Para conhecer melhor esta nova Espanha, o Flashscore conversou com o atacante brasileiro Raí Nascimento, que construiu grande parte da sua carreira no futebol espanhol, com passagens marcantes por Zaragoza, Ibiza e Deportivo La Coruña.
O caminho dominante nas Eliminatórias
O trajeto da seleção espanhola rumo à Copa do Mundo atestou a força deste novo trabalho. A Espanha sobrou nas Eliminatórias Europeias e garantiu a sua vaga com uma campanha irretocável e invicta. Liderando o Grupo E contra Turquia, Geórgia e Bulgária, a equipe comandada por Luis de la Fuente conquistou cinco vitórias e um empate em seis jogos, registrando um impressionante saldo de 21 gols marcados e apenas dois sofridos.
Esse desempenho dominante espantou qualquer dúvida sobre a renovação do elenco e provou que o país chega pronto para apagar as quedas precoces das últimas duas edições do torneio.

O fim do monopólio da posse: uma Espanha mais vertical
A identidade espanhola no futebol confunde-se quase sempre com o controle absoluto da bola. No entanto, ao analisar a forma como a equipe joga, Raí Nascimento destaca que a principal nuance desta formação de Luis de la Fuente é a capacidade de ser mais direta e agressiva, fruto da irreverência da juventude de seu elenco.
"Acredito que a ideia mudou bastante nos últimos anos. É um futebol um pouquinho mais dinâmico, também por ser uma equipe mais jovem", analisa Raí.

Essa versatilidade tática permite à equipe se adaptar aos diferentes momentos do jogo. O treinador tem à sua disposição a velocidade vertiginosa de pontas, mas também opções de peso para um ataque mais posicional.
"Tendo o Borja Iglesias no banco de reservas ou não, é um jogador típico de presença de área, com gol e capacidade de segurar a bola. Quando a seleção da Espanha não quiser muita correria, ele vai ajudar bastante", acrescenta o atacante, lembrando os tempos em que dividiram o vestiário no Zaragoza.
Mais do que Yamal: o peso de Pedri na engrenagem

Quando se procura a grande estrela desta geração, o nome de Lamine Yamal salta aos olhos de forma quase automática. Contudo, em uma seleção repleta de talento, o status de figura principal se divide por vários setores. Para Raí Nascimento, o regente do meio-campo é a peça-chave para o sucesso espanhol.
"Tudo vai depender de como o De la Fuente vai levar a Copa, mas o Pedri também é um nome a ser ressaltado. O Gavi perdeu um pouquinho da temporada por lesões, mas será um jogador muito importante", salienta.
A surpresa: a personalidade dos mais jovens

No que diz respeito às possíveis revelações que podem surpreender os torcedores mais desatentos, Raí não tem dúvidas em apontar para os jovens talentos que continuam despontando. A ousadia dos mais novos, exemplificada em nomes como Yeremy Pino, é a grande arma espanhola.
"Acredito que podem ser a surpresa. Os jovens estão vindo muito fortes. Hoje têm uma personalidade e um avanço incríveis", refere. "Vão ajudar outras gerações, demonstrando aquele poder de: 'Mister, conta comigo, pode contar que eu vou fazer a diferença, estou aqui para ajudar'. Antigamente era muito difícil ter essa facilidade."
"Peñas" e paixão: a semelhança com o Brasil

Longe das quatro linhas, viver uma Copa do Mundo na Espanha é uma experiência intensa, marcada pela forte cultura associativa. Em vez das grandes multidões misturadas nas ruas, como é hábito na América do Sul, os espanhóis se reúnem nas chamadas "peñas" (casas ou grupos de torcedores de um determinado time).
"É bem animado, porque lá é muito de 'peña'. Você tem a sua 'peña' do seu time, vai para um bar, restaurante ou se reúne com a família. A maneira como se vive o futebol como torcida pode ser um pouco diferente do Brasil, onde você está na rua com quem nem conhece, mas a sensação de querer ganhar e a paixão é muito parecida", explica.
Essa vibração atinge o seu auge em regiões como a Andaluzia, onde o clima e a alegria do povo até fazem lembrar o calor brasileiro. Um sentimento de pertencimento que transforma os torcedores no verdadeiro 12° jogador da La Roja.
Agenda da Espanha no Mundial
Inserida em um grupo com estilos muito variados, a seleção da Espanha terá o seguinte calendário na primeira fase:
15 de junho (segunda)
13h - Espanha x Cabo Verde (Mercedes-Benz Stadium, Atlanta, EUA) - CazéTV e Flashscore (comentários em áudio)
21 de junho (domingo)
13h - Espanha x Arábia Saudita (Mercedes-Benz Stadium, Atlanta, EUA) - CazéTV e Flashscore (comentários em áudio)
26 de junho (sexta)
21h - Uruguai x Espanha (Akron, Zapopan, México) - CazéTV e Flashscore (comentários em áudio)
