Ir para o conteúdo principal

Renato mudou? Ex-capitão do Grêmio revela bastidores e estranha postura do técnico

Maicon ergue o título da Copa do Brasil de 2016
Maicon ergue o título da Copa do Brasil de 2016JEFFERSON BERNARDES / AFP

As recentes entrevistas coletivas de Renato Portaluppi, nas quais o treinador expôs publicamente jogadores do Grêmio, levantaram questionamentos sobre uma característica que sempre marcou sua relação com os elencos: a proteção aos atletas. Internamente, ele sempre foi visto como um técnico protetor, mas ultimamente mudou a postura.

As coletivas foram marcadas por indiretas aos jogadores e ao ex-comandante Luís Castro, deixando claro que virou o salvador da pátria gremista. Para entender se essa postura representa uma mudança no comportamento do comandante, a Flashscore ouviu Maicon, ex-capitão gremista e uma das principais lideranças da geração campeã da Copa do Brasil de 2016 e da Libertadores de 2017.

Acompanhe Atlético-MG x Grêmio com narração ao vivo no Flashscore

Com a experiência de quem foi um dos homens de confiança de Renato dentro de campo, Maicon apresentou um olhar privilegiado sobre os bastidores do treinador. Segundo ele, a exposição pública dos jogadores foge ao perfil que conheceu durante os anos de convivência. 

O ex-volante também relembrou como Renato construía relações de confiança, dividia responsabilidades com as lideranças e assumia para si boa parte da pressão externa.

A relação entre os dois começou em 2016, quando Renato assumiu o comando da equipe em um momento de pressão e necessidade de reconstrução. O resultado foi uma das fases mais vitoriosas da história recente do clube gaúcho. Maicon, como capitão, ocupava uma posição estratégica nessa engrenagem.

"Por ser o capitão do time, era o braço direito dele em campo. O Grêmio tinha outros capitães, mesmo sem a braçadeira, eram líderes e exemplos. Com isso, o treinador não ficava sobrecarregado", revelou.

Maicon durante treinamento do Grêmio de Renato
Maicon durante treinamento do Grêmio de RenatoRICARDO RIMOLI / AGIF / AGIF VIA AFP

A declaração ajuda a entender uma das particularidades do trabalho de Renato: a capacidade de distribuir responsabilidades e estabelecer uma rede de confiança dentro do elenco. O treinador não concentrava todas as decisões na própria figura. Encontrava nos líderes do grupo aliados para manter o ambiente sob controle e fazer com que suas ideias fossem assimiladas pelos jogadores.

Confira a tabela completa da Copa do Brasil no Flashscore

Proteção ao elenco e uma atitude fora do padrão

Outro aspecto destacado por Maicon é a postura de Renato diante da imprensa. Segundo o ex-volante, o treinador sempre teve como característica proteger seus jogadores publicamente, assumindo para si a pressão externa e evitando expor individualmente os atletas.

Por isso, uma atitude recente do comandante chamou a atenção do ex-capitão, justamente por fugir do comportamento que ele conheceu durante os anos de convivência. Renato chegou a fazer críticas ao elenco e também à presença de muitos jogadores estrangeiros. 

"Me surpreendeu porque não é o estilo dele fazer isso. Pelo contrário, ele protege sempre os jogadores e deixa a imprensa bater nele. Não sei se foi algo planejado, mas não é o perfil dele expor os atletas", analisou Maicon.

A lembrança revela uma característica importante da gestão de Renato nos bastidores: a preocupação em preservar o ambiente interno, especialmente em períodos de pressão. Na avaliação de quem dividiu o vestiário com ele, o treinador costuma assumir o protagonismo nos momentos difíceis para evitar que a cobrança recaia exclusivamente sobre os jogadores.

Essa capacidade de blindagem foi especialmente importante na campanha que culminou nos títulos da Copa do Brasil e da Libertadores. O Grêmio atravessava um período de cobranças e eliminações, mas conseguiu transformar o ambiente e recuperar a confiança necessária para voltar a conquistar títulos.

"A gente vivia um momento difícil com eliminações, mas o Renato chegou e passou confiança para todo grupo. Ele faz isso muito bem. Eram 15 anos sem ganhar títulos e o Renato controlou tudo para dar tranquilidade para conseguir conquistas", recordou.

Treinador que também participava dos rachões

Maicon também trouxe uma lembrança mais descontraída da convivência com Renato. Conhecido pelo jeito boleiro e pela relação próxima com os jogadores, o treinador não se limitava a observar os trabalhos de campo. Nos tradicionais rachões, fazia questão de participar e, segundo o ex-capitão, ainda demonstrava qualidade com a bola nos pés.

"Ele jogava e bem nos rachões. Ainda fazia golaço e tinha que aturar", contou, em tom bem-humorado.

A história ajuda a ilustrar a maneira como Renato construía sua relação com o elenco. A proximidade com os atletas não significava ausência de autoridade. Pelo contrário: o treinador conseguia transitar entre os momentos de descontração e as cobranças necessárias para manter o grupo competitivo.

Maicon também faz questão de rebater uma das críticas recorrentes ao trabalho do comandante: a suposta falta de treinamentos.

"Ele tem o jeito boleirão, mas o Renato é muito inteligente. Escuto muita história de que o Renato não dá treino, mas isso é mentira. Ele dá treino. Se não, o time não consegue jogar e atingir os títulos como treinador. Tem a maneira de treinar o time e nenhum treinador é igual", afirmou.

Renato tenta repetir a receita em um Grêmio pressionado

As lembranças de Maicon ajudam a contextualizar o atual desafio de Renato no comando do Grêmio. De volta ao clube em setembro de 2026, o treinador encontrou uma equipe pressionada, com dificuldades no Campeonato Brasileiro e a necessidade de reorganizar o ambiente para disputar a reta final da temporada.

A transformação começou a aparecer nos resultados. O Tricolor conseguiu três vitórias consecutivas diante de Coritiba, Athletico-PR e Atlético-MG, sem sofrer gols. Na Copa do Brasil, abriu vantagem de 2 a 0 sobre o Galo no primeiro confronto da semifinal, alimentando a expectativa de voltar a disputar uma decisão nacional.

O desempenho do Grêmio nos últimos cinco jogos
O desempenho do Grêmio nos últimos cinco jogosFlashscore

A derrota por 3 a 1 para o Flamengo, no Maracanã, na última quarta-feira (4), porém, mostrou que ainda há muito trabalho pela frente. O Grêmio segue na zona de rebaixamento do Brasileirão, com 37 pontos, e precisa conciliar a luta pela permanência na Série A com o sonho de conquistar a Copa do Brasil.

Neste sábado (7), a equipe enfrenta novamente o Atlético-MG, em Belo Horizonte, pelo jogo de volta da semifinal. A vantagem construída na Arena dá ao time gaúcho uma condição favorável, mas não elimina a necessidade de uma atuação consistente.

Receba todas as notícias sobre seus times e jogadores favoritos

Transferências, entrevistas e mais: agora você pode receber notificações das principais notícias de seus jogadores e times favoritos.

Como ativar as notificações personalizadas?

Você agora pode receber só notícia de seus craques favoritos
Você agora pode receber só notícia de seus craques favoritosFlashscore
Escolha o Flashscore no GoogleVeja nossas matérias com mais frequência
AdicionarAdicionar no Google