Curiosamente, nenhuma das duas seleções tem o melhor ataque entre as quatro semifinalistas, mas a forma como constroem seus gols revela estilos quase opostos.
Saiba tudo sobre França x Espanha
O raio-X das finalizações mostra isso com clareza. A França aposta em transições rápidas e ataques verticais; a Espanha prefere controlar a posse de bola, empurrar o adversário para trás e, com paciência, criar espaços até encontrar a melhor oportunidade para finalizar.
Os franceses marcaram 16 gols em 6 jogos, desempenho inferior apenas ao da Argentina, que soma 17. Apenas um deles foi de pênalti, na vitória por 1 a 0 sobre o Paraguai, e outro nasceu de uma cobrança de escanteio, diante da Suécia.
Os demais 14 foram construídos com a bola rolando. Outro dado chama a atenção: 25% (4) dos gols da equipe vieram em chutes de fora da área, um alerta para os volantes espanhóis, que precisarão proteger bem a entrada da área.

O contraste com a Espanha é evidente. Com 11 gols, o menor número entre as semifinalistas, a equipe de Luis de la Fuente traduz seu estilo de posse também nas estatísticas. Dois gols nasceram de escanteios, ambos contra a Arábia Saudita, ainda na fase de grupos.
Os outros nove foram marcados exclusivamente de dentro da área. A missão francesa, portanto, será fechar o funil e impedir que os espanhóis encontrem espaço para finalizar de perto.
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Contraste nos tempos
A distribuição dos gols ao longo da partida também diferencia as duas equipes. A França cresce na reta final: 70% de seus gols foram marcados a partir dos 15 minutos do segundo tempo. O dado sugere uma equipe que mantém intensidade até o fim, independentemente do placar, e raramente deixa de buscar o gol.
Na Espanha, o relógio pesa menos. Seis gols saíram no primeiro tempo e cinco no segundo, mas quase um terço deles (três) foi marcado entre os 31 e os 45 minutos da etapa final.

Mais uma vez, como tem sido uma característica deste Mundial, o período posterior à pausa para hidratação, principalmente no segundo tempo, pode ser decisivo. Foi justamente nesse trecho que a Espanha garantiu a classificação diante de Portugal, marcando o gol da vitória por 1 a 0 nos instantes finais.
Há, porém, um ponto em comum entre as duas seleções: França e Espanha marcaram apenas um gol de cabeça até aqui na Copa, sinal de que o jogo aéreo ofensivo não tem sido uma arma determinante para nenhuma delas.

Defensivamente, os números também são positivos. A Espanha sofreu apenas um gol em todo o Mundial, justamente nas quartas de final, contra a Bélgica, em uma cabeçada. A França foi vazada duas vezes, ambas com a bola rolando e ainda na fase de grupos.
Um gol saiu diante do Senegal, nos acréscimos de um jogo em que vencia por 2 a 0. O outro foi marcado pela Noruega, também quando os franceses tinham dois gols de vantagem. Desde o início do mata-mata, a equipe de Deschamps não sofreu gols.
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