O incidente, relatado pelo árbitro Marco Nunes nas suas redes sociais, aconteceu no sábado (1°), durante jogo entre o Votoraty e Referência, no Estádio Domênico Paolo Metidieri, em Votorantim (SP).
“Sofri um ato de racismo por parte do pai de um jogador do Votoraty. Ele me chamou de 'macaco', palavras que foram claramente ouvidas pela equipe técnica e pelos seguranças presentes no evento”, afirmou.
O árbitro acompanhou a sua mensagem com um vídeo do momento em que cruzou os braços, fazendo o sinal do protocolo antirracismo da FIFA.
O incidente ocorreu no final do 1° tempo, quando o Votoraty perdia por 2 a 0. Marco Nunes ouviu o insulto e, após o intervalo, cruzou os braços e saiu de campo para apresentar queixa, segundo a imprensa local.
O homem que o insultou foi identificado e prestou declarações às autoridades, que o acusaram de ofensa racista, punível com pena de dois a cinco anos de prisão, embora permaneça em liberdade antes do julgamento.
“Saber que isto acontece já é extremamente triste e doloroso. Mas vivê-lo é devastador. A sensação de impotência é tão grande que dá vontade de chorar. No vestiário, cheguei a agradecer a Deus por não ter um filho, só de saber que ele não teria de passar por uma situação tão horrível”, disse o árbitro.
Marco Nunes recordou que, durante a Copa do Mundo, ouviu muita gente dizer que não apoiava a Argentina porque lá há racismo, mas o problema também acontece no Brasil, sendo necessário “olhar também para o próprio quintal”.
No segundo tempo, o quarto árbitro substituiu Nunes e a partida terminou com o triunfo por 3 a 0 do Referência.
O Votoraty expressou em comunicado “a sua mais veemente condenação a qualquer ato de insulto racial, racismo ou qualquer outra forma de discriminação dentro e fora do campo”.
O clube reafirma que “não apoia, em caso algum, atitudes que violem a dignidade, o respeito e os valores que o esporte também deve promover”.
