Com o triunfo, Condé não apenas igualou o retrospecto direto contra Ceni, como tomou as rédeas do confronto, transformando o equilíbrio estatístico em uma nítida vantagem psicológica e tática nesta temporada. Além disso, as vitórias de Ceni sobre o rival foram conquistadas "a duras penas", sempre em jogos suados e decididos nos detalhes.
Agora, são onze confrontos entre os treinadores, com quatro vitórias para cada e três empates. O duelo de volta da quinta fase da Copa do Brasil pode ser a ocasião perfeita para o desempate do placar entre os comandantes.
Léo Condé: o homem das viradas
As quatro vitórias de Léo Condé sobre Rogério Ceni carregam requintes de crueldade: quase todas foram construídas com viradas magistrais. O que mais impressiona é a frieza das equipes de Condé; mesmo em desvantagem, demonstram uma resiliência rara, desestabilizando o Bahia de Ceni até tomarem o controle do placar.

O histórico de domínio começou em 2024, quando Condé comandava o Vitória em seus primeiros embates contra Ceni. Os palcos foram dois clássicos eletrizantes no Barradão — pela fase de grupos e pela final do Baianão.
No primeiro duelo, o roteiro de superação deu as caras: o Rubro-Negro abriu o placar, mas viu o Bahia dominar as ações e virar o jogo. Foi aí que brilhou a estrela de Condé; com substituições cirúrgicas, ele reorganizou a equipe e buscou um 3 a 2 heroico, deixando claro que Ceni teria sérios problemas pela frente.
Cerca de um mês após o primeiro embate, os comandantes voltaram a se enfrentar no jogo de ida da grande final. Desta vez, o título parecia caminhar a passos largos para as mãos de Rogério Ceni: o Bahia vencia por 2 a 0 até meados do segundo tempo. Mas o imponderável aconteceu — ou melhor, o 'fator Condé' entrou em ação.

Em uma reação histórica, o Vitória buscou forças para aplicar um novo e impactante 3 a 2. O golpe foi tão profundo que, no jogo da volta, o simples empate selou o destino: Léo Condé ergueu a taça de campeão baiano em plena Fonte Nova, transformando o estádio do rival no palco de sua consagração sobre Ceni.
2026: o ano da soberania de Condé
O duelo de março pelo Brasileirão manteve o roteiro fiel aos capítulos anteriores: o Bahia saiu na frente, mas levou a virada de Condé. A diferença, desta vez, foi a crueldade do placar. O 4 a 1 favorável ao Remo marcou a primeira goleada de Léo Condé sobre Rogério, elevando o patamar do confronto.

Um mês depois, pela Copa do Brasil, o roteiro de algoz se repetiu com maestria. Com uma estratégia impecável de marcação baixa e contra-ataques letais, Condé silenciou a Fonte Nova com um 3 a 1 contundente. O triunfo não foi apenas mais uma vitória; foi o primeiro registro de Condé vencendo Ceni como visitante, provando que, para o técnico do Remo, não existe território hostil quando o adversário é o 'Mister' tricolor.
Triunfos 'suados' de Rogério Ceni

O retrospecto negativo de Rogério Ceni ganha contornos ainda mais dramáticos sob dois aspectos: ele jamais venceu uma equipe de Léo Condé por mais de um gol de diferença e nunca conseguiu superar o rival fora de Salvador — estatística que preocupa a torcida tricolor, já que o Bahia precisa vencer o Remo fora de casa por pelo menos 2 a 0 para seguir vivo na Copa do Brasil.
Exemplo disso foram as duas vitórias por 1 a 0 sobre o Ceará de Condé. Em ambos os jogos, o gol salvador só veio nos acréscimos do segundo tempo, após um cenário de muita insistência e, em um dos confrontos, cercado por polêmicas de arbitragem.

O duelo de volta entre Remo e Bahia está marcado para o dia 13 de maio, às 21h30, no Estádio Mangueirão, em Belém. Com a vantagem debaixo do braço, o Remo pode até perder por um gol de diferença que garantirá sua vaga nas oitavas de final. Para o Bahia, a partida vai além da classificação: é a chance de ouro para Rogério Ceni, enfim, espantar o 'fantasma' Léo Condé de sua trajetória profissional e provar que pode reverter a escrita contra seu algoz.
