"Deixe-me ser absolutamente claro: não estive envolvido de forma alguma nesta proposta e me oponho categoricamente a ela. É um mau negócio para os membros da FIFA, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro a longo prazo do esporte", escreveu o ex-banqueiro no LinkedIn.
Membro da FIFA há mais de cinco anos e "um dos líderes mais proeminentes do mundo do futebol", Cordeiro também era o principal assessor da força-tarefa da Casa Branca responsável pelos preparativos para o Mundial de Clubes de 2025 e a Copa do Mundo de 2026, cargo para o qual foi nomeado por Donald Trump.
Sua renúncia é mais um golpe para Infantino, que enfrenta crescente oposição ao seu projeto FIFA Forward Enterprise, uma empresa aberta a investimentos privados que seria responsável pela gestão das atividades comerciais e de eventos da entidade máxima do futebol mundial.
A UEFA, que representa as 55 federações europeias, ameaçou unanimemente na quinta-feira (30) boicotar as próximas competições da FIFA, incluindo a Copa do Mundo, caso a entidade não abandone o projeto. A Concacaf, que reúne as 41 federações da América do Norte, Central e Caribe, "rejeitou a proposta".
Na sexta-feira (31), a Confederação Asiática de Futebol (AFC) apoiou as outras duas instituições continentais, afirmando que qualquer proposta que ameace a Copa do Mundo "deve ser reconsiderada".
Apesar dessa ampla reação negativa, a FIFA reafirmou na sexta-feira seu compromisso de continuar o processo de consulta "aberto e democrático" para concluir com sucesso este projeto, cujo principal objetivo é aumentar o financiamento para o desenvolvimento do futebol para US$ 10 bilhões nos próximos quatro anos.
Investidores privados poderiam deter ações em uma nova empresa criada para esse fim, a FIFA Forward Enterprise (FFE), mas permaneceriam como acionistas minoritários, com cerca de 20% das ações, prometeu a instituição. A FIFA pretende arrecadar até 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,2 bilhões), valor calculado com base em uma estimativa de valor da FFE de 20 bilhões de dólares (R$ 101 bilhões).
