Unidos. Em 1970, o Brasil foi tricampeão do mundo com Félix como titular, e Ado e Leão na reserva. Um trio 100% inédito após o fiasco de 1966 em campos ingleses. 

Leão, de terceiro goleiro, passou para a titularidade em 1974 e 1978. Na Espanha, em 1982, Waldir Peres assumiu o posto – ele que tinha sido o terceiro goleiro nos dois Mundiais anteriores.

Quatro anos depois, Carlos, que também havia sido reserva em 1978 e 1982, jogou como titular. E protagonizou uma cena que não sai da cabeça de quem era criança nos anos 1980.

Ederson em treino da Seleção Brasileira
Ederson em treino da Seleção BrasileiraRafael Ribeiro/CBF

Na disputa de pênaltis contra a França, o terceiro chute francês, de Bellone, explode na trave. Mas a bola, na volta, bate entre o ombro e o rosto de Carlos, que havia acertado o canto, e morre no fundo do gol brasileiro

Sócrates já havia errado o dele. Depois, Platini também desperdiçou. E, no último pênalti do Brasil, Julio César acertou a trave. Do lado francês, Fernández marcou. Adeus, Mundial!

Trio de goleiros do Brasil em Copas

1970 - Félix, Ado e Leão

1974 - Leão, Renato e Waldir Peres

1978 - Leão, Carlos e Waldir Peres

1982 - Waldir Peres, Paulo Sergio e Carlos

1986 - Carlos, Paulo Victor e Leão

1990 - Taffarel, Acácio e Zé Carlos

1994 - Taffarel, Zetti e Gilmar

1998 - Taffarel, Carlos Germano e Dida

2002 - Marcos, Dida e Rogério Ceni

2006 - Dida, Rogério Ceni e Júlio Cesar

2010 - Júlio Cesar, Gomes e Doni

2014 - Júlio Cesar, Jefferson e Victor

2018 - Alisson, Ederson e Cássio

2022 - Alisson, Ederson e Weverton

2026 - Alisson, Ederson e Weverton

Em 1990 começava a Era Taffarel no gol do Brasil. Pela segunda vez na história só goleiros estreantes na delegação brasileira. Após amargar uma desclassificação para a Argentina nas quartas, veio o tetra em 1994 e o vice-campeonato em 1998.

O Brasil só rasgaria a tradição em 2018 com Tite. Foi o terceiro trio de goleiros totalmente inéditos do Brasil em uma Copa, com as convocações de Alisson, Ederson e Cássio. O então goleiro do Corinthians não foi para o Catar em 2022. Em vez dele, Tite chamou o arqueiro do rival Palmeiras.

Taffarel, goleiro do Brasil, no lance do primeiro gol de Zidane na final da Copa de 1998
Taffarel, goleiro do Brasil, no lance do primeiro gol de Zidane na final da Copa de 1998PATRICK HERTZOG/AFP

Experiência e tradição

O trio chamado para o Mundial de 2022 ainda alcançou uma marca inédita. Quando Weverton entrou nos minutos finais da vitória sobre a Coreia do Sul, nas oitavas de final, o Brasil utilizou os 26 jogadores disponíveis no elenco.

Foi a primeira seleção a colocar em campo todos os atletas inscritos em uma mesma Copa. A entrada do então palmeirense também fez daquela edição uma das raras em que os três goleiros de uma seleção atuaram durante o torneio.

Agora, em 2026, Alisson, Ederson e Weverton voltam a dividir a responsabilidade de defender o gol brasileiro. Em uma seleção que passou por mudanças importantes entre as linhas e até no comando técnico, os goleiros representam um raro elemento de continuidade — e uma combinação de experiência e confiança que nunca antes havia atravessado duas Copas consecutivas.

Taffarel é o atual treinador de goleiros da Seleção
Taffarel é o atual treinador de goleiros da SeleçãoRafael Ribeiro/CBF

O treinador direto deles, Taffarel, também sabe o que é longevidade à frente do gol da Seleção Brasileira. 

“Saí meio precipitado na bola. Se o lance tivesse ocorrido em uma das outras Copas que disputei, quando estava mais experiente, talvez não tivesse sofrido o gol. Deveria ter esperado um pouco mais para sair”, avaliou Taffarel ao escritor Paulo Guilherme, no livro "Goleiros, Heróis e Anti-heróis da Camisa 1”, sobre o gol do argentino Caniggia contra o Brasil em 1990.

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