Um enredo que vem se repetindo com frequência com a equipe dirigida por Dorival Jr., treinador que se mostra cada vez mais impaciente com o rendimento do time.
No sábado (15), pelo Brasileiro, só mudou o cenário, porque o enredo dos gols na partida seguiu a mesma toada. Em um Morumbi com mais de 45 mil pessoas, o São Paulo abriu o placar contra o Coritiba, mas, no segundo tempo, voltou a ceder o empate.

“É frustrante porque em uma jogada nós acabamos perdendo a possibilidade de uma vitória. E isso é um fato que vem se repetindo em vários jogos. É o que mais estamos dando atenção e treinando, mas a bola parada tem nos tirado uma possibilidade real de estarmos bem melhor no campeonato”, analisou o treinador, logo após o jogo válido pela 23ª rodada da Série A.
No recorte dos últimos 10 jogos, em 7 vezes, o São Paulo não sustentou o resultado de vitória ou empate até o final. Entre os casos mais dramáticos estão a virada sofrida contra Grêmio e Athlético-PR, ambas por 2 a 1, e os empates contra Botafogo e Milionários-COL. No Mangueirão, contra o Remo, o jogo se encaminhava para o 0 a 0 quando Marcelinho fez o único gol da partida, a favor da equipe paraense, aos 49 do segundo tempo.

Somando todas as competições (o São Paulo já caiu na Copa do Brasil, eliminado pelo Juventude), há apenas uma vitória na conta tricolor, além de outros oito empates e seis derrotas em 15 jogos. Apenas no recorte do campeonato nacional, o São Paulo deixou escapar 13 pontos depois de ter saído na frente em seus dez jogos mais recentes. Somados aos 27 pontos já conquistados, o time estaria no G4, neste momento, atrás apenas de Palmeiras, Flamengo e Athlético-PR.
Como o “se” não existe no tão nem sempre justo esporte bretão, o São Paulo ocupa a 13ª colocação, 4 pontos acima da zona do rebaixamento. Um tropeço em casa contra o Bolívar, além de aumentar a pressão entre elenco, comissão técnica e diretoria, vai deixar o time paulista apenas com o Brasileiro para jogar até o fim do ano.
O fatídico 2º tempo
O São Paulo concentra seus principais problemas defensivos no segundo tempo do Campeonato Brasileiro. Dos 26 gols sofridos pela equipe na Série A, 18 aconteceram após o intervalo, o equivalente a 69,23% do total.
O período mais crítico é justamente o início da etapa final: entre 46 e 60 minutos, o Tricolor sofreu 9 gols, 34,62% de todos os gols levados no campeonato. A faixa representa, isoladamente, mais que o dobro dos gols sofridos nos primeiros 45 minutos inteiros, que somam oito.

Mas o São Paulo também apresenta uma vulnerabilidade acentuada na reta final das partidas. Entre 76 e 90 minutos, foram 6 gols sofridos, ou 23,08% do total. Somados os gols das duas faixas mais problemáticas — de 46 a 60 e de 76 a 90 minutos —, chega-se a 15 dos 26 gols sofridos, ou 57,7%.
Os dados da Opta mostram, portanto, um padrão claro. O São Paulo precisa redobrar a atenção tanto na volta do intervalo quanto nos 15 minutos finais, momentos que concentram mais da metade dos gols sofridos pela equipe na competição.

E 42% de todos os gols sofridos pelo Tricolor, independentemente do período do jogo, vieram de bolas paradas dos adversários. Como lembrou Dorival, eis um dos principais pontos fracos da equipe dirigida por ele.
Contra o Coritiba, bingo! O gol da equipe do Paraná saiu após uma cobrança de falta lateral para dentro da área. Rafael ficou no meio do caminho, vendo a bola atravessar sua pequena área da direita para a esquerda. Lucas Ramon não conseguiu subir com o zagueiro Tiago Coser, que apenas empurrou a bola de cabeça para o gol vazio.
