Conheça Zeki Amdouni, o "Messi suíço" que vai enfrentar o ídolo na Copa do Mundo

Zeki Amdouni, o "Messi suíço" que está prestes a enfrentar seu ídolo
Zeki Amdouni, o "Messi suíço" que está prestes a enfrentar seu ídoloSONA MALETEROVA / GETTY IMAGES EUROPE / GETTY IMAGES VIA AFP

A Suíça enfrenta a Argentina neste sábado (11), em Kansas City, pelas quartas de final da Copa do Mundo. Para Zeki Amdouni, o confronto tem um sabor especial: o atacante está prestes a cruzar o caminho de Lionel Messi, jogador que o inspirou no futebol. Uma ironia do destino para quem é chamado de "Messi suíço" por seu estilo de jogo.

"Vou jogar contra o Messi. Juro, está ótimo, posso até parar de jogar futebol". A mensagem de Amdouni, publicada no Snapchat durante a festa no vestiário da Suíça após a classificação contra a Colômbia, resume quase 20 anos de admiração.

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A publicação meio séria, meio irônica, revela um encantamento antigo e verdadeiro. Em entrevista sobre seu ídolo ao jornal Blick, em janeiro, o atacante do Burnley contou sobre a virada que aconteceu na adolescência. 

Quando criança, ele era fã de Cristiano Ronaldo, "pelo cabelo, pelas chuteiras, pelo estilo". Mas, aos 13 anos, tudo mudou: "Quando realmente entendi o futebol, só existia um jogador para mim: Lionel Messi".

Ao ser perguntado se um dia poderia encontrar seu ídolo em uma Copa do Mundo, ele já respondia, sem hesitar: "Seria um sonho". Esse sonho, que parecia distante na época, está prestes a se tornar realidade.

Depois da vitória nos pênaltis contra a Colômbia, a emoção ficou clara em sua entrevista ao canal RTS: "É um sonho jogar contra ele".

A publicação no Snapchat, porém, não agradou a todos. Parte da torcida suíça achou inadequada a empolgação diante de um duelo de quartas de final de Copa do Mundo, considerando que tanto entusiasmo pelo adversário não cabia neste momento da competição.

Amdouni fez questão de tranquilizar os torcedores nos comentários, prometendo mostrar "zero piedade" por Messi e pela Argentina no dia do jogo.

Argentina de Messi encara Suíça nas quartas da Copa do Mundo
Argentina de Messi encara Suíça nas quartas da Copa do MundoIMAGN IMAGES via Reuters/Brett Davis

O "Messi suíço"

Essa admiração assumida não é apenas uma curiosidade: desde o início da carreira profissional, alimentou uma comparação que acompanha Amdouni.

Em 2023, a empresa de análise StatsBomb buscou os jogadores europeus com menos de 24 anos mais parecidos estatisticamente com Lionel Messi. Dois nomes apareceram: Xavi Simons, revelado pelo Barcelona, e Zeki Amdouni, então no Basel.

Quando se transferiu para o Burnley na temporada seguinte, o jornal espanhol Marca usou o apelido em uma manchete que ficou famosa: "Burnley contrata o Messi suíço". Uma comparação que teria parecido absurda quatro anos antes, quando Amdouni ainda jogava na quarta divisão suíça.

O que justifica a comparação, além dos números, é um estilo de jogo marcante: um falso 9 técnico, mais voltado para a construção e o último passe do que para o jogo físico.

"Quando era pequeno, sempre fui atacante porque finalizava bem, mas nunca fui aquele centroavante forte que só toca cinco vezes na bola por tempo", explicou Amdouni ao site da UEFA.

"Sempre fui um jogador técnico. Gosto de participar do jogo, estar em contato com a bola e dar assistências. Ainda faço isso, mas agora, se puder marcar eu mesmo, melhor ainda."

Números de Amdouni por clubes
Números de Amdouni por clubesFlashscore

O técnico que levou Amdouni do Basel ao Burnley por 18,6 milhões de euros foi Vincent Kompany, que o descreveu desta forma na chegada ao clube inglês:

"É um grande talento que acompanhamos há muito tempo. Ele representa uma ameaça ofensiva importante: tem qualidade no último passe e pode marcar gols sozinho. É um jogador muito inteligente, tecnicamente habilidoso e que trabalha muito".

