O pequeno país do leste africano contaria com o apoio financeiro do Catar para organizar um Grande Prêmio no continente, que não sedia uma corrida de Fórmula 1 desde o GP da África do Sul de 1993.
A nação da região dos Grandes Lagos busca há anos organizar um Grande Prêmio, tendo recorrido anteriormente ao futebol, ao basquete e a outros esportes para melhorar sua imagem e atrair investimentos. Ruanda não dispõe, por enquanto, de um circuito para sediar uma corrida do Mundial de F1, e sua construção será custosa.
Nenhuma das duas partes anunciou formalmente o acordo, mas uma fonte do governo do país confirmou à AFP: "A candidatura de Ruanda para sediar a corrida de Fórmula 1 recebeu sinal verde; um acordo foi alcançado".
Sportswashing
Outra fonte próxima à Federação Internacional de Automobilismo (FIA) — que regula o campeonato mundial da categoria, embora não seja sua proprietária — informou que uma coletiva de imprensa será realizada na próxima semana na capital ruandesa, Kigali, para oficializar o anúncio.
O presidente Paul Kagame anunciou formalmente a candidatura quando Ruanda sediou uma reunião da FIA em dezembro de 2024. Uma das grandes estrelas do grid, Lewis Hamilton, heptacampeão mundial da categoria, defendeu em várias ocasiões a realização de um Grande Prêmio em Ruanda.

País pobre, sem saída para o mar, localizado na África Oriental e ainda amplamente associado ao terrível genocídio de 1994, Ruanda tem recorrido a diversos esportes para renovar sua imagem, atrair turistas e captar investimentos.
O país investiu quantias consideráveis em acordos de patrocínio no futebol com clubes como PSG, Atlético de Madrid e Aston Villa para promover o turismo, bem como com o Los Angeles Clippers, da NBA. No ano passado, sediou os campeonatos mundiais de ciclismo, os primeiros disputados em um país africano.

No entanto, críticos do regime de Kagame — reeleito no ano passado para um quarto mandato com 99,18% dos votos — acusam-no de governar o país com mão de ferro e de utilizar eventos esportivos para desviar a atenção de denúncias de graves violações dos direitos humanos, incluindo a repressão severa a qualquer oposição ou voz dissidente.
África do Sul não desiste
A África do Sul também apresentou candidatura para sediar uma corrida de F1, e seu ministro do Esporte, Gayton McKenzie, ressaltou em uma mensagem na rede social X que a candidatura de seu país não deveria ser descartada apenas pelo fato de Ruanda ter sido selecionada.
