Engana-se quem pensa que os escoceses foram beneficiados pela ampliação de vagas em 2026. A classificação veio de forma direta, com a vitória no último e decisivo jogo do Grupo C das Eliminatórias Europeias contra a Dinamarca por 4 a 2.
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A chave também contava com Belarus e Grécia. Em seis jogos, a Escócia venceu quatro, empatou um e perdeu outro.
Em entrevista exclusiva ao Flashscore, o meia da seleção escocesa e da Udinese, Lennon Miller, revelou o alívio por garantir a vaga direta.
“Foi incrível. Foi bom não ter que se preocupar com a repescagem. Tivemos muitos traumas com repescagens no passado, então foi ótimo ir diretamente. E, sim, foi muito bom.”

Em 2021, os escoceses deixaram escapar o sonho de voltar a uma Copa do Mundo justamente na fase de playoffs das Eliminatórias Europeias. Após engatar uma sequência de seis vitórias, a seleção terminou em segundo lugar, atrás da Dinamarca, e acabou eliminada na semifinal da repescagem pela Ucrânia, que depois perderia a vaga para o País de Gales.
Desde sua última participação em Copas, a Escócia disputou apenas duas edições da Euro: 2020 e 2024. Em ambas, foi eliminada ainda na fase de grupos.

Apesar dos tropeços, a Federação Escocesa apostou na continuidade e manteve Steve Clarke, no comando desde 2019. Ele acumula passagens como auxiliar técnico por grandes clubes da Premier League, como Liverpool e Chelsea, e iniciou sua trajetória como treinador principal no West Bromwich, em 2012. Também passou por Reading e Kilmarnock antes de assumir a seleção.
Por mais que não figure entre as potências europeias, a Escócia se consolidou, no último ano, como uma ameaça, impulsionada por sua campanha consistente nas Eliminatórias e pela qualidade do elenco.

“Nós temos um elenco muito bom, com muita qualidade e jogadores atuando nas cinco principais ligas do mundo. O grupo é muito unido fora de campo, o que realmente ajuda dentro dele. A mentalidade é de avançar juntos e lutar uns pelos outros”, afirmou Miller.
Na última convocação, em março, para os amistosos contra Costa do Marfim e Japão, foram chamados jogadores que atuam em seis países diferentes, muitos na Premier League e na Serie A, assim como Miller. Clarke aproveitou para fazer testes, rodando bastante a equipe, mas acabou derrotado por 1 a 0 em ambos os confrontos.
As estrelas

Os dois principais nomes da Escócia são Scott McTominay e Andy Robertson, como destacou Miller. McTominay, de 29 anos, joga atualmente no Napoli, mas construiu longa trajetória no Manchester United. Formado nas categorias de base dos Red Devils, atuou profissionalmente por nove temporadas antes de se transferir para a Itália. É um meio-campista com boa chegada à área e foi fundamental nas Eliminatórias que levaram a Escócia de volta à Copa. Pela seleção, soma 69 jogos e 14 gols.
Robertson, de 32 anos, é lateral-esquerdo do Liverpool há nove temporadas e titular durante a maior parte desse período. Revelado pelo Celtic, chegou à Premier League ainda jovem, aos 20 anos, e desde então atua na principal liga do mundo. Pela seleção, tem 92 jogos e quatro gols. É o capitão e principal líder da equipe.

Como joga a Seleção da Escócia?
A Escócia de Steve Clarke tem como principal característica a organização coletiva e a intensidade sem a bola. O time costuma atuar com três zagueiros, no 3-5-2, priorizando solidez defensiva e transições rápidas. A proposta é clara: bloco médio/baixo, compactação e aceleração pelos lados.
A força física segue sendo um traço importante, mas o diferencial atual está na qualidade técnica, especialmente no meio-campo. Os alas cumprem papel fundamental ao dar profundidade pelos lados, sobretudo pelo esquerdo, com Robertson.

Candidato a surpresa
Um dos nomes apontados por Miller como possível destaque inesperado é Ben Gannon-Doak, do Bournemouth. Jovem e veloz, o ponta é visto como uma peça capaz de mudar jogos, especialmente em cenários de contra-ataque.
“É muito positivo, joga para frente e pode surpreender muita gente”, afirmou Miller, que também destacou a amizade entre os dois desde a infância.

Doak foi titular em cinco dos seis jogos das Eliminatórias, marcando um gol e dando uma assistência.
Como é vivido o futebol na Escócia?
Ficar muito tempo longe da Copa faz com que todas as emoções sejam potencializadas. A festa dos torcedores após a classificação foi algo nunca antes visto na história do futebol escocês. Muitos estenderam as comemorações por mais de 24 horas nas ruas de Glasgow.
"surgiram muitos vídeos na internet e tal, dos fãs realmente se divertindo, o que foi muito bom de ver porque, como eu disse, não vamos a uma Copa do Mundo há muito tempo. Ver como os fãs reagiram e passaram talvez uns dois dias bebendo, mas foi muito bom de ver e, tomara, podemos deixá-los orgulhosos no torneio." - revelou Miller.
O meia da Udinese também destacou a paixão da torcida: “Os fãs realmente se unem, e isso nos ajuda como jogadores. Eles são muito positivos e nos apoiam em cada jogo. E, claro, é a primeira Copa do Mundo em muito tempo, então com certeza todos estarão empolgados — e nós, jogadores, também estamos ansiosos.”
Confronto contra o Brasil
Brasil e Escócia já se enfrentaram 10 vezes, com a Seleção Brasileira levando a melhor em oito oportunidades, além de dois empates. Os escoceses nunca venceram o Brasil. Miller contou qual foi a reação ao saber que enfrentariam os brasileiros na Copa.
"Obviamente, quando você cai com o Brasil, você olha para o passado e para quantas Copas do Mundo eles venceram. É uma nação tão grande, mas nós só queremos ir, queremos jogar contra os melhores. Foi um sorteio positivo e você quer jogar contra os melhores times, os melhores países, então eu acho que o Brasil está lá no topo como um dos melhores, por isso queremos esse jogo e estamos ansiosos por ele"

Brasil e Escócia também estiveram no mesmo grupo na última participação do Exército de Tartan em Copas, em 1998. Naquela ocasião, o Brasil venceu por 2 a 1, com gols de César Sampaio e um contra de Tom Boyd, enquanto John Collins, de pênalti, marcou para os escoceses.
Agenda da Escócia na Copa do Mundo
13/6 (sábado)
22h - Haiti x Escócia (Gilette Stadium – Boston) - CazéTV
19/6 (sexta-feira)
19h - Escócia x Marrocos (Gilette Stadium – Boston) - CazéTV e Flashscore (narração em áudio no site e no app)
24/6 (quarta-feira)
19h - Escócia x Brasil (Hard Rock Stadium – Miami Gardens) – TV Globo, SporTV, SBT/NSports, CazéTV e Flashscore (narração em áudio no site e no app)
