Vitória magra esconde domínio de posse, finalizações e xG da Espanha sobre a Bélgica

Merino tirou Espanha do sufoco
Merino tirou Espanha do sufocoWu Xiaoling / Xinhua News / Profimedia

A Espanha dominou do primeiro ao último minuto contra a Bélgica em Los Angeles, mas precisou esperar até os últimos minutos do duelo para confirmar aquilo que já era realidade em campo: a vitória por 2 a 1 foi menos suada do que sugeriu o resultado final e mais trabalhosa do que sugeriu o domínio.

O número que resume a discrepância entre o que a Espanha produziu e o que efetivamente balançou a rede é o de gols esperados (xG): 2.08 a 0.37. A diferença de quase seis vezes entre as duas equipes escancara o que se viu em campo: a seleção de Luis de la Fuente construiu chances suficientes para vencer, mas transformou pouco desse volume em vantagem no placar até o apito final.

Veja destaques de Espanha 2 x 1 Bélgica

Os demais dados reforçam a leitura. A Espanha teve 68% de posse de bola contra 32% da Bélgica, finalizou 17 vezes contra 5 do adversário e acertou 8 chutes no alvo, quatro vezes mais que os belgas. Foram 42 toques dentro da área adversária, ante apenas 11 da Bélgica, além de uma precisão de passes de 90%, contra 72% dos belgas.

Estatísticas de Espanha x Bélgica
Estatísticas de Espanha x BélgicaOpta by Stats Perform

No terço final, o acerto dos passes também mostra o que pode ter dado errado para os belgas: apenas 63% de aproveitamento, contra 85% dos espanhóis. A junção de um volume baixo com uma precisão aquém, resultando em apenas 46 passes certos no terço final (contra 229 da adversária), expõe por que se esperava pouco da seleção belga, pelo menos em número de gols.

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Quando controlar não é o mesmo que resolver

Mesmo com essa superioridade, o placar só foi resolvido aos 43 minutos do segundo tempo, quando Mikel Merino, que havia entrado em campo há apenas dois minutos, no lugar de Dani Olmo, marcou o gol da vitória.

Antes disso, a Espanha havia aberto o placar aos 30 minutos com Fabián Ruiz, mas viu a Bélgica empatar logo em seguida, aos 41, em gol de Charles De Ketelaere, assistido por Timothy Castagne – um dos raros lances de eficiência de uma seleção belga que teve apenas uma chance clara.

O que ilustra o "perigo não letal" da Espanha, é que ela também teve poucas chances claras, apenas duas. A entrada de Merino mostra bem o contraste entre volume de jogo e conversão: ele teve apenas 8 toques na bola em pouco mais de 11 minutos em campo, mas bastou para desatar o nó que a Espanha vinha tentando desfazer havia quase uma hora.

Lamine Yamal, de longe o jogador mais ativo ofensivamente da Fúria, finalizou 6 vezes (mais que o time inteiro da Bélgica somado, 5) e conduziu 9 dribles, mas não converteu.

Do lado belga, a resistência veio menos da capacidade de criar e mais da disposição defensiva: foram 33 rebatidas contra 15 da Espanha e 40 duelos vencidos contra 42, números que mostram uma equipe que renunciou à posse para se agarrar ao resultado até onde conseguiu.

O 2 a 1 garante a classificação espanhola, mas o boletim estatístico é categórico: em outro dia, com outra pontaria, essa poderia ter sido uma vitória tranquila, construída bem antes dos minutos finais.

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