Parente de Charles Miller, menina escocesa cria 1º tartan do Brasil antes da Copa

Faroque Hussain (esq.), cônsul brasileiro, com a menina Indie e sua criação
Faroque Hussain (esq.), cônsul brasileiro, com a menina Indie e sua criaçãoCônsul do Brasil em Glasgow/Reprodução

A poucos meses do reencontro histórico entre Escócia e Brasil na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026, o país britânico revelou um símbolo inédito de união entre as duas nações nesta quarta-feira (15) – e com uma pitada de história que remete ao pai do futebol brasileiro.

Trata-se do "Spirit of Brazil", o primeiro tartan oficial da história do Brasil, apresentado em um evento no Museu do Futebol no estádio Hampden Park. As cores do novo tartan são uma homenagem às bandeiras dos dois países.

O tartan é o padrão milenar de listras xadrez que simboliza diferentes regiões e clãs da Escócia. Ele é reproduzido principalmente em kilts (aquela saia tradicional), em cachecóis e outras vestimentas.

Kilt produzido com o tartan brasileiro
Kilt produzido com o tartan brasileiroSlinj/Reprodução

Herdeira de Charles Miller

Mas o que torna esse lançamento mais curioso é a mente criativa por trás do design: Indie Menzies, uma menina de apenas seis anos. Indie foi escolhida não só por ter ganho um concurso escolar, mas também porque ela carrega no sangue uma conexão direta com a história do esporte.

Indie é parente distante de Charles Miller, o escocês radicado no Brasil que é considerado o fundador do futebol no país pentacampeão do mundo.

No início do século XX, Miller retornou da Europa para São Paulo trazendo duas bolas de futebol e um livro de regras. E o resto é história.

Charles Miller em 1893 ou 1894
Charles Miller em 1893 ou 1894Domínio público

Qual a importância do Tartan?

Muito mais do que um simples padrão de xadrez, o tartan é o tecido da alma escocesa desde pelo menos o século III. Historicamente, os diferentes padrões e cores serviam para identificar clãs, regiões ou famílias específicas das Terras Altas (Highlands).

Veja a tabela completa da Copa

A importância do tartan reside em sua função como identidade cultural e política. Durante o século XVIII, o uso do tartan chegou a ser proibido pelo governo britânico em uma tentativa de desmantelar a estrutura de clãs e a rebeldia escocesa. Quando a proibição foi revogada, o tecido tornou-se o símbolo definitivo do nacionalismo e do orgulho da Escócia.

Renda para caridade

Além do valor cultural, a iniciativa tem um caráter filantrópico: toda a renda arrecadada será destinada a instituições de caridade que apoiam a saúde mental infantil.

O kilt com a textura do Spirit of Brazil está à venda na Escócia por 650 libras (cerca de R$ 4.350).

Detalhe de kilt feito com o Spirit of Brazil
Detalhe de kilt feito com o Spirit of BrazilSlanj/Reprodução

O confronto entre Brasil e Escócia no Mundial será o 3º jogo da fase de grupos, no dia 24 de junho, em Miami.

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