Ir para o conteúdo principal

Mundial-2026: Milagre do VAR salvou tiro do pistoleiro para marcar duelo ibérico nos oitavos

Atualizada
Acompanhe as principais incidências da partida
Acompanhe as principais incidências da partidaREUTERS/Mike Segar/Opta by Stats Perform

Um golo dramático de Gonçalo Ramos nos descontos e um empate anulado à Croácia pelo VAR no último segundo dos descontos (90+12 minutos) ditaram o triunfo épico de Portugal por 2-1 e o consequente apuramento para os oitavos de final do Mundial-2026. Numa partida imprópria para cardíacos - marcada pelo golo de penálti de Cristiano Ronaldo, uma exibição monstruosa de Diogo Costa e a fúria dos adeptos croatas com a arbitragem -, o pistoleiro sacou da arma para resgatar a seleção nacional e agendar um eletrizante clássico ibérico frente a Espanha nos oitavos de final, na segunda-feira, às 20:00.

Recorde aqui as incidências do encontro

O duelo arrancou envolto numa forte carga tática e emocional. No plano desportivo, Roberto Martínez operou duas alterações no onze de Portugal, promovendo o regresso de João Neves ao meio-campo e lançando Rafael Leão para capitalizar o seu "bom momento". Do outro lado, Zlatko Dalic preferiu a estabilidade e repetiu a equipa titular, mantendo figuras como Gvardiol, Pasalic, Vuskovic e o ex-Benfica Petar Musa no banco de suplentes.

Pontuações dos jogadores
Pontuações dos jogadoresFlashscore

Para lá da forte narrativa sobre a possível despedida internacional de uma de duas lendas - Cristiano Ronaldo ou Luka Modric -, o apito inicial às 00:00  deste dia 3 de julho (em Portugal Continental) carregou um simbolismo profundo para a comitiva lusa: assinalou o primeiro aniversário da trágica morte de Diogo Jota e André Silva num acidente de viação, lembrando que o último golo de Jota pela seleção tinha sido precisamente diante dos croatas.

(Últimas) danças guardadas para mais tarde

Contudo, a escassos minutos de a bola rolar, o foco mediático acabou por sofrer um desvio para fora das quatro linhas. Através de declarações que ecoaram rapidamente por todo o país, Kátia Aveiro, uma das irmãs do capitão português que teimam em ser protagonistas, quebrou o silêncio para garantir que este será o último grande torneio de Cristiano Ronaldo, classificando oficialmente esta participação no Mundial como a last dance (última dança) do camisola 7.

Alheios ao ruído exterior, os protagonistas subiram ao relvado. Os croatas deixaram o primeiro aviso num remate frouxo de Budimir para defesa tranquila de Diogo Costa, mas a resposta lusa não tardou e transformou-se numa autêntica avalanche ofensiva. Bruno Fernandes, em excelente posição, atirou para defesa apertada de Livakovic e a defesa bloqueou a recarga, Ronaldo ficou a centímetros de um desvio vitorioso e Renato Veiga cabeceou por cima do travessão na sequência de um canto. Tudo isto em apenas 15 minutos de sufoco, onde a única nota negativa acabou por ser o cartão amarelo exibido a Rúben Dias.

Estatísticas ao intervalo
Estatísticas ao intervaloFlashscore

As estatísticas espelhavam o domínio português e a pausa para hidratação surgiu na melhor altura para os Vatreni. Cientes das dificuldades lusas nos reatamentos, os croatas tentaram explorar essa fragilidade com uma bola longa, rapidamente anulada pela retaguarda nacional. Portugal reagiu bem e retomou o guião: apesar de ter abrandado o ritmo de remates, a equipa continuou a desenhar várias aproximações perigosas à área adversária. Já perto do descanso, uma bola caiu do céu em boa posição para Rafael Leão, mas o remate - em condições difíceis - foi parar à bancada.

O intervalo chegou com um nulo persistente que pecava por escasso face ao domínio da equipa das quinas. Os números não mentiam: quatro oportunidades claras de golo em nove remates disparados e uns esclarecedores 0,97 golos esperados (xG), contra uma Croácia incapaz de criar um único lance de verdadeiro perigo e ditar o ritmo. Talvez por isso Zlatko Dalic tenha lançado Matanovic no lugar de Budmir na frente do ataque.

