Enquanto Tuchel joga a pressão para seleções com glórias mais recentes, os números apontam um cenário diferente: além de a seleção inglesa ocupar atualmente a quarta colocação no ranking da FIFA, o modelo estatístico da Opta coloca os Three Lions como a terceira maior força candidata à taça.

O longo jejum de títulos pode servir de escudo para Tuchel, mas não apaga a impressionante consistência de uma seleção que, nos últimos anos, bateu na trave em duas finais de Eurocopa e em fases agudas de Mundiais.
Os números que justificam o favoritismo
O English Team se classificou para a Copa do Mundo com impressionantes 100% de aproveitamento nas eliminatórias da UEFA para o Mundial. Foram oito jogos, oito vitórias e, o mais impressionante, sem sofrer gols. Foi a única equipe a não ser vazada nas classificatórias do continente, embora 24 seleções tenham disputado apenas seis partidas.

A Inglaterra chegou à decisão da UEFA Euro pela segunda edição consecutiva. O caminho até a final, porém, não foi dos mais consistentes. A equipe empatou com Dinamarca e Eslovênia na fase de grupos, precisou da prorrogação para superar a Eslováquia nas oitavas de final e dos pênaltis para eliminar a Suíça nas quartas. Mas o fato é que só foi parada pela poderosa Espanha, favorita ao bicampeonato mundial em 2026 segundo a Opta.
Considerando apenas as competições oficiais, a Inglaterra disputou 29 jogos desde o último Mundial. Foram 22 vitórias, cinco empates e apenas duas derrotas. O resultado é um aproveitamento impressionante de 83%.
Kane: a máquina de gols
Também não dá para ignorar a presença de Harry Kane no elenco inglês. O maior artilheiro da história do English Team, com 79 gols, é um fator decisivo e capaz de transformar qualquer equipe. Desde que chegou ao Bayern de Munique, em 2023, disputou 146 partidas e marcou impressionantes 143 gols. Apenas na temporada recém-encerrada foram 61 gols em 51 jogos.

Em setembro, ele se tornou o jogador mais rápido do século a alcançar 100 gols por um clube europeu de elite, precisando de apenas 104 jogos — superando os 105 de Haaland e Cristiano Ronaldo.
Seus 61 gols na temporada 2025-2026 representam a maior marca de um jogador de clube das cinco grandes ligas europeias desde Robert Lewandowski, que marcou 55 na temporada 2019-20.
Kane também apresenta médias impressionantes com a Inglaterra. Desde 2025, disputou 11 jogos e marcou 10 gols. No ciclo completo desde a Copa do Catar, são 26 gols em 34 partidas.

Em 2025, ele tirou das costas o peso de nunca ter conquistado um título na carreira. Quem sabe esse feito ajude o artilheiro a se soltar mais e entrar mais leve também com a seleção. Seus números inevitavelmente colocam uma grande responsabilidade sobre seus ombros.
Histórico de fracassos
A estratégia de Tuchel de adotar uma postura de "desafiante" é o reflexo inevitável de um país traumatizado por 60 anos de decepções. O treinador tem razão ao afirmar que a falta de um retrospecto vencedor recente tira da equipe o selo de campeã provada. Afinal, o mundo se acostumou a ver a Inglaterra esbarrar em seus próprios dramas desde a sua glória solitária em 1966.
Essa prudência se sustenta em uma série de fracassos: desde a "Mão de Deus", de Maradona, em 1986, e a expulsão infantil de David Beckham em 1998, passando pela virada da Seleção Brasileira nas quartas de final de 2002 com a cobrança de falta genial de Ronaldinho Gaúcho e pela histórica e cruel sina nas disputas de pênaltis, até chegar ao fatídico chute isolado da marca da cal de Harry Kane contra a França em 2022.

Convocação polêmica
Tuchel também deixou muitos torcedores surpresos com sua convocação. Cole Palmer, do Chelsea, era uma certeza para muitos. Phil Foden, que virou reserva do City ao longo da temporada e não marca desde dezembro, também ficou fora. Harry Maguire, zagueiro com 66 jogos pelos Three Lions e que vinha em bom momento no United desde a chegada de Michael Carrick foi outro que acabou preterido.
Há ainda outros nomes que muitos imaginavam na Copa, como Trent Alexander-Arnold, do Real Madrid, Adam Wharton, do Crystal Palace, e James Garner, do Everton e que não foram convocados.
Dominic Calvert-Lewin, do Leeds, marcou 14 gols na última edição da Premier League, mas foi preterido por Ivan Toney, que marcou impressionantes 42 gols pelo Al Ahli Jeddah, da liga saudita. Em dois anos por lá, são 72 tentos em 93 partidas, números que o credenciam como um excelente reserva para Kane.
Contra a Croácia, a Inglaterra, além de reencontrar a seleção que interrompeu o sonho do bicampeonato na semifinal da Copa da Rússia de 2018, fará o primeiro duelo entre seleções europeias deste Mundial.
O confronto acontece no AT&T Stadium, em Dallas, e promete ser um dos mais disputados da fase de grupos. Você acompanha tudo sobre o duelo no Flashscore e curte a transmissão em áudio comigo, Daniel Kaiser, a partir das 16h55 de Brasília.
