O atacante Cristiano Ronaldo obteve uma redução significativa na sanção disciplinar imposta pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), nesta terça, após ter abandonado a concentração da seleção de Portugal na Dinamarca, no mês passado.
Apesar de ter declarado publicamente em suas redes sociais que deveria ser punido "sem circunstâncias atenuantes" e que seu papel de capitão constituía um "fator agravante", o atleta de 41 anos apresentou uma defesa de 2 mil palavras e escapou de um gancho pesado.
A sanção final foi fixada em 30 dias de suspensão e multa de 255 euros (cerca de R$ 1,5 mil).
Os argumentos de CR7
De acordo com o documento oficial que acompanha a decisão, o jogador apresentou três argumentos atenuantes para pedir a redução da pena: seu histórico disciplinar limpo nas últimas três temporadas, sua contribuição para o esclarecimento dos fatos e seus serviços prestados ao futebol.
Para fundamentar o pedido, a defesa de Cristiano Ronaldo listou todo o currículo do atleta, incluindo:
• A conquista da Eurocopa de 2016 e as duas edições da Liga das Nações
• As cinco Bolas de Ouro recebidas ao longo da carreira, além das honrarias de mérito esportivo concedidas por altas autoridades do Estado português.

Os auditores do tribunal aceitaram os argumentos para reduzir a suspensão e a multa pela metade. Na sequência, a pena foi dividida novamente pela metade em razão de o atleta ter assumido a responsabilidade por suas ações.
E mais: o gancho será cumprido em um período sem partidas internacionais marcadas no calendário.
Cabeça fora do lugar
O relatório do conselho disciplinar detalhou a cronologia do episódio na Dinamarca. Após o técnico Jorge Jesus reiterar em coletiva de imprensa que possuía autoridade total sobre as escalações do time, Cristiano Ronaldo solicitou um veículo à FPF e dirigiu-se ao aeroporto de Copenhague.
Durante o trajeto, o capitão telefonou para o presidente da federação, Pedro Proença, afirmando que "não estava com a cabeça no lugar" para permanecer na concentração.
Ronaldo “não informou nem apresentou justificativa prévia à federação ou aos responsáveis da seleção masculina sobre a sua intenção de abandonar o estádio e o centro de treinos”, apontou o texto da decisão, segundo informações da Sky Sports e do The Guardian.
Segundo o levantamento do órgão disciplinar, entre os dias 30 de setembro e 4 de outubro, Cristiano Ronaldo ausentou-se de mais de 30 atividades oficiais da delegação portuguesa, incluindo sessões de treinamento, deslocamentos coletivos e refeições com o grupo.
Não está claro se Jorge Jesus o convocará para a próxima Data FIFA, ou se ele aceitará o convite.
