Com a vitória do partido Esquerda (Die Linke) nas eleições municipais, Berlim não deve ser escolhida como representante da Alemanha para disputar a candidatura para os Jogos de 2036, 2040 e 2044.
"Acho que a decisão está tomada, pois vencemos a eleição com essa posição contra os Jogos Olímpicos", afirmou Elif Eralp, futura prefeita da cidade. Seu partido foi veemente contrário aos Jogos durante toda a campanha.

Eralp criticou duramente os custos envolvidos no processo de candidatura, classificando os gastos como um uso inadequado dos recursos públicos e afirmando que o projeto não trará benefícios para a população local.
"Eu disse muito claramente que considero, por exemplo, os seis milhões que já foram gastos para a candidatura olímpica um desperdício de dinheiro dos contribuintes. E muitos mais milhões e bilhões ainda teriam de ser adicionados. Eu não vejo nenhuma vantagem para Berlim", disse ela.
A posição da futura governante complica a formação de uma eventual coalizão entre a Esquerda, os Verdes — que também se opõem aos Jogos — e o Partido Social-Democrata (SPD), que vinha sendo um dos defensores do projeto na gestão anterior.
O governo da cidade aprovou um parecer favorável à candidatura de Berlim 2036 em maio, mas o documento não possui caráter vinculativo para a nova administração.
A Confederação Alemã de Esportes Olímpicos (DOSB) vai escolher neste sábado qual será a cidade-candidata do país. Além de Berlim, Munique e a região de Colônia também competem pela vaga.
A oposição em Berlim também causou surpresa no estado de Brandemburgo, parceiro da capital na proposta ao lado de Saxônia e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Lideranças locais reafirmaram apoio ao projeto, que prevê a realização de modalidades como canoagem, remo, futebol, golfe e tiro.
"Nós aqui no parlamento estadual de Brandemburgo apoiamos esta candidatura e a vemos como uma oportunidade para a região. Mantemos nosso apoio ao projeto", afirmou Björn Lüttmann, líder do SPD no parlamento de Brandemburgo.
Só Berlim não consultou a população
Diferentemente de outras cidades alemãs candidatas aos Jogos, Berlim não realizou um referendo a respeito do tema. Isso representa uma desvantagem em relação aos outros concorrentes, que podem comprovar de forma mais clara o apoio popular em suas cidades.
Os moradores de Munique já haviam aprovado a candidatura olímpica em outubro de 2025, com 66,4% de votos favoráveis. Na Renânia do Norte-Vestfália (NRW), também houve uma maioria clara a favor da candidatura da região de Colônia. Em abril de 2026, cidadãos de 17 cidades puderam participar, e 66% se manifestaram a favor do projeto.
Apenas Hamburgo votou contra a realização dos Jogos, com 55,1% dos votos contrários e 44,9% a favor, resultando na eliminação da cidade da disputa.
A Alemanha sediou as Olimpíadas duas vezes. Além de Berlim em 1936 – evento que foi explorado pelo Nazismo –, Munique foi sede dos Jogos em 1972.
A cidade bávara deve ser a escolhida no sábado para representar o país, afirmou a emissora NTV nesta terça-feira.