Ímpeto ofensivo ao longo da partida
Ímpeto ofensivo ao longo da partidaOpta by StatsPerform

Do balde de água fria ao resgate do VAR e o muro Diogo Costa

A segunda metade arrancou com uma excelente incursão de Nuno Mendes, que acabou por pecar pelo excesso de altruísmo ao tentar o passe para Ronaldo quando o remate parecia a melhor opção. Na resposta imediata, os Vatreni aproveitaram a passividade da retaguarda lusa para ganharem uma sucessão de ressaltos, culminando num remate perigoso de Kovacic para defesa apertada de Diogo Costa. O aviso estava dado, a agressividade defensiva portuguesa baixou e a Croácia não perdoou: Rafael Leão deu demasiado espaço a Stanisic e o cruzamento do lateral viajou até ao segundo poste, onde surgiu Perisic para dominar e desferir um remate cruzado para o fundo das redes.

O golo foi um rude golpe para Portugal e o cenário esteve perto de piorar quando a Croácia voltou a introduzir a bola na baliza, num lance prontamente anulado por fora de jogo. A reação lusa chegou com o soar do gongo de Rafael Leão, que abanou a estrutura croata com um remate estrondoso que esbarrou no travessão. Diogo Costa ainda teve de aplicar-se a fundo logo a seguir, mas o ímpeto tinha regressado à equipa das quinas. Cristiano Ronaldo chegou a festejar o golo após um excelente movimento, mas o lance foi invalidado por uns escassos centímetros de adiantamento. Foi nessa altura que Roberto Martínez arriscou tudo com uma quádrupla alteração, lançando Francisco Conceição, Bernardo Silva, Nélson Semedo e Gonçalo Ramos.

O impacto foi imediato. A seleção conquistou um canto que resultou numa grande penalidade por falta sobre Renato Veiga, assinalada após recurso ao monitor do VAR. Chamado à marca dos onze metros, Cristiano Ronaldo não vacilou, enganou Livakovic e restabeleceu a igualdade mesmo antes da pausa para hidratação. Contudo, a paragem voltou a fazer melhor aos croatas, que encostaram Portugal às cordas.

Valeu, então, uma exibição monstruosa de Diogo Costa entre os postes a travar três oportunidades soberanas - duas a Kovacic e outra a Matanovic. A dez minutos do fim, o avançado croata voltou a colocar a bola nas redes, mas novamente em posição irregular.

O gatilho do pistoleiro, o milagre aos 112' e o bilhete ibérico

Perante a evidente perda de controlo do meio-campo e o sufoco adversário, Roberto Martínez tomou uma decisão drástica para fechar as linhas: abdicou de Cristiano Ronaldo para lançar Rúben Neves, deixando o capitão visivelmente em choque no momento da substituição. A equipa estabilizou com Gonçalo Ramos a aparecer em boas posições de finalização sem ter serviço. Ainda assim, na sequência de um canto, Renato Veiga ficou a centímetros do golo, tal como Mario Pasalic na outra área. Até que, já no abismo dos descontos, a bola chegou finalmente redonda à zona de decisão. Rafael Leão tirou um cruzamento geométrico para o coração da área e o pistoleiro Gonçalo Ramos elevou-se entre as torres croatas, desferindo um cabeceamento indefensável para explodir de alegria o banco português.

Faltavam cumprir seis minutos de compensação, mas o árbitro decidiu prolongar o drama muito para lá do estipulado. Foi então que, aos 90+12 minutos, o coração dos portugueses parou: a Croácia restabeleceu a igualdade num lance extremamente confuso na área lusa. O desespero instalou-se, mas valeu a intervenção milagrosa e cirúrgica do VAR que, após longa consulta ao monitor, descortinou uma posição irregular e anulou o golo croata.

O veredicto final foi um rude e definitivo golpe para Luka Modric e companhia, provocando a fúria dos adeptos croatas nas bancadas, que arremessaram diversos objetos para o relvado em sinal de protesto. Entre o caos, a tensão máxima e o sofrimento levado ao extremo, Portugal respirou de alívio com o apito final: a armada lusa carimbou o passaporte para os oitavos de final, onde já espera a vizinha Espanha.

Melhor em campo Flashscore: Rúben Dias (Portugal).

Estatísticas no final da partida
Estatísticas no final da partidaOpta by StatsPerform