Era 13 de junho de 1986 e a partida da fase de grupos entre Uruguai e Escócia mal havia começado. Mas, após apenas 56 segundos, ocorreu um momento que chocou o mundo do futebol. José Batista fez uma falta dura no meio-campista escocês Gordon Strachan e o árbitro francês Joël Quiniou não hesitou: imediatamente deu o cartão vermelho.
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De acordo com o Guinness Book of World Records, essa ainda é a expulsão mais rápida da história da Copa do Mundo. Curiosamente, a falta em si ocorreu ainda mais cedo - por volta do 39º segundo - mas o árbitro levou alguns segundos para finalmente marcar o pênalti.
Como fontes contemporâneas descreveram mais tarde, foi um típico carrinho "desnecessário" de um zagueiro, mas que não poderia ficar impune logo no começo da partida.
Um duelo sem vencedor
Curiosamente, mesmo uma intervenção tão rápida no decorrer da partida não deu à Escócia a vantagem esperada. Apesar de ter jogado quase toda a partida com um jogador a mais, o duelo terminou em um empate sem gols. Foi um desperdício de pontos extremamente doloroso para os escoceses, que não se classificaram no grupo.
O Uruguai terminou em terceiro lugar mas, graças ao sistema em vigor na época, chegou às quartas de final junto com a Alemanha Ocidental e a Dinamarca.
Ironicamente, a partida mostrou que mesmo uma vantagem tão significativa não significa automaticamente sucesso. É interessante notar que o agora lendário Alex Ferguson estava sentado no banco de reservas.
Ele só assumiu o comando da equipe pouco antes da Copa do Mundo de 1986, depois que o então técnico Jock Stein morreu inesperadamente após uma partida das eliminatórias contra o País de Gales.
Foi um episódio breve, mas significativo, na carreira de Ferguson na seleção nacional - mesmo antes de ele finalmente fazer história como o lendário técnico do Manchester United.

De herói a pária
Já José Batista não era um garoto qualquer. Ele entrou no torneio como uma figura importante na seleção uruguaia e foi um dos heróis das eliminatórias antes do campeonato, tendo ajudado a equipe a se classificar para a Copa do Mundo. O fato de sua maior marca na Copa do Mundo ter durado menos de um minuto torna tudo ainda mais paradoxal.
No entanto, esse momento o marcou para sempre na história do futebol, embora não exatamente de forma positiva. Até hoje, seu nome ainda está associado a um recorde que se mantém há décadas. Embora vários jogadores tenham chegado perto (Carlos Sánchez em 2018, por exemplo), ninguém superou a "façanha" de Batista.
A expulsão mais rápida em uma Copa do Mundo continua sendo um símbolo de como o futebol pode ser imprevisível. Um momento imprudente pode mudar não apenas uma partida, mas uma carreira - e, no caso de Batista, toda a história do torneio.
