O problema não está na formação de Seedorf, mas no período em que trabalhou como treinador. Segundo as informações divulgadas sobre a análise inicial da Conmebol, o ex-jogador acumulava aproximadamente 27 meses à frente de equipes profissionais, enquanto a entidade exige 36 meses para reconhecer sua habilitação.
Confira a tabela do Brasileirão no Flashscore
A CBF, entretanto, confirmou que o treinador permanece autorizado a trabalhar no Brasil com uma licença provisória. O Corinthians apresentou novos documentos para comprovar a experiência de Seedorf e solicitou uma reconsideração da decisão.
A documentação, encaminhada à CBF a partir de informações da Federação Holandesa, será submetida à validação da UEFA antes de retornar à Conmebol.
Enquanto a entidade sul-americana não se manifestar novamente, Seedorf continua apto a exercer suas funções no futebol brasileiro.
A situação levanta uma questão: por que um profissional que possui a principal licença europeia ainda precisa comprovar um período mínimo de experiência para obter autorização no futebol sul-americano?

Acompanhe São Paulo x Corinthians com narração ao vivo no Flashscore
Por que a Conmebol exige experiência profissional?
O sistema de licenciamento de treinadores da Conmebol estabelece critérios para reconhecer a formação e a experiência dos profissionais que atuam nas competições organizadas pela entidade.
O objetivo é criar parâmetros de qualificação e estabelecer regras para o reconhecimento de licenças emitidas por federações nacionais e entidades de outras confederações.
A avaliação não considera apenas a conclusão de cursos. Dependendo do procedimento de homologação aplicável, também pode envolver a análise da experiência profissional acumulada pelo treinador. No caso de Seedorf, a Conmebol apontou a necessidade de comprovar pelo menos 36 meses de atuação profissional.
Isso significa que a Licença UEFA Pro, embora represente o nível mais alto de formação no futebol europeu, não garante automaticamente o reconhecimento da habilitação no futebol sul-americano.
A exigência de experiência funciona, nesse contexto, como um critério adicional para a homologação da licença estrangeira.
É importante destacar que os 36 meses mencionados no caso de Seedorf não devem ser confundidos com uma exigência universal para qualquer pessoa começar a trabalhar como treinador. O período está relacionado ao procedimento de reconhecimento de sua qualificação pela Conmebol.
Por que Seedorf não atingiu os 36 meses?
Seedorf iniciou sua carreira como treinador em 2014, quando assumiu o Milan, da Itália, pouco depois de encerrar sua trajetória como jogador. A passagem pelo clube italiano durou aproximadamente quatro meses. Posteriormente, o holandês comandou o Shenzhen FC, da China, em 2016, e o Deportivo La Coruña, da Espanha, em 2018.
Seu trabalho seguinte foi na seleção de Camarões, entre 2018 e 2019. Apesar de ter dirigido equipes importantes e uma seleção nacional, Seedorf acumulou passagens relativamente curtas pelos clubes.
De acordo com o levantamento inicialmente considerado, a soma desses períodos corresponde a aproximadamente 27 meses de experiência profissional, nove a menos do que os 36 exigidos pela Conmebol. Foram 63 jogos à beira do campo.
A diferença entre o tempo reconhecido e o mínimo necessário motivou a negativa inicial da entidade sul-americana.
O Corinthians, entretanto, contesta a insuficiência da documentação e encaminhou novos registros para comprovar a experiência do treinador.
A questão ainda depende de análise, inclusive sobre quais períodos de trabalho podem ser reconhecidos e como devem ser contabilizados.
Quais são as licenças para treinadores no Brasil?
No Brasil, a CBF Academy organiza cursos de formação de treinadores em diferentes níveis, que correspondem a etapas de qualificação e a áreas de atuação no futebol.
A estrutura inclui quatro licenças principais:
Licença C: voltada à formação de profissionais que trabalham em escolas de futebol e atividades de iniciação esportiva.
Licença B: direcionada principalmente à formação de treinadores que atuam nas categorias de base e no desenvolvimento de jovens jogadores.
Licença A: destinada à qualificação de profissionais para o trabalho com equipes de futebol profissional, conforme as condições estabelecidas pela CBF Academy.
Licença PRO: representa o nível mais avançado da formação oferecida pela CBF Academy, com foco no futebol profissional de alto rendimento.
A progressão entre os níveis depende dos pré-requisitos estabelecidos para cada curso, que podem incluir formação anterior, experiência profissional e outros critérios de seleção.
Isso não significa, entretanto, que exista um único prazo de experiência exigido para todas as licenças. As condições variam conforme o nível de formação e as regras aplicáveis a cada processo.
Quais licenças são exigidas pela Conmebol?
A Conmebol também adota um sistema de licenciamento para os profissionais que trabalham em suas competições. Na Libertadores e na Copa Sul-Americana, os regulamentos estabelecem requisitos específicos para treinadores principais e integrantes das comissões técnicas.
De acordo com as exigências previstas para as competições continentais, o treinador principal deve possuir uma Licença PRO reconhecida pela Conmebol, enquanto os auxiliares precisam atender ao nível mínimo de habilitação estabelecido para a função, normalmente a Licença A.
O reconhecimento de uma licença estrangeira, entretanto, não é necessariamente automático. Um profissional formado na Europa, por exemplo, pode precisar apresentar documentos que comprovem a equivalência de sua qualificação e o cumprimento das condições exigidas pela entidade sul-americana.
Qual é a diferença entre a licença da UEFA e a da Conmebol?
A UEFA e a Conmebol possuem sistemas próprios de formação e reconhecimento de treinadores.mNa Europa, a estrutura de qualificação inclui as licenças UEFA C, B, A e Pro, com diferentes níveis de exigência e atuação.
Na América do Sul, a Conmebol estabelece parâmetros de formação e reconhecimento aplicáveis às federações filiadas e às competições que organiza. Embora existam níveis de qualificação semelhantes, as licenças não são automaticamente intercambiáveis em todas as situações.
No caso de Seedorf, a discussão não envolve a existência da Licença UEFA Pro, mas o cumprimento das condições estabelecidas para seu reconhecimento pela Conmebol.
Por que a CBF pode autorizar Seedorf a trabalhar?
A CBF e a Conmebol possuem competências diferentes na organização do futebol. A confederação brasileira é responsável por estabelecer e aplicar regras relacionadas às competições nacionais sob sua organização, enquanto a entidade sul-americana define as exigências para os torneios continentais.
Por isso, uma pendência no reconhecimento da licença pela Conmebol não representa, necessariamente, um impedimento automático para trabalhar no futebol brasileiro.

No caso de Seedorf, a CBF confirmou que o treinador possui uma licença provisória e permanece autorizado a comandar o Corinthians enquanto aguarda uma nova decisão da entidade sul-americana.

Receba todas as notícias sobre seus times e jogadores favoritos
Transferências, entrevistas e mais: agora você pode receber notificações das principais notícias de seus jogadores e times favoritos.
Como ativar as notificações personalizadas?

