Seleção de 2026 é a que menos jogou no Brasil em todos os tempos

O brasileiro Matheus Cunha jamais jogou profissionalmente em seu país
O brasileiro Matheus Cunha jamais jogou profissionalmente em seu paísMIGUEL J RODRIGUEZ CARRILLO / AFP / AFP / Profimedia

A Seleção Brasileira da Copa de 2026 é a que tem os jogadores com menos experiência no futebol brasileiro na história.

A estrutura do futebol moderno tem incentivado um modelo no qual os talentos brasileiros se mudam para clubes europeus cada vez mais cedo. Consequentemente, a Seleção convocada pelo técnico Carlo Ancelotti nesta segunda-feira (18) tem atletas que jogaram em média apenas 1,4 anos no futebol profissional de seu país.

Jogadores como Vini Jr., Gabriel Magalhães e Endrick são os que mais puxam a média para baixo. Vinícius Júnior, teve cerca de 1,5 temporadas no Flamengo antes de ir para o Real Madrid. Endrick, cerca de 2 temporadas no Palmeiras. Já Gabriel Magalhães jogou apenas um ano no Avaí e já soma quase 10 anos de Europa.

Lista de convocados do Brasil para a Copa do Mundo
Lista de convocados do Brasil para a Copa do MundoFlashscore

Quatro jogadores sem brasilidade

Há quatro convocados por Ancelotti que jamais atuaram profissionalmente no Brasil.

O goleiro Ederson, que nasceu em Osasco, mas terminou sua formação na base de Benfica. O meia Fabinho foi formado pelo Fluminense, mas foi embora antes de estrear pelo Tricolor.

Ederson pulou o futebol brasileiro direto para a Suíça
Ederson pulou o futebol brasileiro direto para a SuíçaCBF

Matheus Cunha fez a base no Coritiba, mas se profissionalizou diretamente no Sion, da Suíça. O atacante Raphinha fez a base no Avaí, mas foi vendido ao Vitória de Guimarães antes de estrear no time principal.

A exceção à regra é Weverton, atleta mais "brasileiro" do time de Ancelotti. O veterano goleiro fez toda a carreira no futebol doméstico – ele passou quase duas décadas defendendo Corinthians, Botafogo-SP, Portuguesa, Athletico-PR e Palmeiras antes de se mudar para o Grêmio.

Weverton é o jogador com mais experiência em Brasileirão na Seleção
Weverton é o jogador com mais experiência em Brasileirão na SeleçãoGrêmio

Quando mudou o paradigma?

Antes da Copa de 90, todos os jogadores tinham lastro com os torcedores dos clubes brasileiros. Em 1982, tivemos a primeira Seleção com um atleta experimentado no futebol internacional: o meia Paulo Roberto Falcão, que jogava há 2 anos na Roma quando foi chamado.

A média de anos atuando profissionalmente no Brasil foi de 5 a 6 anos por jogador convocado até a Copa de 1998.

Seleção de 1982: Apenas Falcão jogava fora do Brasil
Seleção de 1982: Apenas Falcão jogava fora do BrasilAcervo CBF

A partir dos anos 2000, o mercado europeu passou a antecipar o assédio e a "idade de exportação" caiu drasticamente. Ícones como Kaká e Ronaldinho Gaúcho foram fisgados pelos gigantes europeus logo no início da casa dos 20 anos de idade.

Na Copa de 2002, a última conquistada pela Seleção, a média era de cerca de 4,7 anos de experiência no país.

O caso mais precoce do Penta foi Ronaldo Fenômeno, que jogou apenas 1 ano e meio no profissional do Cruzeiro (assombrando o mundo com 56 gols em 54 jogos) antes de ir para o PSV aos 17 anos. 

Ronaldo foi o primeiro expatriado precoce na Seleção
Ronaldo foi o primeiro expatriado precoce na SeleçãoCBF

Mas Ronaldo era exceção, já que ele tinha ao seu lado Luizão (10 anos rodando o Brasil), Edílson "Capetinha" (11 anos) e outros craques mais próximos do torcedor canarinho.

O tempo médio de experiência doméstica começou a cair, chegando aos 1,4 anos da atual convocação.

