Copa tem aumento discreto na média de gols dos primeiros jogos

Espanha e Cabo Verde protagonizaram o primeiro 0 x 0 da Copa de 2026
Espanha e Cabo Verde protagonizaram o primeiro 0 x 0 da Copa de 2026JUSTIN SETTERFIELD/GETTY IMAGES VIA AFP

Se fosse como nos velhos tempos, os 16 primeiros jogos de uma Copa do Mundo marcariam o fim da primeira rodada da fase de grupos. No formato atual, porém, essa marca é alcançada antes mesmo da estreia das seleções dos grupos I e J. Por enquanto, a expansão do torneio de 32 para 48 equipes, com a entrada de seleções teoricamente mais frágeis, ainda não provocou uma explosão de gols. Após os 16 jogos iniciais da Copa de 2026, a média de gols registrada é um pouco superior a registrada neste estágio do Mundial do Catar, em 2022.

 

Considerando o empate da Nova Zelândia em 2 a 2 com o Irã como o 16º jogo da atual edição, a Copa de 2026 soma 46 gols em 16 partidas, média de 2,9 por jogo. No Catar, os primeiros 16 confrontos renderam 41 gols, média de 2,6. A diferença (aumento de 12%) ainda é pequena, especialmente diante da expectativa de que o aumento no número de participantes pudesse provocar resultados mais desequilibrados e elevar significativamente a produção ofensiva.

Os empates sem gols, por exemplo, apareceram mais na primeira rodada do Mundial anterior. Em 2022, quatro partidas terminaram 0 a 0: México x Polônia, Dinamarca x Tunísia, Marrocos x Croácia e Uruguai x Coreia do Sul. Em 2026, só temos até agora um placar em branco: Espanha x Cabo Verde.

Goleadas e placares em branco

As goleadas também ajudam a explicar os números. No Catar, a principal delas foi o histórico 7 a 0 da Espanha sobre a Costa Rica, além do 6 a 2 da Inglaterra contra o Irã. Na edição atual, a Alemanha aplicou 7 a 1 em Curaçao, enquanto a Suécia derrotou a Tunísia por 5 a 1. Ou seja 15 contra 14 gols somando os dois jogos com mais gols no início das duas edições. 

Bola estufa a rede no 2º gol da Suécia, na goleada por 5 x 1 contra a Tunísia
Bola estufa a rede no 2º gol da Suécia, na goleada por 5 x 1 contra a TunísiaLUKE HALES/GETTY IMAGES SOUTH AMERIC VIA AFP

Por enquanto, a Copa de 2026 apresenta uma média ligeiramente superior à de 2022, mas longe de representar uma mudança drástica no padrão de gols. Com a tendência de os confrontos ficarem mais equilibrados nas fases eliminatórias, ainda é cedo para afirmar que o novo formato produzirá um Mundial significativamente mais ofensivo.

A avalanche de gols em 1954

O recorde de gols totais em um Mundial foi superado justamente na edição de 2022, embora por uma margem mínima. O gol de empate de pênalti marcado por Kylian Mbappé na prorrogação da final contra a Argentina, fazendo 3 a 3, foi o 172º gol daquela Copa do Mundo, superando o recorde anterior de 171 gols, registrado tanto em 1998 quanto em 2014.

Nandor Hidegkuti faz um dos gols da Hungria, na goleada de 8 x 3 sobre Alemanha, na primeira fase da Copa de 1954
Nandor Hidegkuti faz um dos gols da Hungria, na goleada de 8 x 3 sobre Alemanha, na primeira fase da Copa de 1954AFP

Se considerarmos a média de gols por partida, porém, essas edições ficam muito atrás da Copa de 1954. Naquele torneio, foram marcados 140 gols em apenas 26 jogos, uma impressionante média de 5,4 gols por partida. Em comparação, a Copa do Catar de 2022 teve média de 2,7 gols por jogo. A maior entre os Mundiais com 64 partidas, mas ainda inferior à de outras 12 edições da competição.

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