Apesar desse intervalo, a jovem promessa — que na época vestia a camisa 17 — acumulou boas atuações e mostrou rapidamente o potencial para herdar, no tempo certo, a lendária camisa 7 de Luís Figo.
Se a esperança definiu os primeiros passos do craque com a camisa das Quinas, a surpresa marcou a sua reta final pela seleção.
Seu último gol por Portugal até veio em grande estilo — em uma partida de Copa do Mundo —, mas ninguém imaginava que os últimos capítulos de um dos jogadores mais emblemáticos da história da seleção portuguesa fossem acompanhados de bastidores tão turbulentos.

Cristiano Ronaldo vestiu a camisa de Portugal pela primeira vez em 24 de fevereiro de 2001, aos 16 anos, defendendo a equipe de base em um amistoso contra a África do Sul.
Logo nessa estreia, balançou as redes para garantir a vitória lusa por 2 a 1. Pouco depois, marcou três vezes contra o Japão, anotando seu primeiro hat-trick com a camisa das Quinas.
Após percorrer as etapas de formação e conquistar o Torneio de Toulon em 2003, as atuações de destaque pelo Sporting e pela seleção jovem atraíram os olhares do Manchester United — e abriram caminho para sua rápida convocação à seleção principal.
O primeiro gol diante do carrasco
A estreia de Cristiano na seleção principal aconteceu diante do Cazaquistão, em um amistoso realizado no dia 20 de agosto de 2003. No início da etapa complementar, Felipão acionou o jovem atacante — que vestia a camisa 16 —, substituindo Luís Figo. Cristiano atuou por 45 minutos em uma vitória por 1 a 0, com gol marcado por Simão Sabrosa.

Em abril de 2004, também em partida amistosa, o craque deu seu primeiro passe decisivo pela equipe principal: cobrou o escanteio que resultou no gol de cabeça de Nuno Gomes no fim do jogo, selou o empate em 2 a 2 contra a Suécia, evitou a derrota portuguesa e voltou a colocar os holofotes sobre a grande promessa de Portugal.
O primeiro gol de Cristiano Ronaldo pela seleção aconteceu no dia 12 de junho de 2004, na partida de abertura da Eurocopa, em solo português. Apesar do tento de CR7, os lusos acabaram derrotados por 2 a 1 pela Grécia.
Diante da seleção grega, o craque viveu o contraste da trajetória naquele torneio: a alegria de balançar as redes pela primeira vez e, semanas depois, a dor de perder o título europeu em pleno Estádio da Luz.
Um final nada feliz
Se o primeiro gol de Cristiano Ronaldo pela seleção principal foi em um grande torneio, a reta final da sua trajetória não foi diferente. Seu último gol com a camisa de Portugal veio na Copa do Mundo de 2026, no mata-mata contra a Croácia, na fase de 16 avos de final: ele empatou o jogo de pênalti e abriu caminho para a vitória portuguesa por 2 a 1 nos minutos finais.
Após o Mundial e com a chegada do técnico Jorge Jesus ao comando das Quinas, o clima nos bastidores mudou rapidamente. Depois de atuações apagadas contra Espanha e País de Gales, o estopim ocorreu na Liga das Nações: ao ficar no banco de reservas contra a Noruega, CR7 abandonou a concentração alegando que promessas do treinador haviam sido descumpridas.

Aos 41 anos — e em grande fase pelo Al-Nassr —, Cristiano Ronaldo optou por antecipar sua aposentadoria da seleção sem avisar a comissão técnica, encerrando de forma conturbada uma história lendária de 23 anos.
Logo após o comunicado do craque, a Federação Portuguesa de Futebol anunciou que pretende prestar uma homenagem ao maior símbolo da história recente do país. O evento surge como o desfecho ideal para amenizar o clima tenso dos bastidores e conceder a despedida de gala que um dos maiores nomes do futebol mundial merece.

