No entanto, quem esperava que o Brasil já estivesse com os onze titulares definidos encontrou um outro cenário. Em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (5), em Nova Jersey, o técnico Carlo Ancelotti foi categórico ao afirmar que ainda não possui uma equipe principal moldada para o Mundial.
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"Estou convencido de que tenho uma lista muito forte e quero aproveitá-la. Não quero focar minha cabeça em uma escalação titular desde o primeiro jogo, quero usar essa lista, que tem muito recurso", afirmou o técnico italiano aos jornalistas.
Questionado sobre quantos atletas do time deste sábado, contra o Egito, ele já projeta como titulares na estreia da Copa do Mundo, Ancelotti voltou a sair pela tangente com seu conhecido jogo de cintura.
"Não posso dizer, espera, espera... Não é uma conta, para mim são todos titulares. São 26 jogadores muito bons", declarou Ancelotti.
"Depois tenho a responsabilidade de escolher os melhores para o primeiro jogo, mas o time pode mudar no segundo ou no terceiro jogo. Posso ter uma ideia, mas não sei quem vai terminar o primeiro jogo", acrescentou.

O técnico italiano jamais repetiu uma escalação desde que assumiu a Seleção Brasileira e voltará a fazer isto neste sábado, quando promoverá testes às vésperas da estreia do Mundial.
"É o último jogo para fazer testes, porque depois é mais difícil. Paquetá é importante para nós, pois tem características diferentes de outros meias. Quero testá-lo, assim como Igor Thiago para o jogo de amanhã. O sistema de quatro atacantes está consolidado", justificou.
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A espinha dorsal: certezas apenas no centro da defesa
Se o restante do time é um quebra-cabeça, o setor defensivo central é onde Ancelotti encontra estabilidade. Alisson é a certeza absoluta no gol. Logo à frente dele, a dupla de zaga também não gera debates: Marquinhos e Gabriel Magalhães estão confirmados como os defensores principais.

As dúvidas começam quando o comandante olha para os lados. Na lateral-direita, o amistoso contra o Egito pode carimbar a titularidade de Wesley, mas não há garantias de que ele seja a escolha final.
Na lateral-esquerda, a disputa está completamente aberta. Douglas Santos inicia a semana decisiva como titular, mas o experiente Alex Sandro pode ser acionado.

O teste de Paquetá e o 4-4-2 na cabeça
Enquanto a imprensa debate se o Brasil joga em um ousado 4-2-4 ou em um dinâmico 4-3-3, Ancelotti usou a coletiva para fixar seu desenho tático. Para ele, a Seleção joga e continuará jogando no 4-4-2. O treinador garantiu que não vai abrir mão dessa formação, mas é dentro dela que as maiores dúvidas flutuam.
"Obviamente você tem que levar em conta o adversário, mas isso não vai mudar nossa escalação, nosso sistema ou nossa estratégia de acordo com as características do adversários. Quero ver outra opção de equipe, a última possibilidade de fazê-lo eu vou fazer. O que está claro é que o sistema não muda, é 4-4-2 e não vai mudar", salientou o treinador.

Ancelotti tembém brincou sobre a função de Paquetá e foi direto quanto à utilização do atleta dentro de sua ideia de jogo.
"O sistema só muda quando você não tem a bola. Você não pode olhar o sistema quando tem a bola porque nunca atacamos com quatro. Defensivo é 4-4-2, não muda. Depois mudam as características dos jogadores. Muda a posição de Paquetá com a bola quando ele está com Luiz Henrique. Sei perfeitamente que Paquetá não pode ser ponta. Depois de 40 anos de futebol eu entendi isso", sorriu o treinador italiano.

A busca pelo "Camisa 9"
Ancelotti ainda terá um centroavante de referência, papel que caberá a Igor Thiago, atuando ao lado de Vinícius Júnior e Raphinha.
Na coletiva, o técnico pontuou as diferenças entre suas opções: enquanto Matheus Cunha entrega um jogo de mais movimentação e associação fora da área, Igor Thiago oferece a presença física e o faro de gol de um atacante de efeito.
"Matheus é mais associativo com a equipe, tem muita qualidade no posicionamento e uma finalização muito forte. Thiago é um atacante totalmente diferente, muito potente, muito inteligente e muito forte na área", explicou.

Ancelotti também vê diferenças entre o perfil de Endrick e Igor Thiago, não os colocando em uma disputa direta pela mesma vaga no setor ofensivo.
"Eles têm características diferentes, jogaram muito bem no segundo tempo contra o Panamá. Não tem vantagem. Eu acho que combinam bem no jogo os dois, porque acho que tem características diferentes", analisou o italiano.
O laboratório final
O teste deste sábado (6) contra o Egito, portanto, está longe de ser apenas um cumprimento de protocolo. Será o laboratório para definir a cara do Brasil na Copa. Ancelotti sabe o que quer taticamente, mas as peças ainda vão se mover no tabuleiro de Cleveland.

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