García não renovou seu contrato após o Mundial e, em sua primeira entrevista desde então, culpou o departamento médico pelos contratempos que, segundo ele, resultaram em uma campanha pouco convincente – embora a Bélgica tenha chegado às quartas de final.
"Colocamos nossa Copa em risco por causa de algumas lesões e doenças que não foram gerenciadas corretamente", declarou ao jornal Le Soir de Bruxelas na segunda-feira (17).
A Bélgica começou o torneio de forma pouco empolgante, empatando com Egito e Iraque antes de conquistar uma vitória por 5 a 1 sobre Nova Zelândia em Vancouver, o que permitiu ao time liderar seu grupo pelo saldo de gols. Depois, precisou buscar a virada contra Senegal para avançar às oitavas, onde fez sua melhor partida do torneio diante dos Estados Unidos.
O ponta do Manchester City, Jeremy Doku, era cotado para ser peça fundamental na campanha, mas ficou doente e acabou indo para o pronto-socorro durante a Copa por conta de líquido nos pulmões.
"Uma semana antes, por minha insistência, conseguimos marcar uma consulta para um exame. O médico não achou necessário o exame porque tinha receitado antibióticos para Jeremy. Jeremy se sentiu melhor e, no fim, também não quis ir. Mas seis dias depois, passou a noite no pronto-socorro", contou.
Outras lesões
García também citou as lesões do capitão Youri Tielemans, Charles De Ketelaere e Zeno Debast durante o torneio. Não houve resposta imediata da federação belga de futebol. No entanto, García avaliou que, apesar dos problemas, fez um bom trabalho no cargo e ressaltou várias vezes durante a entrevista que saiu sem mágoas.
"Vim com uma missão. Assumi o comando da Bélgica porque se aproximava uma Copa com Kevin De Bruyne, Thibaut Courtois e Romelu Lukaku", destacou o treinador.
"Pensei que essas três lendas ainda poderiam liderar a Bélgica e que juntos poderíamos levar o time o mais longe possível. Minha missão terminou quando acabou a Copa. Vivemos juntos momentos muito especiais".
García afirmou que, se tivessem oferecido a renovação do contrato, ele poderia ter ficado.
"Acho que teria gostado de continuar, mas também teria sido uma escolha por comodidade da minha parte. Eu conhecia o grupo, tínhamos trabalhado juntos por 18 meses e acabei criando um carinho pelos jogadores e pelo país", acrescentou.
"Não acho que seja presunçoso dizer que colocamos a Bélgica de volta no mapa do futebol mundial. Então, minha missão está cumprida. E depois, está tudo bem em virar a página. Saí sem ressentimentos. Hoje estou muito tranquilo e satisfeito com o que fiz".
A Bélgica agiu rápido após a Copa para nomear como técnico o ex-jogador da seleção holandesa Mark van Bommel.
