Tenistas preparam ações de protesto em Roland Garros por divisão de receitas

Sinner e Sabalenka, exibindo seus títulos
Sinner e Sabalenka, exibindo seus títulosDAVID GRAY / AFP

Um grupo de nomes do tênis, cujas identidades não foram reveladas, que considera injusta a divisão das receitas nos torneios de Grand Slam, vai manifestar seu descontentamento nesta sexta-feira (22) em Roland Garros durante o dia dedicado às obrigações com a imprensa.

Alguns jogadores e jogadoras vão limitar a 15 minutos o tempo concedido à imprensa durante o "Media Day", simbolizando os 15% que os torneios de Grand Slam destinam aos prêmios dos participantes, segundo uma fonte próxima aos tenistas, que confirmou a informação ao jornal L'Équipe.

Também vão se recusar a conceder entrevistas aos principais detentores de direitos do torneio, como France Télévisions e Eurosport, detalhou a mesma fonte.

Essa ação acontece em um contexto de tensão entre os quatro torneios de Grand Slam e a maioria dos principais jogadores dos circuitos ATP e WTA, incluindo os números um Jannik Sinner e Aryna Sabalenka.

O impasse começou em abril de 2025, quando esses atletas reivindicaram, em carta enviada aos organizadores, uma melhor redistribuição das receitas desses torneios aos jogadores em forma de premiação em dinheiro, chegando a 22% contra os cerca de 15% atuais, segundo seus cálculos.

Depois disso, cada um dos quatro torneios aumentou sua premiação. O Grand Slam parisiense anunciou em meados de abril um novo aumento (9,5%) do valor total destinado aos jogadores, que agora chega a 61,7 milhões de euros (R$ 359,7 milhões).

No início de maio, alguns jogadores expressaram sua "profunda decepção" diante desse aumento, enquanto estimam em 400 milhões de euros (R$ 2,3 bi) a receita prevista este ano em Roland Garros.

Perguntada em coletiva de imprensa durante o torneio de Roma sobre a possibilidade de um boicote aos Grand Slam por parte dos melhores jogadores do mundo, Sabalenka afirmou que seria preciso "boicotar se essa for a única solução para defender nossos direitos".

A Federação Francesa de Tênis (FFT), que organiza o Grand Slam parisiense, lamentou na quarta-feira (20), a "decisão dos jogadores", que "prejudica todas as partes interessadas do torneio".

"A imprensa, os detentores de direitos, as equipes da federação e toda a família do tênis que acompanha com entusiasmo cada edição de Roland Garros", detalhou.

A FFT também lembrou que, de um aumento "de aproximadamente 45%" na premiação de Roland Garros desde 2019, investiu "mais de 450 milhões de euros (R$ 2,6 bi)" em infraestrutura do torneio, da qual os jogadores se beneficiam durante as duas semanas em Paris.

Na sexta-feira, está prevista uma reunião entre os organizadores de Roland Garros e "alguns dos representantes" dos jogadores.

O sorteio das chaves masculina e feminina será realizado na quinta-feira, 21 de maio.