A nova série internacional do Flashscore vai analisar tendências e evoluções do futebol mundial com a ajuda de dados. E a linha de zagueiros é nosso primeiro tema.
Confira os detalhes a seguir (e ligue as legendas ou aúdio em português no YouTube para assistir ao vídeo abaixo):
Diferença de profundidade
Uma das diferenças fundamentais entre os dois sistemas é a amplitude. Em uma formação com três zagueiros, essa função é sempre do ala.
"Eles são automaticamente responsáveis por manter a amplitude do campo, tanto no terço ofensivo quanto no defensivo. Isso exige muito. Eles precisam ser bons o suficiente defensivamente, mas também criativos e produtivos na fase final, basicamente no nível de um ponta", explica Marek Kabat, especialista em dados do Flashscore.
Com quatro defensores, o desenho é mais flexível: a amplitude pode ser oferecida por um ponta, um lateral ou por meio de um sistema híbrido. Também é uma opção menos exigente para os zagueiros.

"Eles não precisam defender tantos espaços deixados às costas dos alas em um sistema com três zagueiros, nem ter o porte atlético necessário para parar pontas. Além disso, não se espera que avancem com a bola na saída de jogo", compara o analista.
Segundo ele, nenhum dos dois modelos é inerentemente mais ofensivo ou defensivo. No entanto, os dados mostram que o sistema com três zagueiros é mais utilizado por times considerados mais fracos no papel ou que estão próximos da parte de baixo da tabela: "Ele oferece muitas vantagens em termos de compactação e defesa da área."

Manchester United trocou de sistema
O Manchester United ofereceu um excelente exemplo das diferenças entre os dois princípios na última temporada, com a mudança provocada pela troca de treinador. No início do ano, Ruben Amorim foi substituído por Michael Carrick. Enquanto o treinador português apostava em uma formação com três zagueiros (3-4-2-1), Carrick mudou o sistema imediatamente após assumir e agora utiliza um 4-2-3-1.
"Amorim herdou um elenco que não era adequado ao seu sistema. Por exemplo, Bruno Fernandes teve que atuar como parte de uma dupla de volantes, em vez de exercer a função mais avançada de camisa 10 entre as linhas, o que não aproveitava seus pontos fortes", destaca Kabat.
Kobbie Mainoo, por sua vez, não tinha as características físicas necessárias para cumprir funções defensivas e de transição na mesma posição. Por isso, jogou pouco, segundo Kabat. Os laterais e Lisandro Martinez também não se encaixavam bem.
"Carrick teve sucesso no início principalmente porque recolocou os jogadores em suas posições naturais e permitiu que eles aproveitassem ao máximo seus pontos fortes", explica. Mesmo agora, na visão de Kabat, ele tem dificuldade para encontrar a função ideal para seus jogadores, incluindo Patrick Dorgu.

Premier League versus Bundesliga
Outra grande diferença entre os dois sistemas é a forma como são utilizados em competições específicas. Enquanto a grande maioria dos times da Premier League e de LaLiga prefere jogar com quatro defensores, a linha de três é muito mais comum na Serie A e na Bundesliga. Na Europa Central (República Tcheca, Eslováquia e Polônia), as duas opções são igualmente utilizadas.
"A questão não deveria ser qual abordagem é melhor ou mais popular. Isso depende do que o treinador quer alcançar e das ferramentas e dos jogadores que tem à disposição", afirma Kabat.
Os treinadores da Premier League, em particular, levaram as formações defensivas um passo adiante. Pep Guardiola fez isso durante sua passagem pelo Manchester City, ensinando Josko Gvardiol a fechar por dentro partindo da lateral esquerda, em um sistema que depois foi adotado por outros treinadores.
Também existem jogadores híbridos, como David Hancko. No Atlético de Madrid, ele atua no centro de uma linha de quatro, enquanto pela Eslováquia joga pelo lado esquerdo.

"Isso acontece porque a seleção não tem qualidade no terço final. Além de Lukas Haraslin, ninguém oferece de forma consistente uma qualidade de nível europeu naquele setor. Por isso, Hancko sai da esquerda e fecha por dentro, ocupando o espaço entre as linhas, basicamente como um camisa 8, enquanto Haraslín dá amplitude. Essa combinação produziu os momentos mais perigosos da Eslováquia", explica Kabat.
Também não existe uma única maneira de utilizar uma linha de três. Ela pode ter uma proposta ofensiva, como demonstrado por Xabi Alonso no Leverkusen, ou ser defensiva, como praticado por Oliver Glasner no Crystal Palace.
"Ele é um excelente exemplo de como um sistema mais rígido pode maximizar o potencial de um time. Com ele, conquistou a FA Cup, a Community Shield e a Conference League. Seu time se posiciona em um bloco médio, aposta na compactação defensiva e cria chances principalmente em contra-ataques rápidos", observa o analista.
No entanto, o já mencionado Xabi Alonso está tendo dificuldades para fazer sua abordagem funcionar no Chelsea, apesar do sucesso no Bayer. Os Blues já sofreram 13 gols, o maior número da Premier League.
"No Leverkusen, Alonso resolveu isso com um sistema híbrido. De um lado, Jeremie Frimpong atuava basicamente como ponta e mantinha a amplitude no campo do adversário, enquanto, do outro lado, Alejandro Grimaldo jogava mais como um lateral-esquerdo tradicional. No Chelsea, ele tem Palmer e Rogers como dois camisas 10, o que é uma utilização ideal para os dois jogadores, mas a composição dos alas cria riscos defensivos", alerta Kabat.
