Recorde as incidências da partida

Havia muita expectativa para a primeira meia-final do Mundial-2026. De um lado, uma França presente nas duas últimas finais e à procura da terceira consecutiva. Do outro, uma Espanha em estado de graça, sem perder há 36 jogos desde 22 de março de 2024, com a possibilidade de igualar a marca histórica da Itália, dona da maior série invicta de uma seleção nacional, caso evitasse a derrota frente aos gauleses.
Erro de Digne
Os primeiros minutos trouxeram o equilíbrio esperado. A França teve ligeiro ascendente em termos de posse de bola e procurou desequilibrar através dos rasgos individuais de Mbappé, Dembélé e Barcola. A Espanha, fiel ao seu estilo, tentou baixar o ritmo, circular com critério e encontrar espaços entre linhas. O jogo ainda procurava uma direção quando um erro de Lucas Digne mudou tudo.
Aos 20 minutos, o lateral francês perdeu a noção do espaço e da bola dentro da área e atingiu em cheio a perna de Lamine Yamal. Sem grandes dúvidas, o árbitro assinalou grande penalidade para Espanha. Chamado à conversão, Mikel Oyarzabal bateu Mike Maignan, que ainda adivinhou o lado, mas não conseguiu travar o remate. O camisola 21 fez o 0-1 e igualou o máximo de golos de um espanhol numa única edição de um Campeonato do Mundo.
O golo fez crescer a confiança da La Roja e abalou a França. A situação complicou-se ainda mais aos 29 minutos, quando William Saliba foi obrigado a sair lesionado, dando lugar a Maxence Lacroix. A partir daí, a Espanha passou a mandar no jogo com o seu futebol rendilhado, juntando posse, paciência e perigo. Aos 38 minutos, Fabián Ruiz esteve muito perto do segundo, após uma jogada coletiva extraordinária que envolveu também Yamal e Dani Olmo.
Sem conseguir ter bola durante longos períodos, a França só voltou a ameaçar aos 42 minutos, quando Mbappé tentou atacar uma bola em profundidade. Unai Simón, atento, saiu rapidamente da baliza e afastou o perigo. Ao intervalo, a vantagem espanhola era curta no marcador, mas justa pela forma como a equipa de Luis de la Fuente tinha controlado emocionalmente o jogo depois do penálti.

Vantagem deu confiança
A segunda parte confirmou a superioridade espanhola. Aos 58 minutos, a La Roja desenhou mais um excelente momento coletivo. Pedro Porro partiu da lateral para o corredor central, combinou com Dani Olmo e, mesmo pressionado por Upamecano, o médio devolveu a bola ao lateral, que apareceu em zona de finalização e fez o 0-2. Um golo trabalhado, inteligente e revelador da forma como Espanha foi desmontando a estrutura francesa.
Três minutos depois, Lamine Yamal ainda chegou a festejar, mas o golo foi anulado por fora de jogo. A França tentou reagir com o orgulho de uma equipa habituada aos grandes palcos, mas encontrou pela frente uma Espanha muito competente a controlar a força ofensiva gaulesa. O trabalho de Luis de la Fuente foi exemplar, sobretudo na leitura dos momentos do jogo e na forma como conseguiu limitar os espaços para Mbappé, Dembélé e Barcola.
Aos 67 minutos, Mbappé rematou, a bola desviou em Cucurella e passou perto da baliza de Unai Simón. Foi um dos poucos lances em que a França conseguiu aproximar-se com real perigo. Já aos 81 minutos, o guarda-redes espanhol voltou a ser decisivo: saiu da baliza, a bola sobrou para Doué, mas o camisola 20 francês não conseguiu marcar, perante uma grande mancha do guardião do Athletic.

No fim, a Espanha confirmou uma exibição de enorme maturidade e garantiu presença na final do Mundial-2026. Frente a uma França poderosa, experiente e presente nas duas últimas decisões, a equipa de Luis de la Fuente soube sofrer pouco, controlar muito e atacar com critério. A La Roja prolongou a série invicta, igualou a marca histórica da Itália e ficou a um jogo de voltar a tocar no céu.
Melhor em campo Flashscore: Pedro Porro (Espanha)

