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A crônica de um adeus anunciado: veja a cronologia do caso Cristiano Ronaldo em Portugal

Cristiano Ronaldo em Oslo
Cristiano Ronaldo em OsloREUTERS

A viagem de Portugal à Escandinávia, para disputar dois jogos da Liga das Nações acabou se tornando um escândalo que chamou a atenção do futebol mundial. Cristiano Ronaldo abandonou a concentração de Portugal e colocou sua continuidade na seleção em risco.

O futebol português já teve a sua cota de escândalos com a seleção. Desde Saltillo em 1986 a casos de doping na véspera da Copa de 2002, até à amarga despedida do Mundial em 2010. Contudo, nenhum se compara com o que aconteceu em setembro de 2026.

Confira a classificação da Liga das Nações

Maior nome de Portugal, jogador com mais convocações, mais gols e mais títulos, Cristiano Ronaldo, o capitão, abandonou o time na véspera do jogo com a Dinamarca, num caso que ainda tem muito para acontecer. O Flashscore reconstrói a cronologia do caso.

23 de setembro – Sinal de união

A nova era de Jorge Jesus começou com um momento simbólico de união. A coletiva antes da partida com País de Gales foi feita por Cristiano Ronaldo e o técnico, lado a lado, no auditório da Football Summit.

E, apesar da imagem, Cristiano Ronaldo já estava demonstrando opiniões fortes sobre o seu tempo de jogo.

“Porque é que não posso jogar 90 minutos? Já viu os jogos do Al-Nassr? Então sabe. Essa pergunta tem que fazer ao Jorge Jesus. Tenho certeza que não vou jogar 90 minutos nos quatro jogos”, afirmou.

Cristiano Ronaldo com Jorge Jesus em coletiva
Cristiano Ronaldo com Jorge Jesus em coletivaFPF

Contudo, colocou-se também como um jogador de equipe. “Se o mister não contar comigo, posso sair já hoje, não há problema nenhum. Se não contarem comigo, sou o primeiro. Quando sentir que não dou nada dentro de campo, não faço gols, prejudico o ambiente ou eles não queiram que eu esteja aqui, sou o primeiro pegar as malas e ir embora”.

24 de setembro – Substituído aos 22 do 2° tempo

Titular diante do País de Gales, Cristiano Ronaldo não teve um bom jogo. Teve um gol anulado por impedimento, perdeu uma oportunidade clara e acabou substituído aos 22 minutos do segundo tempo, com Portugal liderando por uma vantagem magra.

26 de setembro – Primeiro sinal

Três dias depois de vencer o País de Gales (1 a 0), Portugal foi para a Noruega para aquele que seria, teoricamente, o desafio mais complicado deste Grupo A4 da Liga das Nações.

Na véspera, Jorge Jesus deu a entender que Cristiano Ronaldo seria reserva, algo que não acontecia num jogo oficial desde a Euro de 2008. “O Cris, queiramos ou não, não é o João Neves, não tem 20 anos”, disse o técnico.

27 de setembro – Frustração do banco

A corda parece ter roído em Oslo. Gonçalo Ramos começou como titular, e Cristiano Ronaldo não entrou, depois de passar quase 30 minutos aquecendo.

No final da partida (2 a 1), o capitão mostrou toda a sua frustração e acabou indo direto para o vestiário após o apito final, não indo com o restante da equipe agradecer aos torcedores pela presença.

Na coletiva de imprensa, Jesus reconheceu que foi uma opção técnica e não se prendeu ao caso, mas prometeu uma conversa com o jogador.

28 a 29 de setembro – Ausência nos treinos

Apesar de não ter atuado por nenhum minuto, Cristiano Ronaldo não voltou a treinar com Portugal. A seleção foi para Malmö, e o capitão não esteve em nenhum dos treinos – dois fechados e um aberto – com a justificativa de que teria um trabalho específico com um equipamento que não estava disponível no Eleda Stadion.

Leia também: Jesus teria mentido a Cristiano Ronaldo; veja bastidores da crise

Situação ainda mais estranha pelo fato de CR7 ter sido filmado no gramado do estádio, minutos antes da equipe começar o aquecimento, falando com Jorge Jesus e deixando o local.

Estatísticas de CR7 pela seleção
Estatísticas de CR7 pela seleçãoFlashscore

29 de setembro – Viagem de emergência

Os primeiros sinais da gravidade do assunto começaram a aparecer com a viagem relâmpago de Pedro Proença. O presidente da Federação Portuguesa de Futebol tinha prevista uma viagem para os Açores onde iria assistir a seleção sub-21 buscar uma vaga na Euro de 2027, mas acabou mudando o rumo e indo para a Dinamarca.

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O presidente chegou em Copenhagen de madrugada e se reuniu com o técnico para tentar acalmar os ânimos, aparentemente com sucesso.

30 de setembro – Coletiva e fuga

A tarde de 30 de setembro acabou ficando marcada no futebol português. Jorge Jesus garantiu em coletiva que não havia problemas e que o capitão ia se juntar aos colegas no treino.

“Acham que algum jogador de uma seleção se recusa a treinar? Só se quiser ir embora e tiver outras ideias”, desabafou, apontando um plano de jogos que CR7 iria atuar e fazendo mea culpa pelo tempo excessivo de aquecimento sem treinar.

A expectativa era alta e as atenções voltadas para o gramado do Parken, na busca de um homem durante os 15 minutos abertos do treino. Contudo, enquanto os colegas se preparavam para o treino, Cristiano Ronaldo deixava o estádio para abandonar a concentração da seleção.

Ainda durante essa noite, deixou a Dinamarca no avião privado, num cenário que não é inédito – Ricardo Carvalho foi protagonista de um episódio semelhante – mas que atingiu proporções sísmicas.

Uma situação que parece irreversível e que pode ditar o adeus daquele que é amplamente considerado o maior jogador da história.

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