Por trás do apelido elogioso, a trajetória de Amdouni é a de um jogador de rua, formado longe dos tradicionais centros de formação. Nascido em Saint-Julien-en-Genevois, na França, filho de pai turco dono de uma banca perto do hospital de Genebra e mãe tunisiana, cresceu em uma família humilde.

Aos 13 anos, uma grave lesão no pé o tirou do Servette, seu clube do coração. "Primeiro me disseram que não iam dispensar ninguém por lesão. Mas mesmo assim tive que sair", lembrou Amdouni anos depois, ainda com a ferida aberta anos depois.

Os pais preferiam que ele continuasse os estudos. "Mas no fim aceitaram minha decisão", revelou.

Previa de Argentina x Suíça
Flashscore

Ruptura de ligamento cruzado e dúvidas para a Copa

Amdouni partiu para o Meyrin FC, onde ficou duas temporadas, até chegar às categorias de base do Étoile Carouge, da quarta divisão suíça, aos 15 anos. Lá foi descoberto por Jean-Michel Aeby, então técnico do time principal e em busca de reforços para o ataque.

O "Messi suíço" estreou como profissional em 4 de novembro de 2017, aos 16 anos, e de lá não saiu mais.

"Ele tem uma qualidade incrível, é um jogador quase completo. É bom com os dois pés, de cabeça, prepara bem as jogadas, é um verdadeiro jogador de grupo", elogiava Aeby, que também destacava seu temperamento.

"Zeki é um cara mais reservado, muito discreto, mas isso é uma qualidade, porque ele não se abala nem nas situações mais agitadas."

A Copa do Mundo de 2026 será realizada de 11 de junho a 19 de julho na América do Norte. Veja tudo o que você precisa saber sobre o torneio:

 

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Em junho de 2021, a jovem promessa de Genebra assinou com o FC Lausanne-Sport. O Servette, clube onde foi formado, até queria repatriar o filho pródigo, mas Amdouni preferiu ir para o rival local. O primeiro hat-trick da carreira foi justamente contra o Servette.

A próxima parada de Amdouni foi o Basel, onde explodiu na temporada 2022/23: 22 gols e cinco assistências em 52 jogos, além da artilharia da Conference League.

A ascensão meteórica o levou ao Burnley, mas sua evolução foi interrompida no verão europeu de 2025 por uma ruptura no ligamento cruzado do joelho direito, durante a pré-temporada, logo após voltar de um empréstimo bem-sucedido ao Benfica, onde havia marcado nove gols.

O golpe foi duro para o técnico da Suíça, Murat Yakin, que tinha Amdouni como titular após a Eurocopa 2024. O técnico, porém, nunca perdeu o contato: foi visitá-lo na Inglaterra e o convidou para a concentração de março na Basileia, mesmo quando o atacante ainda não estava 100% fisicamente. 

"Claro, a Copa do Mundo sempre ficou na minha cabeça, mas depois de uma lesão dessas, nove meses parado, minha prioridade era voltar a jogar", explicou Amdouni à agência Keystone-ATS.

Números de Amdouni na seleção da Suíça
Números de Amdouni na seleção da SuíçaFlashscore

Ele só voltou aos gramados em 1º de maio, pela Premier League. Bastaram algumas partidas para convencer Yakin a levá-lo à Copa do Mundo.

A aposta deu certo. Amdouni entrou na prorrogação contra a Colômbia e converteu seu pênalti na disputa decisiva, assim como Granit Xhaka, Cedric Itten e Ruben Vargas.

O atacante explicou sua técnica à RTS: "É um exercício em que me sinto confortável. Já tinha mostrado isso na Euro". Ele espera até o último momento, observa o goleiro e bate no canto oposto ao do pé de apoio.

Essa cobrança colocou a Suíça nas quartas de final da Copa do Mundo pela primeira vez desde 1954, ano em que o país sediou o torneio — e deu a Amdouni o encontro com o qual sonhava desde criança.

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