"Conversei com o pessoal do Atlético de Madrid e acho que o melhor para todos é uma transferência. Quero realizar meu sonho". As palavras de Julián Álvarez caíram como uma bomba em plena Copa do Mundo. A declaração aconteceu após o segundo jogo da Argentina (contra a Áustria), e quando já circulavam vários rumores na mídia sobre o desejo do atacante de jogar pelo FC Barcelona.
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Quase dois meses depois, o jogador segue no Atlético e não será negociado com o Barcelona. Mas, no fim das contas, isso é bom ou ruim para o clube colchonero?
Um alvoroço imediato na mídia
A presença de Julián Álvarez gerou um grande alvoroço na imprensa desde o fim de maio. Como resposta ao interesse do Barcelona em seu jogador, o Atlético reagiu com a mesma firmeza: não o venderia para o Barça.
Na verdade, uma série de postagens no X tirando sarro do clube catalão não demorou a aparecer. O clube primeiro anunciou de forma fictícia a chegada de Lamine Yamal, depois de Pedri e Raphinha. O objetivo era claro: ironizar a situação e os rumores sobre o desejo do argentino de sair. Mas isso só aumentou ainda mais a polêmica.
O atacante fez sua declaração à imprensa e a bola de neve continuou crescendo.
No entanto, com contrato até 2030 e uma multa rescisória de 500 milhões de euros (cerca de R$ 3 bilhões), a transferência já parecia impossível. Ainda mais quando o Atlético vetou imediatamente e se recusou a negociar qualquer saída para um rival.
Situações difíceis e travadas
Durante toda a janela, o Barça não conseguiu negociar com os colchoneros. Miguel Ángel Gil Marín, presidente do Atlético, se manteve firme: a estrela ofensiva do time não seria vendida para os catalães. E isso independentemente do desejo do jogador, nem do que ele expressou ao voltar das férias.

Dois dias atrás, os colchoneros chegaram a divulgar um comunicado categórico após as declarações de Joan Laporta, reforçando o interesse em Julián Álvarez. "Os membros do conselho de administração do Atlético de Madrid expressaram de forma unânime seu total apoio à decisão do clube de não negociar a transferência de Julián Álvarez para o FC Barcelona", informou o clube.
O motivo dessas negativas repetidas? A convicção de não querer reforçar um rival, mas também, segundo o lado madrilenho, mostrar força após o que classificam como "uma suposta violação das normas éticas." De fato, o Atlético denunciou o Barça em julho passado à Federação Espanhola de Futebol, acusando os catalães de terem feito contato irregular com o jogador sem passar antes pelo clube.
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O impasse continuou, e o jogador teve que cumprir as diretrizes do contrato e treinar com o time desde o retorno das férias. E assim foi até esta semana.
Uma ausência importante?
No fim, depois de todas essas semanas de tensão, a pergunta é fundamental. Em um Atlético que na temporada passada girava em torno de seus dois atacantes principais (Antoine Griezmann e Julián Álvarez), será que é essencial o argentino voltar a liderar o ataque?
Durante a pré-temporada e neste início de campeonato, sua ausência não foi necessariamente um problema para os rojiblancos. É verdade que o clube sentiu falta de gol no primeiro tempo contra o Málaga. No entanto, conseguiu reagir depois (2x0). E mesmo sem gols diante do Villarreal, o time acabou empatando (2x2).

Além disso, a contribuição de Ademola Lookman, a resiliência de Álex Baena, a garra de Giuliano Simeone e a motivação do grupo permitem ao Atlético manter suas ambições. A ausência de Álvarez, já sentida e comentada por todo o elenco desde meados de agosto, está sendo compensada pelos jogadores em campo.
Uma situação lamentável, já que o técnico argentino não deixou de lembrar à imprensa que quer "montar um time ao redor dele, porque é (seu) melhor jogador no ataque". Mas a hostilidade que a torcida colchonera tem demonstrado em relação ao atacante é evidente. A temporada dele promete ser ainda mais complicada e difícil.
Álvarez também não estará disponível contra o Sevilla neste sábado. O Atlético vai se virar sem ele. Sua presença ainda é desejada e facilitaria bastante nos próximos compromissos. Mas se ele realmente permanecer no clube e continuar com uma postura de oposição, a temporada será especialmente longa para ele.
