A uma semana da Copa, Ancelotti ainda procura a cara ideal do Brasil

Ancelotti deixa sala de conferência após entrevista em Nova Jersey
Ancelotti deixa sala de conferência após entrevista em Nova JerseyWILLIAM VOLCOV / BRAZIL PHOTO PRESS / BRAZIL PHOTO PRESS VIA AFP

O relógio está correndo. Neste sábado, dia 6 de junho, a Seleção Brasileira entra em campo no Huntington Bank Field, em Cleveland, Ohio, às 19h (de Brasília) para o seu último amistoso preparatório contra o Egito. O confronto acontece a exatamente uma semana da aguardada estreia na Copa do Mundo, no dia 13 de junho, contra o Marrocos.

No entanto, quem esperava que o Brasil já estivesse com os onze titulares definidos encontrou um outro cenário. Em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira (5), em Nova Jersey, o técnico Carlo Ancelotti foi categórico ao afirmar que ainda não possui uma equipe principal moldada para o Mundial.

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"Estou convencido de que tenho uma lista muito forte e quero aproveitá-la. Não quero focar minha cabeça em uma escalação titular desde o primeiro jogo, quero usar essa lista, que tem muito recurso", afirmou o técnico italiano aos jornalistas. 

Questionado sobre quantos atletas do time deste sábado, contra o Egito, ele já projeta como titulares na estreia da Copa do Mundo, Ancelotti voltou a sair pela tangente com seu conhecido jogo de cintura.

"Não posso dizer, espera, espera... Não é uma conta, para mim são todos titulares. São 26 jogadores muito bons", declarou Ancelotti. 

"Depois tenho a responsabilidade de escolher os melhores para o primeiro jogo, mas o time pode mudar no segundo ou no terceiro jogo. Posso ter uma ideia, mas não sei quem vai terminar o primeiro jogo", acrescentou. 

Jogadores da Seleção são orientados por Ancelotti antes de treinamento no CT do Red Bull
Jogadores da Seleção são orientados por Ancelotti antes de treinamento no CT do Red BullWILLIAM VOLCOV / BRAZIL PHOTO PRESS / BRAZIL PHOTO PRESS VIA AFP

O técnico italiano jamais repetiu uma escalação desde que assumiu a Seleção Brasileira e voltará a fazer isto neste sábado, quando promoverá testes às vésperas da estreia do Mundial. 

"É o último jogo para fazer testes, porque depois é mais difícil. Paquetá é importante para nós, pois tem características diferentes de outros meias. Quero testá-lo, assim como Igor Thiago para o jogo de amanhã. O sistema de quatro atacantes está consolidado", justificou. 

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A espinha dorsal: certezas apenas no centro da defesa

Se o restante do time é um quebra-cabeça, o setor defensivo central é onde Ancelotti encontra estabilidade. Alisson é a certeza absoluta no gol. Logo à frente dele, a dupla de zaga também não gera debates: Marquinhos e Gabriel Magalhães estão confirmados como os defensores principais.

Alex Sandro e Wesley ainda lutam por vaga nas laterais
Alex Sandro e Wesley ainda lutam por vaga nas lateraisWILLIAM VOLCOV / BRAZIL PHOTO PRESS / BRAZIL PHOTO PRESS VIA AFP

As dúvidas começam quando o comandante olha para os lados. Na lateral-direita, o amistoso contra o Egito pode carimbar a titularidade de Wesley, mas não há garantias de que ele seja a escolha final.

Na lateral-esquerda, a disputa está completamente aberta. Douglas Santos inicia a semana decisiva como titular, mas o experiente Alex Sandro pode ser acionado.

Douglas Santos deverá ser o titular do Brasil contra o Egito
Douglas Santos deverá ser o titular do Brasil contra o EgitoWILLIAM VOLCOV / BRAZIL PHOTO PRESS / BRAZIL PHOTO PRESS VIA AFP

O teste de Paquetá e o 4-4-2 na cabeça

Enquanto a imprensa debate se o Brasil joga em um ousado 4-2-4 ou em um dinâmico 4-3-3, Ancelotti usou a coletiva para fixar seu desenho tático. Para ele, a Seleção joga e continuará jogando no 4-4-2. O treinador garantiu que não vai abrir mão dessa formação, mas é dentro dela que as maiores dúvidas flutuam.

"Obviamente você tem que levar em conta o adversário, mas isso não vai mudar nossa escalação, nosso sistema ou nossa estratégia de acordo com as características do adversários. Quero ver outra opção de equipe, a última possibilidade de fazê-lo eu vou fazer. O que está claro é que o sistema não muda, é 4-4-2 e não vai mudar", salientou o treinador. 

Ancelotti defende sistema 4-4-2
Ancelotti defende sistema 4-4-2WILLIAM VOLCOV / BRAZIL PHOTO PRESS / BRAZIL PHOTO PRESS VIA AFP

Ancelotti tembém brincou sobre a função de Paquetá e foi direto quanto à utilização do atleta dentro de sua ideia de jogo. 

"O sistema só muda quando você não tem a bola. Você não pode olhar o sistema quando tem a bola porque nunca atacamos com quatro. Defensivo é 4-4-2, não muda. Depois mudam as características dos jogadores. Muda a posição de Paquetá com a bola quando ele está com Luiz Henrique. Sei perfeitamente que Paquetá não pode ser ponta. Depois de 40 anos de futebol eu entendi isso", sorriu o treinador italiano. 

Paquetá durante treinamento da Seleção em Morristown
Paquetá durante treinamento da Seleção em MorristownWILLIAM VOLCOV / BRAZIL PHOTO PRESS / BRAZIL PHOTO PRESS VIA AFP

A busca pelo "Camisa 9"

Ancelotti ainda terá um centroavante de referência, papel que caberá a Igor Thiago, atuando ao lado de Vinícius Júnior e Raphinha.

Na coletiva, o técnico pontuou as diferenças entre suas opções: enquanto Matheus Cunha entrega um jogo de mais movimentação e associação fora da área, Igor Thiago oferece a presença física e o faro de gol de um atacante de efeito.

"Matheus é mais associativo com a equipe, tem muita qualidade no posicionamento e uma finalização muito forte. Thiago é um atacante totalmente diferente, muito potente, muito inteligente e muito forte na área", explicou. 

Vice-artilheiro da Premier League, Igor Thiago será testado no ataque da Seleção
Vice-artilheiro da Premier League, Igor Thiago será testado no ataque da SeleçãoWILLIAM VOLCOV / BRAZIL PHOTO PRESS / BRAZIL PHOTO PRESS VIA AFP

Ancelotti também vê diferenças entre o perfil de Endrick e Igor Thiago, não os colocando em uma disputa direta pela mesma vaga no setor ofensivo. 

"Eles têm características diferentes, jogaram muito bem no segundo tempo contra o Panamá. Não tem vantagem. Eu acho que combinam bem no jogo os dois, porque acho que tem características diferentes", analisou o italiano. 

O laboratório final

O teste deste sábado (6) contra o Egito, portanto, está longe de ser apenas um cumprimento de protocolo. Será o laboratório para definir a cara do Brasil na Copa. Ancelotti sabe o que quer taticamente, mas as peças ainda vão se mover no tabuleiro de Cleveland.

Resultados recentes entre Brasil e Egito
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