Historicamente, terminar o Brasileirão no topo da artilharia é um feito raro para jogadores nascidos fora do Brasil — nomes como o uruguaio Pedro Rocha (1972) e o argentino Germán Cano (2022) fazem parte desse seleto grupo. Cano, inclusive, dominou a lista de gols durante quase toda a competição, um feito que tem se tornado incomum nos últimos anos.
Caso confirme a regularidade e segure o topo até o fim, Viveros colocará seu nome na história como o primeiro colombiano a ser artilheiro do Campeonato Brasileiro.
Média da artilharia
Manter o ritmo até o final não é uma tarefa fácil: nas últimas dez edições do Brasileirão, o líder de gols da 17ª rodada só conseguiu segurar a artilharia até o fim do campeonato em quatro ocasiões — com Jô (2017), Gabigol (2019), Cano (2022) e Kaio Jorge (2025). Nas outras seis temporadas, o topo foi tomado por concorrentes que vieram de trás.
Neste ano, a pressão é enorme: apenas um gol separa Kevin Viveros de seus principais perseguidores, Pedro (Flamengo) e Carlos Vinícius (Grêmio).

O terceiro artilheiro?
A última vez que o Athletico-PR teve o principal goleador do Brasileirão foi em 2013, quando Éderson balançou as redes 21 vezes pelo Furacão — daquela marca, doze gols haviam sido marcados até a 17ª rodada, quando ele liderava a artilharia do torneio.
O outro único artilheiro do campeonato a vestir a camisa rubro-negra foi Washington, em 2004. Até hoje, nenhum outro jogador na história dos pontos corridos conseguiu superar o recorde lendário de 34 gols estabelecido pelo "Coração Valente".

Brasileiros dominam o Brasileirão
Ao balançar as redes 26 vezes em 2022, Germán Cano quebrou um longo jejum e se tornou o primeiro estrangeiro a ser artilheiro isolado do Brasileirão na era dos pontos corridos — formato que, desde 2003, já coroou 31 goleadores diferentes.
Antes do craque argentino, o único nascido fora do Brasil a alcançar o topo da artilharia havia sido o uruguaio Pedro Rocha, em 1972. Naquele ano, quando o campeonato ainda tinha outro regulamento, o ídolo do São Paulo dividiu o posto com Dadá Maravilha, do Atlético-MG, ambos com 17 gols, em uma edição que terminou com o Palmeiras como campeão.

Colombiano histórico?
Caso segure a liderança até o fim, Viveros se tornará o primeiro colombiano na história a alcançar a façanha. Quem chegou mais perto disso foi Víctor Aristizábal, na emblemática campanha da Tríplice Coroa do Cruzeiro em 2003.
Naquele ano, o compatriota de Viveros anotou impressionantes 21 gols, mas acabou superado por Dimba, que balançou as redes 31 vezes pelo Goiás e garantiu o topo da artilharia.

No Brasileirão atual, o sucesso de Viveros é amparado pelos números. O atacante já finalizou 44 vezes e transformou a qualidade das chances criadas em bola na rede: seus dez gols superam os 9,8 de Gols Esperados (xG), evidenciando sua eficiência no comando de ataque do Athletico-PR.
Com uma média de um gol a cada 143 minutos, Viveros tem 22% de chance de fazer um gol a cada finalização, o que mostra que o atacante colombiano tem sido letal na parte ofensiva do Furacão.

Fora da Copa
Apesar do desempenho avassalador na principal competição do país, Kevin Viveros ficou fora da lista final de Néstor Lorenzo para a Copa do Mundo de 2026. Aos 26 anos, o atacante do Furacão chegou a figurar na pré-lista de convocados da Colômbia, mas acabou cortado na chamada definitiva que vai ao Mundial.
Embora ainda persiga sua primeira oportunidade em campo com a camisa da seleção principal, a lembrança na lista preliminar serve como um divisor de águas. O reconhecimento do treinador premia seu momento iluminado no Brasil e abre caminhos sólidos para que o artilheiro se firme nos planos do ciclo colombiano para os próximos anos.

