O cenário na Cidade do México mistura celebração e tensão. Em meio às manifestações sociais, Shakira repete a dose de 2010, quando México e África do Sul também abriram a Copa, mas no país africano.
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Enquanto a FIFA prepara um espetáculo para mais de 80 mil torcedores no Azteca e milhões de telespectadores ao redor do mundo, o ambiente fora do estádio está longe de ser apenas festivo.
Nas últimas semanas, a capital mexicana registrou uma série de manifestações organizadas pela Coordenação Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE). Os professores reivindicam reajustes salariais e mudanças nas regras de aposentadoria.
A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções, 104 jogos e será disputado em 16 estádios.
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Em alguns momentos, os protestos chegaram a bloquear vias importantes da cidade e provocaram preocupação com a logística dos eventos ligados à Copa.
Diante do impasse, a presidente Claudia Sheinbaum decidiu não participar da cerimônia de abertura. A ausência ocorre em um momento de negociações entre o governo federal e os manifestantes.
Azteca amplia marca histórica
Poucos estádios carregam tanto peso na história das Copas do Mundo quanto o Azteca. Palco das aberturas dos Mundiais de 1970 e 1986, a arena será a primeira do planeta a receber partidas em três edições diferentes do torneio.
Foi ali que Pelé conquistou seu terceiro título mundial com a Seleção Brasileira e que Diego Maradona comandou a Argentina rumo ao título em 1986. Agora, o estádio acrescenta mais um capítulo à própria história ao sediar novamente o início da competição.

Cultura mexicana em destaque
A cerimônia preparada pela FIFA aposta em referências culturais mexicanas. Entre os elementos previstos estão apresentações inspiradas no papel picado, expressão artística tradicional do país, além de manifestações folclóricas e participações de representantes de comunidades indígenas.
A proposta é destacar a identidade mexicana antes de a competição seguir para Estados Unidos e Canadá, os outros países-sede do torneio. Além de Shakira, o evento contará com apresentações de J Balvin, Tyla, Alejandro Fernández, Belinda, Lila Downs, Los Ángeles Azules e Maná.
Protagonismo feminino
O retorno de Shakira recoloca uma artista feminina no centro de uma cerimônia historicamente dominada por atrações masculinas.
Entre os principais nomes que assumiram esse papel em aberturas de Copa estão Diana Ross, em 1994, a própria Shakira em 2010, além de Jennifer Lopez e Claudia Leitte na cerimônia realizada no Brasil, em 2014. Em 2018, a soprano Aida Garifullina participou do espetáculo em Moscou.
A relação da cantora colombiana com o torneio vai além da música oficial de 2010. Ao longo dos últimos anos, sua imagem permaneceu associada ao Mundial e a alguns dos momentos mais populares da competição fora das quatro linhas.
Festa x protestos
A abertura da Copa colocará novamente o México no centro das atenções do futebol mundial. Dentro do Azteca, o foco estará na festa, na música e no início do torneio. Nas ruas da capital, porém, os protestos lembram que o evento acontece em meio a questões que seguem sem solução.
A cerimônia de abertura marcará o início de mais uma Copa do Mundo, mas também servirá de vitrine para discussões que ultrapassam o futebol. Esta não deve ser a única oportunidade nesta edição do Mundial que questões sociais, políticas ou econômicas vão atravessar o limite dos gramados.
Para além das realidades dos países-sede, a Copa ainda pode nos reservar encontros entre nações que já passaram por disputas territoriais, colonizações e até lutas por mercados econômicos.
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