O duelo foi pelas quartas de final da Copa dos Campeões da Europa (atual Liga dos Campeões).
Liverpool e Colônia jogaram três vezes, mas empataram todas, e a decisão foi para o cara ou coroa.
O equilíbrio entre as duas equipes foi absoluto. O primeiro jogo, na Alemanha, terminou 0 a 0. No segundo jogo, Em Anfield, um novo 0 a 0.
A UEFA marcou então uma partida de desempate em campo neutro, em Roterdã, na Holanda, no dia 24 de março de 1965.
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O terceiro jogo parecia que teria um vencedor. O Liverpool abriu 2 a 0 rápido, mas o Colônia buscou o empate para 2 a 2. Sem pênaltis previstos no regulamento, o destino das equipes foi entregue às mãos do árbitro belga Robert Schaut e sua moeda.
O fiasco da moeda na lama
O que aconteceu a seguir beira o pastelão. O gramado de Roterdã estava tão encharcado e lamacento que, quando o árbitro lançou a moeda pela primeira vez, ela caiu de pé, enterrada na lama.
Ninguém acreditou. O capitão do Liverpool, Ron Yeats, e o capitão do Colônia, Wolfgang Overath, observaram incrédulos enquanto o juiz limpava a moeda para uma segunda tentativa. Na segunda vez, a moeda finalmente deitou. Deu cara — o Liverpool estava na semifinal.
O técnico lendário do Liverpool, Bill Shankly, correu para o gramado para comemorar, enquanto os alemães protestavam contra a crueldade do método. O Liverpool acabaria eliminado na fase seguinte pela Inter de Milão.
O trauma de ver grandes seleções e clubes eliminados por puro azar levou à criação das disputas de pênaltis. O mérito é atribuído frequentemente ao árbitro alemão Karl Wald, que propôs a ideia em 1970, após se cansar de ver jogos decididos no sorteio.
A FIFA e a UEFA adotaram a regra pouco depois, aposentando de vez o cara ou coroa.
Outros jogos decididos na moeda
O Liverpool não foi o único "sortudo" da história. Antes de 1970, a moeda era a juíza suprema do futebol mundial. Relembre outros casos:
1. O Drama de Nápoles: Itália x URSS (Euro 1968)
Este é o caso mais famoso em seleções. Na semifinal da Eurocopa de 1968, Itália e União Soviética empataram em 0 a 0. O capitão italiano, Giacinto Facchetti, desceu ao vestiário com o árbitro e o capitão soviético para o sorteio.
Facchetti saiu correndo do túnel comemorando como se tivesse feito um gol de placa. A Itália venceu no cara ou coroa, avançou à final e conquistou o título sobre a Iugoslávia.
2. O Menino de 14 Anos: Turquia x Espanha (Eliminatórias Copa 1954)
Nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1954, Turquia e Espanha precisavam decidir quem iria ao Mundial na Suíça. Após dois jogos e um desempate empatados, a decisão foi para o sorteio.
Diz a lenda que chamaram um menino italiano de 14 anos, chamado Luigi Franco Gemma, filho de um funcionário do estádio, para tirar o nome de um dos países de dentro de uma taça. Ele puxou "Turquia", e a Espanha ficou fora da Copa.
3. Celtic x Benfica (Copa dos Campeões 1969-70)
Nas oitavas de final da edição 1969-70, o Celtic e o Benfica empataram no agregado. A moeda decidiu a favor dos escoceses, que acabaram chegando à final daquela edição.