Confira a tabela da Copa de 2026

Experiência no Brasil de cada convocado da Seleção 

GOLEIROS

Weverton: 16 anos de carreira profissional no Brasil (Corinthians, Portuguesa, Athletico-PR e Palmeiras). 

Alisson: 3 anos no profissional do Internacional antes de ir para a Roma.

Ederson: 0 anos. Fez a base no São Paulo, mas se profissionalizou diretamente em Portugal (Ribeirão e Rio Ave). Nunca jogou profissionalmente no futebol brasileiro.

Média do setor: 6,3 anos (completamente inflacionada pela longevidade de Weverton).

DEFENSORES

Alex Sandro: 5 anos no Brasil (Santos e Athletico-PR no início da carreira, somados ao seu retorno recente ao Flamengo).

Danilo: 4,5 anos no Brasil (América-MG e Santos na juventude, e seu retorno recente ao Flamengo).

Léo Pereira: 7 anos jogando no Brasil (Athletico-PR e Flamengo).

Marquinhos: 1 ano profissional no Corinthians antes de ser vendido ao futebol italiano com apenas 18 anos.

Gabriel Magalhães: 1 ano profissional no Avaí (Série B) antes de ir para o Lille.

Bremer: 2 anos no profissional do Atlético-MG antes de ir para o Torino.

Ibañez: 2 anos no Fluminense antes de seguir para a Atalanta.

Douglas Santos: 3 anos no Brasil (Náutico e Atlético-MG) antes de ir para a Alemanha/Rússia.

Wesley: 2 anos no profissional do Flamengo antes de ir para a Roma.

Média do setor: 3,0 anos (sustentada apenas pelos atletas do Flamengo).

Léo Pereira, do Fla, é o zagueiro mais 'brasileiro' do time de Ancelotti
Léo Pereira, do Fla, é o zagueiro mais 'brasileiro' do time de AncelottiCR Flamengo

MEIAS

Danilo Santos: 4,5 anos. O volante se destaca aqui: jogou mais de 3 anos no Palmeiras, foi para a Premier League (Nottingham Forest) e retornou ao Brasil para atuar no Botafogo.

Casemiro: 3 anos no profissional do São Paulo antes de ir para o Real Madrid B aos 21 anos.

Lucas Paquetá: 2,5 anos no profissional do Flamengo antes do Milan.

Bruno Guimarães: 3 anos no Athletico-PR antes de ir para o Lyon.

Fabinho: 0 anos. Revelado na base do Fluminense, foi vendido ao Real Madrid B sem sequer estrear no time profissional tricolor.

Média do setor: 2,6 anos de experiência no Brasil.

Fabinho nunca jogou futebol profissional em times brasileiros
Fabinho nunca jogou futebol profissional em times brasileirosFlashscore

ATACANTES

Neymar: 4,5 anos de profissional no Santos (uma das raras superestrelas “modernas” que permaneceu até os 21 anos no Brasil).

Vini Jr.: 1,5 ano no profissional do Flamengo antes de se transferir ao Real Madrid.

Endrick: 1,5 ano no profissional do Palmeiras antes de ir para o Real Madrid.

Rayan: 2 anos no Vasco da Gama antes de explodir e ser vendido ao Bournemouth.

Luiz Henrique: 2,5 anos no Fluminense antes de ir para o Betis e depois Zenit.

Gabriel Martinelli: 1 ano profissional no Ituano (jogando apenas o Paulista e a Série D) antes de ir direto para o Arsenal.

Igor Thiago: 1,5 ano no profissional do Cruzeiro antes de ser vendido ao Ludogorets da Bulgária e estourar no Brentford.

Matheus Cunha: 0 anos. Fez a base no Coritiba, mas se profissionalizou diretamente no Sion, da Suíça. Nunca atuou profissionalmente no Brasil.

Raphinha: 0 anos. Fez a base no Avaí, mas foi vendido ao Vitória de Guimarães antes de estrear no time principal. Zero jogos profissionais no Brasil.

Média do setor: 1,4 ano de experiência no Brasil (se retirarmos o outlier Neymar, a média cai para 1 ano). Fora o camisa 10 do Santos, a esmagadora maioria dos atacantes mal sabe o que é jogar uma quarta-feira de Brasileirão à noite.