Um clássico retrô na Série D: America recebe Portuguesa no Rio

Estádio Giulite Coutinho, casa do América na Série D
Estádio Giulite Coutinho, casa do América na Série DThiago Ribeiro / AGIF via AFP

O futebol era outro nos idos dos anos 1980. Viradas de mesa, regulamentos praticamente ininteligíveis, estádios nem sempre cheios. Quase quatro décadas depois, clubes ainda históricos, com torcidas que não desistem de suas cores, continuam a existir, mesmo que separados por três divisões diferentes.

É o caso de America-RJ e Portuguesa-SP, que vão se encontrar neste sábado, às 15h, no Rio, pela 3ª rodada da Série D do Campeonato Brasileiro. Um autêntico clássico retrô, que, em nível nacional, volta a ocorrer quase 40 anos depois.

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Em um campeonato essencialmente brasileiro, a última vez que o Diabo e a Lusa estiveram no mesmo campo de jogo foi no dia 19 de agosto de 1988, pela Série A. A Portuguesa venceu por 1 a 0, na primeira fase do Brasileiro daquele ano.

Luisinho, ídolo do América nos anos 1980
Luisinho, ídolo do América nos anos 1980Domínio público

O confronto mais recente entre eles, de fato, ocorreu em 2002, em um já decadente Torneio Rio-São Paulo. Foi no mesmo certame que se iniciou a série entre os dois times, em 1933.

Mata-mata nacional

“Calor intenso prejudica a Portuguesa”. Esse era o título da reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo no dia 2 de fevereiro de 1987. O texto retratava a vitória do America por 1 a 0 no jogo de ida das oitavas de final do Campeonato Brasileiro de 1986, que se estendeu para o ano seguinte.

César marcou aos 35 minutos do primeiro tempo o único gol da partida, fazendo ecoar o grito de “Sangue! Sangue!” pelas arquibancadas do Estádio Caio Martins, em Niterói. O público: mais de 45 mil pagantes.

A entusiasmada torcida da Portuguesa no Canindé
A entusiasmada torcida da Portuguesa no CanindéMoises Nascimento / AGIF via AFP

O então jovem treinador René Simões dirigia a Lusa. Ele e seus jogadores, como o ídolo Jorginho, reclamaram bastante do calor do verão carioca. Três dias depois, o America segurou o empate em 0 a 0, em São Paulo, no Pacaembu, e ficou com a vaga.

Aquela seria uma das melhores versões do clube carioca, dirigido por Pinheiro e com o cabeludo Luisinho no ataque. O Mecão só caiu na semifinal para o São Paulo, que seria campeão ao bater o Guarani na decisão.

Torcida do Mecão costuma marcar presença nos jogos em casa
Torcida do Mecão costuma marcar presença nos jogos em casaBuda Mendes / Getty Images via AFP

Expectativa e realidade

O cenário agora é outro. A Portuguesa, que seria vice-campeã brasileira em 1996 ao perder para o Grêmio, virou recentemente uma SAF, depois de décadas em situação financeira delicada. Fez um bom Campeonato Paulista e, agora, briga rodada a rodada na Série D.

No jogo, que será disputado no Estádio Giulite Coutinho, a grande expectativa do lado paulista é a estreia de Jonas Toró. Depois de surgir no São Paulo, o jogador passou por alguns clubes, principalmente pelo Botafogo de Ribeirão Preto, e agora tenta se reencontrar na carreira, aos 26 anos.

America, em casa, busca recuperação contra Lusa
America, em casa, busca recuperação contra LusaFlashscore

Do lado do America, time que revelou o lateral tetracampeão mundial Jorginho e hoje tem Romário na presidência, uma das contratações para a Série D é o centroavante Caio Rangel. O atacante tem até experiência no exterior, no Cagliari, da Itália. Na base, chegou inclusive a jogar pela Seleção Brasileira.

Ao contrário das multidões do passado — e o America, nos anos 1980, chegou a levar grandes públicos ao Maracanã —, o jogo retrô deste sábado deverá ter público pequeno, mas, sem dúvida, contará com a presença de duas torcidas resilientes do futebol brasileiro.