A queniana de 33 anos, campeã olímpica em Tóquio-2020, teve uma amostra coletada fora de competição com resultado positivo para EPO, substância proibida que aumenta a produção de glóbulos vermelhos no sangue. A suspensão provisória vale enquanto o caso é investigado.
Segundo a AIU, a amostra foi coletada no Quênia antes da recente vitória de Jepchirchir na Maratona de Sydney. Jepchirchir se junta a mais de 140 atletas quenianos suspensos ou banidos pela AIU desde 2017, entre eles a atual recordista mundial da maratona feminina, Ruth Chepngetich.
Além do ouro olímpico e do título mundial, a carreira de Jepchirchir inclui um recorde mundial da meia maratona e quatro títulos no World Marathon Majors: Sydney (2026), Londres (2024), Boston (2022) e Nova York (2021).
A escolha de Nairóbi como sede do Mundial de Atletismo de 2029 deve aumentar a pressão sobre as políticas antidoping do país do leste africano.
Barnabas Korir, diretor de Desenvolvimento da Juventude da Athletics Kenya e vice-presidente do Comitê Olímpico Nacional do Quênia, disse ter ficado chocado com a suspensão.
“É uma grande decepção, logo depois de termos recebido a organização do Mundial de Atletismo de 2029. Estamos chocados, especialmente pelo calibre de Peres Jepchirchir, depois de uma carreira brilhante. Não sabemos o que está acontecendo com nossos atletas”, disse Korir à AFP.
“Tolerância zero”
No início deste mês, o Quênia recebeu uma visita de três dias da Agência Mundial Antidoping (WADA). O presidente da entidade, Witold Banka, cobrou do país tolerância zero com o doping.
“O Quênia se orgulha de ser chamado de Casa dos Campeões. Mas, para que essa casa continue respeitada e seja considerada confiável, ela também precisa ser limpa”, afirmou Banka.
“Por isso, o Quênia precisa de uma forte cultura de esporte limpo, tolerância zero com o doping e uma abordagem mais determinada para prevenir e combater o doping.”
Banka disse que a cooperação com as autoridades quenianas ajudaria a construir as bases para um esporte mais limpo.
“A WADA ou a ADAK (Agência Antidoping do Quênia), sozinhas, não podem alcançar seu objetivo se não cooperarmos com quem tem o poder de agir contra aqueles que produzem, contrabandeiam e traficam esteroides perigosos para os atletas”, afirmou.
“Chegamos a um entendimento comum e estamos no mesmo caminho. Há uma meta clara no Quênia de estabelecer uma política de tolerância zero com o doping, e isso precisa ser feito imediatamente, com ações conjuntas e uma abordagem mais agressiva contra aqueles que estão destruindo a imagem do país e a reputação dos atletas.”
